SÃO GONÇALO ONTEM E HOJE: ENSAIOS PARA O FUTURO
FUNDAÇAO CLAUDINO JOSE DA SILVA
O resgate da memória e da história dos oprimidos em sua luta por libertação.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
terça-feira, 14 de abril de 2026
O MANIFESTO DO PARTIDO TROPICALISTA * ROCKONTRO
O MANIFESTO DO PARTIDO TROPICALISTA
Era o ano de 1967.
Um fantasma ronda a MPB – o fantasma do Tropicalismo!
Todos os baluartes da “verdadeira” música brasileira unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o cardeal e o presidente, Elis Regina e Jair Rodrigues, os estudantes da USP e da PUC e os policiais da Guanabara.
Que músico de vanguarda não foi acusado de traidor da pátria por seus “adversários” da MPB?
Que músico da “verdadeira” MPB, por sua vez, não lançou aos seus “adversários” da Jovem Guarda ou da chamada música cafona a alcunha infamante de tropicalista?
Duas conclusões decorrem desses fatos:
1ª. O Tropicalismo já é reconhecido como força por todas as pessoas ligadas à música no Brasil.
2ª. É tempo de os tropicalistas exporem, à face do Brasil inteiro, o seu modo de ver, os seus fins e as suas tendências, opondo um manifesto do próprio movimento à lenda do fantasma.
Com este fim, reuniram-se, em São Paulo e no Rio, tropicalistas de várias origens e redigiram o manifesto seguinte, que será publicado em português, tupi-guarani, nagô, espanhol e inglês.
MAIS
***
segunda-feira, 13 de abril de 2026
MANIFESTO ANTROPÓFAGO * Oswald de Andrade/SP
MANIFESTO ANTROPÓFAGO
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualis mos, de todos os collectivismo. De todas as religiões. De todos os trata dos de paz.
Tupy, or not tupy that is the question.
Contra toda as cathecheses. contra a mãe dos Gracchos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os ma ridos catholicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psychologia im pressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o inundo interior e o mundo exterior. A reacção contra o homem
vestido. O cinema
americano informa
rá.
Filhos do sol ,
mãe dos viventes.
Encontrados e ama
dos ferozmente, com
toda a hypocrisia
da saudade, pelos im
migrados, pelos tra
ficados e pelos tou
ristes. No paiz da
cobra grande.
Foi porque nun
ca tivemos gram
pobre declaração dos direitos do homem.
A edade de ouro annunciada pela America. A edade de ouro. E todas as girls.
Filiação. O contacto com o Brasil Carahiba. Oú Villeganhon print ter re. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, á Revolução Bol chevista, á Revolução surrealista e ao bárbaro technizado de Keyserl ing. Caminhamos.
Nunca fomos cathechisados. Vive mos atravez de um direito sonam bulo. Fizemos Christo nascer na Ba hia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admittimos o nasci mento da lógica entre nós.
Só podemos attender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança A sciencia codificação da Magia. Antropofagia. A transfor mação permanente do Tabu em to tem.
Contra o mundo reversivel e as idéas objectivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dyna mico. O indivíduo victima do syste ma. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o es quecimento das conquistas interio res.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Ro teiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instincto Carahiba.
Morte e vida das hypothe
ses. Da equação eu parte do Kosmos ao axioma Kosmos parte do eu. Subsistência. Co nhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetaes. Em communicação com o solo.
Nunca fomos cathechisados. Fizemos foi Carnaval. O indio vestido de senador do Império. Fingindo .de Pitt. Ou figuran
do nas operas de Alencar cheio de bons sentimentos portugue zes.
Já tínhamos o
communismo. J á tí
nhamos a língua
surrealista. A eda
de de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
maticas, nem col lecções de velhos
Desenho de Tarcilu 1928 De um quadre que figurará na sua próxima exposição de Junho na galeria Pcrcier, em Paris.
Notiá Imara Ipejú
vegetaes. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mappa mundi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rythmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida, E a mentalidade prelogica para o Sr. Levy Bruhl estudar.
Queremos a revolução Carahiba. Maior que a revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas ef ficazes na direcçâo do homem. Sem nós a Europa não teria siquer a sua
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar commissão. O rei analpha beto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o em préstimo. Gravou-se o assucar bra sileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia,
O espirito recusa-se a conceber o espirito sem corpo. O antropomor fismo. Necessidade da vaccina an tropofagica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as in quisições exteriores.
A magia e a vida. Tínhamos a re lação e a distribuição dos bens phy sicos, dos bens moraes, dos bens di gnados. E sabiamos transpor o ínys terio e a morte com o auxilio de al gumas formas grammaticaes.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Elle me respondeu que era a garantia do exercício da pos sibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o
Só não ha determinismo - onde ha mistério. Mas que temos nós com isso?
Continua na Pagina 7
Revista de Antropofagia
Manifesto Antropófago Contra as historias do homem, que
BRASILIANA
RAÇA
De uma correspondência de Sarutayá
começam no Cabo Finisterra. 0 mun do não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catalagos e apparelhos de televi são. Só a maquinaria. £ os transfu sores de sangue.
Contra as sublimações antagôni cas. Trazidas nas caravellas.
Contra a verdade dos povos mis sk narios, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cayrú: — É a mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vie ram. Foram fugitivos de uma civi lização qúe estamos comendo, por que somos fortes e vingativos como
o Jaboty.
Se Deus é a consciência do Uni verso Increado, Guaