terça-feira, 31 de dezembro de 2024

CINEMA E REVOLUÇÃO * Arquivo Marxista da Internet/AMI

CINEMA E REVOLUÇÃO
Nada significa mais, pra nós, Marxistas Comunistas Revolucionários, como símbolo do cinema expressionista, do que o filme POTEMKIM. SM Einsenstein nunca mais foi o mesmo.

Por isso, queremos oferecer aos nossos amigos, leitores, simpatizantes e militantes da causa comunista um verdadeiro catálogo de filmes engajados nessa luta:

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

ENTREVISTA GABRIEL GARCIA MARQUEZ * Fundação Claudino Silva/FCS

ENTREVISTA GABRIEL GARCIA MARQUEZ
GABRIEL GARCIA MARQUEZ - COLÔMBIA

Cem Anos de Solidão (a série)


Felipe Andrés Pérez Cabrera

Você já viu a série Cem Anos de Solidão? A produção cinematográfica foi dirigida por Rodrigo García (filho de Gabriel García Márquez), Laura Moreno Ortega e Alex García López. O roteiro é uma adaptação do romance do escritor Gabriel García Márquez com o mesmo nome da série; Acrescento que este romance é considerado um dos melhores da história da humanidade. Os roteiristas encarregados de adaptar o romance às telas foram María Camila Arias, Camila Bruges, Albatroz González, Natalia Santa e José Rivera. O elenco de atores, em sua maioria colombianos, apenas as atuações de estrangeiros na novela são realizadas por eles de acordo com sua nacionalidade; por exemplo, o cigano espanhol ou o professor de música italiano da peça. A produção é da destacada produtora colombiana de séries e filmes Dynamo Producciones, que contou com financiamento, colaboração e distribuição da Netflix.

Não se trata apenas de conhecer o conteúdo de um livro em si, a série se transforma em um verdadeiro espetáculo de cores, enredo, paisagens mágicas, história, shows e entretenimento do mais alto calibre. Recomendo mesmo que seja para passar momentos agradáveis ​​em nossas vidas; Sem dúvida é uma série que homenageia o livro de Gabo, aproveitando a diversão de seus capítulos, trazendo consigo as mensagens da moral deixada pela obra escrita, mergulhando nas profundezas da nossa rica cultura caribenha. Só para curtir a vida, é bom ver. Recomendado.

PS: Viva a Colômbia e seu povo, que tem enormes capacidades para se destacar em qualquer circunstância da vida! A Colômbia, pátria fundada pelos nossos antepassados, ainda goza de ser um poderoso império cultural da nossa América Latina e das Caraíbas; Devemos continuar a trabalhar pela unidade num único país, tal como os nossos antepassados ​​nos deixaram.

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sábado, 21 de dezembro de 2024

Festival Internacional de Cinema do Cairo presta homenagem aos palestinos em Gaza * MPR21

Festival Internacional de Cinema do Cairo presta homenagem aos palestinos em Gaza


O Festival Internacional de Cinema do Cairo, presidido pelo cineasta egípcio Hussein Fahmy, é um dos mais antigos do mundo árabe e da África. É o único da região árabe e africana inscrito na categoria A da Federação Internacional de Produtores de Cinema.

É também o evento cinematográfico árabe e mundial mais focado no apoio à causa palestina. Embora o Egipto tenha se rendido a Israel em 1979, os intelectuais e cineastas egípcios recusaram unanimemente qualquer normalização com o Estado que continua a ocupar a Palestina e os territórios libaneses e sírios. Há três décadas, o ex-presidente do Festival, o escritor Saad Eddin Wahba, liderou a mobilização de cineastas egípcios contra a normalização do Estado Sionista, ao proibir a participação de filmes israelitas no Festival. O seu sucessor, Hussein Fahmy, foi ainda mais longe ao cancelar completamente a edição anterior em solidariedade com o povo de Gaza, vítima de um genocídio atroz, de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.

Esta edição contou com 190 filmes de 72 países e duas séries de televisão, incluindo 16 exibições no tapete vermelho, 37 estreias mundiais, 8 estreias internacionais e 119 exibições para a região do Médio Oriente e África.

A grande surpresa, que não é exatamente uma surpresa quando conhecemos o lugar que a causa palestina ocupa no coração do povo árabe, foi a excepcional participação do público, que lotou as salas durante as exibições dos filmes palestinos. Um árabe nunca pode esquecer o martírio do povo palestiniano, a limpeza étnica, as repetidas guerras de extermínio que atingiram a Faixa de Gaza, a destruição maciça e sistemática de casas e a fome planeada da população.

Este ano o Festival decidiu retomar a sua actividade para melhor expressar a sua solidariedade para com a Palestina, tornando-se uma plataforma de denúncia do genocídio ao ritmo de uma “dabka”, a dança palestiniana, acompanhada pela famosa canção Ala dini, interpretada por um folclórico grupo de Gaza vestindo o “keffiyeh”, o lenço preto e branco, emblema dos palestinos em luta desde a revolta árabe de 1936-1939. “O sangue que corre em minhas veias é palestino”, diz a letra.

Outro gesto de solidariedade foi a criação de um emblema metálico no formato do mapa histórico da Palestina com as cores da bandeira palestina. O distintivo foi distribuído a todos os participantes do Festival e usado pelo próprio Presidente Hussein Fahmy.

A agressão contra a Síria ainda não tinha começado e o Festival começou a expressar solidariedade com a Palestina e o povo libanês. Seu fechamento foi semelhante. O único segmento musical da cerimónia foi o do grupo “Watan Al Funun” de Gaza com a voz do falecido poeta palestiniano Mahmoud Darwish, recitando versos do seu poema “Nesta terra, a vida vale a pena ser vivida”.

No seu discurso de abertura, Fahmy explicou que a suspensão do festival até 2023 foi um gesto de solidariedade com a causa palestiniana. A decisão de retomar o festival este ano, em 2024, surgiu da mesma vontade de denunciar o genocídio em Gaza. “Durante as minhas visitas a festivais internacionais nos últimos anos percebi que muitos deles, como os Festivais de Berlim e Veneza, tratam de temas políticos e centram-se na Guerra da Ucrânia. No Festival Internacional de Cinema do Cairo também temos o direito de falar sobre as nossas causas e, principalmente, a causa do povo palestino e libanês, atacado de forma selvagem e odiosa pelos soldados israelenses”, disse ele em entrevista.

“Eu não teria decidido organizar o Festival este ano se não tivesse visto que temos o direito de defender as nossas justas causas nacionais através da nossa plataforma, de declarar a nossa solidariedade e de transformá-la numa oportunidade para destacar o sofrimento da Palestina. e o povo libanês”, acrescentou.

Fahmy concluiu destacando que “a arte é capaz de contar histórias de pessoas cujas vidas valem a pena”, agradecendo ao Ministro da Cultura egípcio que esteve presente nos eventos de abertura e encerramento.

“Somos os guardiões do cinema porque é a nossa consciência”, disse o realizador egípcio Yousry Nasrallah, galardoado com o prémio Pirâmide de Ouro por todo o seu trabalho. Apreciando a distinção, Nasrallah destacou que “o cinema egípcio está melhor este ano em termos de receitas e participação em festivais internacionais”, e não saiu sem cumprimentar os seus colegas cineastas palestinianos, “que estão a passar por um duro teste existencial”.

'Sonhos de Passageiros', de Rashid Mashharawi

Para dar uma ideia realista da vida em Gaza antes do último genocídio, os organizadores decidiram exibir “From Ground Zero” durante todo o festival. Esta é uma série de 22 curtas-metragens dedicadas a Gaza e realizadas pelo cineasta palestino Rashid Masharawi. É um lembrete muito útil para ensinar como era a vida em Gaza à luz da guerra genocida contra a população palestiniana desarmada que não relaxou desde 7 de Outubro do ano passado, causando dezenas de milhares de mortes, principalmente mulheres, crianças e idosos. .

A série foi exibida com sucesso à margem do último Festival de Cannes deste ano, apesar do forte clima de repressão e censura imposto pelo lobby sionista na Europa contra qualquer manifestação de solidariedade à causa palestina.

Num outro gesto de apoio a Gaza e ao povo palestiniano, a direcção do festival escolheu a estreia de “Passenger Dreams”, outro filme de Mashharawi, para a cerimónia de abertura. É talvez um dos poucos que aborda a causa palestiniana longe de slogans e operações de guerrilha.

Foi recebido com entusiasmo e entusiasmo, principalmente por ser uma estreia mundial. O filme usa muito simbolismo e acompanha muitas das experiências de Masharawi. É sem dúvida um dos melhores trabalhos que realizou ao longo da sua carreira cinematográfica, que se estende por mais de três décadas.

O filme narra a viagem de Sami, de 12 anos, acompanhado pelo seu tio e primo mais velho, em busca da sua pomba perdida, através de um campo de refugiados na Cisjordânia e de várias cidades palestinas, incluindo Belém, a antiga Jerusalém e Haifa, destacando a difícil vida quotidiana dos palestinianos e o seu impacto na sua personalidade e nas suas relações consigo próprios e com os outros.

A Busca pelas Pombas Perdidas representa a busca da Palestina como pátria e da beleza do povo palestino, apesar da feiúra e da destruição que o rodeia. A determinação do realizador em filmar em Haifa, Belém e na Cidade Velha de Jerusalém, locais que simbolizam a antiga Palestina, expressa o desejo de redescobrir as raízes profundas dos palestinianos e apresentar uma linguagem cinematográfica diferente daquela que prevaleceu até agora no cinema palestiniano. .

Sem dúvida, este filme constitui um salto qualitativo, não só para o seu realizador, mas também para todos os filmes anteriores que abordam a questão palestiniana.
MOHAMMED ASSAF/DAMMI FALASTINI

sábado, 14 de dezembro de 2024

CENSURA E LIBERDADE ARTÍSTICA NO BRASIL * Nonada Jornalismo

CENSURA E LIBERDADE ARTÍSTICA NO BRASIL

Quem tem direito à liberdade artística no Brasil? Nos ajude a avaliar o cenário respondendo à pesquisaQuem tem acesso à liberdade artística no Brasil? Com apoio do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão da USP e da Funarte, o Nonada quer ouvir trabalhadores da cultura para entender o cenário atual.

O projeto visa identificar os principais tipos de violência sofridos, bem como existência de notícias falsas e de fatores sociais, de gênero e raça na incidência da perseguição aos artistas. Os resultados serão compilados e divulgados em um ebook.

Se você já sofreu ataques ou foi perseguido por sua atuação como pessoa fazedora de cultura ou não se sente segurança para trabalhar na área, participe! A pesquisa é rápida e a sua participação será muito importante.

OU AQUI
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

CULPABLES * ICAP/RESUMO LATINOAMERICANO

CULPABLES
Na primeira semana de dezembro estreia no Brasil o filme cubano "Culpables".

Pré-estreia no dia 5 de dezembro - 5°feira 18:45h na UNIPOP (Universidade Popular) Av. L2 norte - Q. 601 - Centro Cultural de Brasília. Entrada e estacionamento gratuitos.

A estreia vai acontecer no III Encontro Anti-imperialista de Solidariedade e Amizade entre os Povos.

Produzido pelo Resumen Latinoamericano com a colaboração do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), o filme, da jovem diretora Yaimí Ravelo, apresenta em uma hora uma síntese de intervenções de renomados juízes e promotores, além de testemunhas e amigos da Ilha, da Europa e dos Estados Unidos, em audiência realizada em Bruxelas em novembro de 2023.

O filme apresenta uma sugestiva combinação de imagens de declarações e testemunhos nas sessões e da população cubana que sofre todos os dias resistindo às duras consequências da política de asfixia econômica, criminosa e genocida, aplicada pelos governos dos EUA há mais de 60 anos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

DESCOLONIZANDO AS MENTALIDADES * GLAUBER ROCHA/BA

DESCOLONIZANDO AS MENTALIDADES
GLAUBER ROCHA
Uma Estética da Fome

Por Glauber Rocha

Dispensando a introdução informativa que se tem transformado na característica geral das discussões sobre América Latina, prefiro situar as relações entre nossa cultura e a cultura civilizada em termos menos reduzidos do que aqueles que, também, caracterizam a análise do observador europeu. Assim, enquanto a América Latina lamenta suas misérias gerais, o interlocutor estrangeiro cultiva o sabor dessa miséria, não como um sintoma trágico, mas apenas como um dado formal em seu campo de interesse. Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino.

Eis – fundamentalmente – a situação das artes no Brasil diante do mundo: até hoje, somente mentiras elaboradas da verdade (os exotismos formais que vulgarizam problemas sociais) conseguiram se comunicar em termos quantitativos, provocando uma série de equívocos que não terminam nos limites da arte mas contaminam sobretudo a terreno geral do político. Para o observador europeu, os processos de criação artística do mundo subdesenvolvido só o interessam na medida que satisfazem sua nostalgia do primitivismo; e este primitivismo se apresenta híbrido, disfarçado sob as tardias heranças do mundo civilizado, heranças mal compreendidas porque impostas pelo condicionamento colonialista. A América Latina (AL), inegavelmente, permanece colônia, e o que diferencia o colonialismo de ontem do atual é apenas a forma mais aprimorada do colonizador; e, além dos colonizadores de fato, as formas sutis daqueles que também sobre nós armam futuros botes. O problema internacional da AL é ainda um caso de mudança de colonizadores, sendo que uma libertação possível estará sempre em função de uma nova dependência.

Este condicionamento econômico e político nos levou ao raquitismo filosófico e à impotência, que, às vezes inconsciente, às vezes não, geram no primeiro caso a esterilidade e no segundo a histeria.

A esterilidade: aquelas obras encontradas fartamente em nossas artes, onde o autor se castra em exercícios formais que, todavia, não atingem a plena possessão de suas formas. O sonho frustrado da universalização: artistas que não despertaram do ideal estético adolescente. Assim, vemos centenas de quadros nas galerias, empoeirados e esquecidos; livros de contos e poemas; peças teatrais, filmes (que, sobretudo em São Paulo, provocaram inclusive falências). O mundo oficial encarregado das artes gerou exposições carnavalescas em vários festivais e bienais, conferências fabricadas, fórmulas fáceis de sucesso, vários coquetéis em várias partes do mundo, além de alguns monstros oficiais da cultura, acadêmicos de Letras e Artes, júris de pintura e marchas culturais pelo país afora. Monstruosidades universitárias: as famosas revistas literárias, os concursos, os títulos.

A histeria: um capítulo mais complexo. A indignação social provoca discursos flamejantes. O primeiro sintoma é o anarquismo pornográfico que marca a poesia jovem até hoje (e a pintura). O segundo é uma redução política da arte que faz má política por excesso de sectarismo. O terceiro, e mais eficaz, é a procura de uma sistematização para a arte popular. Mas o engano de tudo isso é que nosso possível equilíbrio não resulta de um corpo orgânico, mas sim de um titânico e autodevastador esforço no sentido de superar a impotência: e, no resultado desta operação a fórceps, nós nos vemos frustrados, apenas nos limites inferiores do colonizador: e se ele nos compreende, então, não é pela lucidez de nosso diálogo, mas pelo humanitarismo que nossa informação lhe inspira. Mais uma vez o paternalismo é o método de compreensão para uma linguagem de lágrimas ou de mudo sofrimento.

A fome latina, por isto, não é somente um sintoma alarmante: é o nervo de sua própria sociedade. Aí reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.

De Aruanda a Vidas Secas, o Cinema Novo narrou, descreveu, poetizou, discursou, analisou, excitou os temas da fome: personagens comendo terra, personagens comendo raízes, personagens roubando para comer, personagens matando para comer, personagens fugindo para comer, personagens sujas, feias, descarnadas, morando em casas sujas, feias, escuras: foi esta galeria de famintos que identificou o Cinema Novo com o miserabilismo, hoje tão condenado pelo Governo do Estado da Guanabara, pela Comissão de Seleção para Festivais do Itamarati, pela crítica a serviço dos interesses oficiais, pelos produtores e pelo público – este último não suportando as imagens da própria miséria. Este miserabilismo do Cinema Novo opõe-se à tendência do digestivo, preconizada pelo crítico-mor da Guanabara, Carlos Lacerda: filmes de gente rica, em casas bonitas, andando em automóveis de luxo; filmes alegres, cômicos, rápidos, sem mensagens, e de objetivos puramente industriais. Estes são os filmes que se opõem à fome, como se, na estufa e nos apartamentos de luxo, os cineastas pudessem esconder a miséria moral de uma burguesia indefinida e frágil, ou se mesmo os próprios materiais técnicos e cenográficos pudessem esconder a fome que está enraizada na própria incivilização. Como se, sobretudo, neste aparato de paisagens tropicais, pudesse ser disfarçada a indigência mental dos cineastas que fazem este tipo de filmes. O que fez do Cinema Novo um fenômeno de importância internacional foi justamente seu alto nível de compromisso com a verdade; foi seu próprio miserabilismo, que, antes escrito pela literatura de '30, foi agora fotografado pelo cinema de '60; e, se antes era escrito como denúncia social, hoje passou a ser discutido como problema político. Os próprios estágios do miserabilismo em nosso cinema são internamente evolutivos. Assim, como observa Gustavo Dahl, vai desde o fenomenológico (Porto das Caixas), ao social (Vidas Secas), ao político (Deus e o Diabo), ao poético (Ganga Zumba), ao demagógico (Cinco Vezes Favela), ao experimental (Sol sobre a Lama), ao documental (Garrincha, Alegria do Povo), à comédia (Os Mendigos), experiências em vários sentidos, frustradas umas, realizadas outras, mas todas compondo, no final de três anos, um quadro histórico que, não por acaso, vai caracterizar o período Jânio-Jango: o período das grandes crises de consciência e de rebeldia, de agitação e revolução que culminou no golpe de abril. E foi a partir de abril que a tese do cinema digestivo ganhou peso no Brasil, ameaçando, sistematicamente, o Cinema Novo.

Nós compreendemos esta fome que o europeu e o brasileiro na maioria não entendeu. Para o europeu, é um estranho surrealismo tropical. Para o brasileiro, é uma vergonha nacional. Ele não come mas tem vergonha de dizer isto: e, sobretudo, não sabe de onde vem esta fome. Sabemos nós – que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto – que a fome não será curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem, mais agravam seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente: e a mais nobre manifestação cultural da fome é a violência.

A mendicância, tradição que se implantou com a redentora piedade colonialista, tem sido uma das causadoras de mistificação política e da ufanista mentira cultural: os relatórios oficiais da fome pedem dinheiro aos países colonialistas com o fito de construir escolas sem criar professores, de construir casas sem dar trabalho, de ensinar o ofício sem ensinar o analfabeto. A diplomacia pede, os economistas pedem, a política pede: o Cinema Novo, no campo internacional, nada pediu: impôs-se pela violência de suas imagens em vinte e dois festivais internacionais.

Pelo Cinema Novo: o comportamento exato de um faminto é a violência, e a violência de um faminto não é primitivismo. Fabiano é primitivo? Antão é primitivo? Corisco é primitivo? A mulher de Porto das Caixas é primitiva?

Do Cinema Novo: uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária, eis aí o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado; somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas, o colonizado é um escravo; foi preciso um primeiro policial morto para que o francês percebesse um argelino.

De uma moral: essa violência, contudo, não está incorporada ao ódio, como também não diríamos que está ligada ao velho humanismo colonizador. O amor que esta violência encerra é tão brutal quanto a própria violência, porque não é um amor de complacência ou de contemplação, mas um amor de ação e transformação.

O Cinema Novo, por isto, não fez melodramas: as mulheres do Cinema Novo sempre foram seres em busca de uma saída possível para o amor dada a impossibilidade de amar com fome: a mulher protótipo, a de Porto das Caixas, mata o marido; a Dandara de Ganga Zumba foge da guerra para um amor romântico; Sinhá Vitoria sonha com novos tempos para os filhos: Rosa vai ao crime para salvar Manuel e amá-lo em outras circunstâncias; a moça do padre precisa romper a batina para ganhar um novo homem; a mulher de O Desafio rompe com o amante porque prefere ficar fiel ao mundo burguês; a mulher em São Paulo S.A. quer a segurança do amor pequeno-burguês e para isto tentará reduzir a vida do marido a um sistema medíocre.

Explicação: Já passou o tempo em que o Cinema Novo precisava explicar-se para existir: o Cinema Novo necessita processar-se para que se explique, à medida que nossa realidade seja mais discernível à luz de pensamentos que não estejam debilitados ou delirantes pela fome. O Cinema Novo não pode desenvolver-se efetivamente enquanto permanecer marginal ao processo econômico e cultural do continente latino-americano: além do mais, porque o Cinema Novo é um fenômeno dos povos novos e não uma entidade privilegiada do Brasil: onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade, e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração. A integração econômica e industrial do Cinema Novo depende da liberdade da América Latina. Para esta liberdade, o Cinema Novo empenha-se, em nome de si próprio, de seus mais próximos e dispersos integrantes, dos mais burros aos mais talentosos, dos mais fracos aos mais fortes. É uma questão de moral que se refletirá nos filmes, no tempo de filmar um homem ou uma casa, no detalhe que observar, na moral que pregar: não é um filme mas um conjunto de filmes em evolução que dará, por fim, ao público a consciência de sua própria miséria.

Não temos por isto maiores pontos de contato com o cinema mundial, a não ser com suas origens técnicas e artísticas.

O Cinema Novo é um projeto que se realiza na política da fome, e sofre, por isto mesmo, todas as fraquezas consequentes de sua existência.

Glauber Rocha
Nova Iorque, Milão, Rio Janeiro – 1965
Carta Testamento

Getúlio Vargas

Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

(Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Castro Alves: retrato falado do poeta (1999) - FILME COMPLETO * Bruno Garcia

CASTRO ALVES:RETRATO FALADO DO POETA
BRUNO GARCIA
Castro Alves: retrato falado do poeta (1999) - FILME COMPLETO

Historia do Cinema Brasileiro

Castro Alves, Retrato Falado do Poeta é uma ficção de 70 minutos com situações de documentário, protagonizada por Bruno Garcia. O filme recupera a atuação do escritor nas lutas pela proclamação da república e a abolição da escravatura, além de mostrar seu lado apaixonado e até mulherengo. O personagem-título viaja pelo Brasil com suas poesias e seus ideais, passando pela Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa viagem, o espectador também embarca.

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Começou a recepção de poemas para o Primeiro Festival de Poesia Inédita para a Palestina * Fórum Itinerante de Participação Popular

Começou a recepção de poemas para o Primeiro Festival de Poesia Inédita para a Palestina

Caracas, 19 de agosto de 2024/Especial de Imprensa da FIPP. Poetas de todo o mundo começaram a enviar suas contribuições para o Primeiro Festival de Poesia Inédita para a Palestina, que acontecerá nos dias 4, 5 e 6 de outubro em diversos países, quando completaria um ano do Genocídio cometido pelo regime terrorista. de Israel contra o povo palestiniano.


A convocação foi do Fórum Itinerante de Participação Popular, organização que vive e se articula na Plataforma Internacional de Solidariedade à Causa Palestina, junto com grupos de poetas como Ofício Puro e Fecap.


A intenção do festival é publicar uma antologia de poemas que não foram publicados nem nas redes sociais, de poetas maiores de idade, em qualquer idioma, com a condição de que sejam acompanhados de tradução em espanhol.


A recepção dos poemas está marcada para o dia 7 de setembro e as bases são bem simples, além do que foi citado acima, que os textos estejam em Arial 14, com cuidado claro na ortografia e que os temas tratem da Palestina, seu processo de resistência, a sua resiliência, a sua esperança de soberania e liberdade. O e-mail disponível para recebimento e envio dos poemas é FestivalPoesiaPalestina@gmail.com .

Os organizadores do Festival antecipam que em todo o território nacional os poetas se unam com atividades, recitais e espaços de solidariedade.


“Apelamos tanto aos poetas consagrados como aos novos, porque todos temos direito à oportunidade de oferecer o nosso amor num poema aos homens, mulheres, rapazes e raparigas da Palestina”, comentou Hindu Anderi, coordenador do Fórum Itinerante de Participação Popular e da Plataforma de Solidariedade com a Causa Palestina.

Em outubro, o Festival acontecerá em auditórios, praças e comunidades. “Queremos que todos os que por aqui passam ouçam falar da Palestina, despertem a sensibilidade e acendam as chamas da solidariedade, de que o seu povo tanto necessita”, disse finalmente Hindu Anderi.

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sábado, 17 de agosto de 2024

MANIFESTO POESIA LIBERTÁRIA * Antonio Cabral Filho/RJ

MANIFESTO POESIA LIBERTÁRIA
   HOMENAJE.

Sin tiempo sin amigo
una vida sin patria
un silencio de látigo
que ni siquiera azota.

Julio Cortázar.


Un día como hoy
te hizo presente
te volviste carne
materia literaria
extraña figura
Duende grande
en un mundo pequeño
sin conciencia
hostil, egoísta
"sin tiempo sin amigo".

Niño lector de caminos
historias de libros
imaginando bosquejos
llegan los cuentos
tonos fantásticos
universo perfecto
destellos de ingenio
hombre novelesco
emigrante del sueño
"una vida sin patria".

Derrotero de fantasía
vencedor del extravío
imaginando utopías.
Angel sin alas
incendiando el vuelo,
Julio en Agosto
rompiendo el tiempo
historias de amor
tiritando el alma
pasión que castiga
"un silencio de látigo".

Aquí quedas presente
este instante de ausencia
ejemplo de tu vida
de regocijo humano
hombre de causa justa
tu extensa figura
Duende gigante
Enseñando constancia
amorosa disciplina
"que ni siquiera azota".


Iván Villamizar.
26/08/2024.

TORQUATO NETO/PI
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MANIFESTO POESIA LIBERTARIA

Camaradas, salve!

Quero lhes falar sobre o PROJETO "DEPOIS DE CASTRO ALVES".

PREÂMBULO

Vivemos uma era revolucionária e muito maior do que preconizou Marx, muito além do que historiou Hobsbaum. Em tempos assim os revolucionários precisam ser pessoas completas, precisam pensar em tudo, a um só tempo, por que a roda da história é um raio e quem não vê o seu clarão já perdeu o bonde. Por isso meus camaradas, nós, os revolucionários, precisamos revolucionar, seja na vida social, econômica, cultural e artística. Precisamos propôr estéticas revolucionárias, atendendo aos anseios da maioria. Por isso lhes convido a pensar na estética literária, e criar uma ESTÉTICA LIBERTARIA, especialmente na poesia.

Creio que vocês sabem que o desenvolvimento estético da poesia brasileira se inicia com CASTRO ALVES. GONÇALVES DIAS deu um primeiro passo rompendo o rigor da poesia de formas fixas, mas é a partir de CASTRO ALVES que isso se deslanchou. Daí em diante a poesia modernista virou alimento revolucionário na estética brasileira.

Claro que na Europa, principalmente França e Portugal , isso já era lei e os classicistas baixavam a cabeça. Veja Fernando pessoa. Mas no Brasil ainda era quase uma ofensa se apresentar como Poeta quem não se submetesse ao soneto ou à trova, tamanha era a obediência aos modelos institucionalizados. Precisou que Mário de Andrade, Oswald de Andrade e tantos outros lançassem a Semana de Arte Moderna em 1922. É a partir daí que a estética modernista entrou no salão. Desde então, e só desde então, é que ninguém mais veio impor normas academicistas às artes. Até tem regras, mas não são mais impositivas.

É nesse sentido que começa a caminhar o PROJETO "DEPOIS DE CASTRO ALVES"

POSSO CONTAR COM A SUA ADESÃO?
VAMOS PRECISAR CAIR EM CAMPO E ARREGIMENTAR FORÇAS. NÃO SE FAÇA DE ROGADO, INVADA OS SALÕES, PULE EM CIMA DAS MESAS, BEBA NO GARGALO, DANCE NO ASFALTO, DESFRALDE A BANDEIRA DA POESIA LIBERTARIA
...

1
Depois de Castro Alves
A poesia ganhou mundos!
Viajou em navio negreiro
Liderou revoluções
Fez amor nos camarins
E foi a luta
Sem lenço nem documento.
Antônio Cabral Filho.RJ

2
Enquanto a vida segue forte
O poeta é como um arco
E resiste como um marco
Que já nasce injustiçado
Que está a meio fio
Como um naco de navalha
E na terra ele entalha
Um poema de liberdade

Poesia é a saudade
Do Rio Capiberibe
Da terra dos carijós
E da Serra da Mantiqueira

Poesia é vida inteira
Se esgueirando pelo mundo
E tão perto do absurdo
É arma de revolução!

Dona bela poesia
Vem com bandeira de revolução
E pra ela dá as mãos
Porque ama a liberdade
Poesia é a saudade
Dos tempos em que a justiça era honesta

Vera Mascarenhas.SP

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LUA VAZIA, 64.

Nuvens raivosas,
passeiam pelos céus de Pernambuco. Nas noites de Março,
tirando a luz do caminho dos camaradas de Julião No breu da noite
a lua entre as nuvens alumia a caminhada
dos camaradas de Julião.

A lua some nas nuvens nas noites de março sem sua luz a milícia num dá sussego.

Os caminheiros tentam entender porque a lua s´escondeu
no rumo do engenho Galileia.

A oitenta e quatro graus
mês de Abril de lua cheia as coisas apertam.

Nuvens raivosas atrapalham
o destino dos camaradas de Julião.

Os de Julião, sentem o momento
o traço e o significado
do que siassucede a cada instante
e sua natureza no modo de ser das coisas.

Uns de um jeito outros de outro.
Lá de cima a lua alumia o caminho
dos camaradas de Julião.

Nas noites dos nordestes do mundo a luz da lua e os caminhantes
não andam sozinhos
nem os camaradas de Julião.
Seguem um rio de estrelas.
&
Os poetas Thiago de Melo e Chico Canindé, no Sustentar em Campinas SP. dia 31.05.08
CHICO CANINDÉ/PA

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JUNTOS POETÍZENDO

Nessa linha, é preciso
Os brasileiros dar mãos,
Ombro a ombro seguir
Ignorando as imposições

No combate as hipocrisias
Impostas por carrancudo
Amante dos imperialistas
Influentes, na nação

Em rajadas de poesias
Os ativos brasileiros
Poetas e poetisas
Podem metralhar sem medo

Os imbecis, trapalhões
Que insistem em manter regras,
Mantendo os brasileiros
Andando na contra mão

Todos podem ser derrotados
Em rajadas de poesias
Por poetisa e poeta
Opositores do grande capital

Coisa imposta, por estranhos
Dominantes carrasco
Que querem manter
Os brasileiros de mãos abanando

Míope na escuridão
Batendo continência
Para os inimigos
Que abusam na nação

Poetas, na piesia
Podem despertar a sociedade:
A se engajar na luta
Contra o bando de ladrões

Que querem eternizar
A maior Parte dos brasileiros
Seguindo a risca
De inimigos; aliados a estrangeiros

Usurpadores bandoleiros
Aliados, as altas elites
Insistem em querer manter;
O povo explorado na miopia

José Ernesto Dias
São Luís, 17 de agosto de 2024

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AUTORIA ANÔNIMA
Colaboração: Mary Lãndia - MA

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@AROSESG
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@ClauRibasPermitase

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VOZES

Muitas vozes me tocaram
Ao longo da minha vida.
Prestes, Darcy Ribeiro e Brizola, desde muito cedo,
Me fizeram enxergar a política como um caminho 
Para a realização do bem comum.
Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius, todos eles tornando o amor possível dentro de mim.
Gonzaguinha, com sua coragem revolucionária, ensinou-me a rebeldia e o pensamento para criticar.
Glauber Braga, Sâmia Bonfim e Érika fizeram renascer em mim a esperança num país melhor.
Laterça, Lucia, Omar e Valdilene firmaram em mim 
A certeza de que a Medicina é uma profissão de amor ao próximo. 
Pedro Rosa, Cleodete, Vânia, Verônica, Abadia, Dilma, Janaína, Leise, Wagner, Jane Mary e Lygia, companheiros de luta, me ajudaram a compreender a importância de se posicionar na defesa dos nossos direitos. 
Jesus Cristo, Madre Tersa de Calcutá, Irmã Dulce e Chico Xavier construíram em mim toda a minha espiritualidade e o entendimento do verdadeiro sentido da fraternidade, solidariedade e compaixão. 
Martin Luther King Jr e Padre Júlio Lancelotti fizeram brotar em mim o respeito à diversidade, e a compreensão da desigualdade e da fome como construções humanas que precisam ser combatidas e superadas.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldinho Azevedo e Dominguinhos estimularam em mim o gosto pela música.
Fagner, Belchior e Djavan me aproximaram do violão.
Bethânia, Gal, Elis, Elizete e Ângela Maria me levaram a cantar.
Roberto Carlos, com o romantismo das suas canções, fez dos meus momentos de fossa uma possibilidade de alívio no meu coração. 
Paulo Freire, Gilvan e Marilena Chauí influenciaram as minhas leituras.
Gandhi, Mandela, Leonardo Boff e Frei Betto me mostraram o valor da liberdade. 
Chico Mendes me apresentou a floresta e plantou em mim o cuidado com as coisas da natureza. 
José Roberto me levou a gostar de vôlei e Zagalo me levou a gostar de futebol. 
John Lennon e Elvis Presley ajudaram a embalar os meus sonhos de menino.
Jô Soares, Chico Anísio e Golias me fizeram rir muitas vezes.
Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc semearam em mim emoções. 
Martinho da Vila, Cartola, Jorge Aragão e Paulinho da Viola puseram o samba na minha alma. 
Aílton Krenak e Edson Kaipó  cristalizaram em mim a cultura indígena.
Milton Santos, Ângela Davis e Lélia González ajudaram a  enriquecer o meu conhecimento. 
Chomsky, Mujica, Bauman, Habermas, Fidel e Che Guevara ajudaram a desenvolver em mim o amor pela humanidade. 
Rita Lee, Erasmo Carlos e Lulu Santos trouxeram o rock para a minha vida.
Carlinhos Brown chamou a minha atenção para os tambores da Bahia.
Dercy Gonçalves revelou para mim que a irreverência tem o seu lugar na história. 
Rogéria e Roberta Close me ensinaram a respeitar, estudar e aprender sobre as questões de gênero. 
Sílvio de Almeida e Luís Gama me ensinaram a combater o racismo e me interessar pela história da escravidão. 
Eduardo Moreira, Maria Lúcia Fatorelli e Piketi me ajudaram a gostar e a compreender melhor a economia. 
Meus filhos Rodrigo, Mariana e Lucas me ensinam alguma coisa todos os dias. 
Minha mãe e meu avô Manoel me ensinaram honestidade, empatia, dignidade, responsabilidade e gratidão. 
Muitas outras vozes eu poderia citar aqui, e todas elas ajudaram a construir quem eu sou hoje. 
Neste momento, novas vozes têm surgido: Alexandra, Heloísa, Wânia, Elias, Rogério, Manoel e Juliana.
São vozes que ficam porque deixam marcas.
São vozes amigas, vozes de saudades.

Wladimir Tadeu Baptista Soares 
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino 
wladuff.huap@gmail.com 
17/08/2024

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DEDÉ MONTEIRO

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ATAQUE DE ABELHAS
Nesta data, 17/08/2024, um enxame de abelhas fez Bolsonaro fugir às pressas do Rio Grande do Norte.
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JOSÉ ESTANISLAU FILHO/MG

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PAULO LEMINSKI -PR

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Dos Nossos Males


A nós nos bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

Mário Quintana/RS


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Com o Russo Em Berlim

Carlos Drummond de Andrade

Esperei (tanta espera), mas agora,
nem cansaço nem dor. Estou tranquilo.
Um dia chegarei, ponta de lança,
com o russo em Berlim.

O tempo que esperei não foi em vão.
Na rua, no telhado. Espera em casa.
No curral; na oficina: um dia entrar
com o russo em Berlim.

Minha boca fechada se crispava.
Ai tempo de ódio e mãos descompassadas.
Como lutar, sem armas, penetrando
com o russo em Berlim?

Só palavras a dar, só pensamentos
ou nem isso: calados num café,
graves, lendo o jornal. Oh, tão melhor
com o russo em Berlim.

Pois também a palavra era proibida.
As bocas não diziam. Só os olhos
no retrato, no mapa. Só os olhos
com o russo em Berlim.

Eu esperei com esperança fria,
calei meu sentimento e êle ressurge
pisado de cavalos e de rádios
com o russo em Berlim.

Eu esperei na China e em todo canto,
em Paris, em Tobruc e nas Ardenas
para chegar, de um ponto em Stalingrado,
com o russo em Berlim.

Cidades que perdi, horas queimando
na pele e na visão: meus homens mortos,
colheita devastada, que ressurge
com o russo em Berlim.

O campo, o campo, sobretudo o campo
espalhado no mundo: prisioneiros
entre cordas e moscas; desfazendo-se
com o russo em Berlim.

Nas camadas marítimas, os peixes
me devorando; e a carga se perdendo,
a carga mais preciosa: para entrar
com o russo em Berlim.

Essa batalha no ar, que me traspassa
(mas estou no cinema, e tão pequeno
e volto triste à casa: por que não
com o russo em Berlim?)

Muitos de mim saíram pelo mar.
Em mim o que é melhor está lutando.
Possa também chegar, recompensado,
com o russo em Berlim.

Mas que não pare aí. Não chega o termo.
Um vento varre o mundo, varre a vida.
Este vento que passa, irretratável,
com o russo em Berlim.

Olha a esperança à frente dos exércitos,
olha a certeza. Nunca assim tão forte.
Nós que tanto esperamos, nós a temos
com o russo em Berlim.

Uma cidade existe poderosa
a conquistar. E não cairá tão cedo.
Colar de chamas forma-se a enlaçá-la,
com o russo em Berlim.

Uma cidade atroz, ventre metálico,
pernas de escravos, boca de negócio,
ajuntamento estúpido, já treme
com o russo em Berlim.
Essa cidade oculta em mil cidades,
trabalhadores do mundo, reuni-vos
para esmagá-la, vós que penetrais
COM O RUSSO EM BERLIM.

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Poema: Venezuela.


No es un cuento ni una historia, es la realidad que vivimos ahora, que a mi pueblo le han dado hasta con la olla, pero se mantiene como el guerrero de Troya, demostrando la lealtad con honra, porque sabemos la verdad del imperialismo así la escondan, ya no nos asustan ni la sombra, nos da pena ajena mirar su historia, siempre disfrazado de una buena paloma, quedando al desnudo y sin honra, porque el pueblo en el mundo está despertando para seguir recorriendo el camino para lograr la victoria, demostrando la verdad aunque nos las escondan, porque el ser humano es el enfoque principal para lograr continuar el camino de Simón Bolívar, que han despertado por el fascismo del capitalismo con su guión ciego y sin memoria, porque ya tienen contados los años como las horas, porqué Venezuela a mantenido en alto su bandera, para que la mire el mundo entero que es el socialismo que logrará la victoria, demostrando al ser humano que es sentimiento con honra, por que es el amor de Díos el principio de historia.


Autor: Claudio Oropeza/VE

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PARA OS TEMPOS DE PAZ

"_Quando conquistamos a paz_
_Vou escrever coisas lindas,_
_Por agora_
_Sua desgraça me domina,_
_Camponêsa_
_Você me domina mansamente_
_Com a magreza faminta_
_Da sua carne maltratada”_"

(Autoria desconhecida)

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Obscurantismo.....

Tragédias anunciadas
Criminosas queimadas
Contra o povo, as ciladas
Às flores não vão murchar
O fascismo não passará
Viva à resistência popular.....

César Gomes.RJ

20

CONTINUA
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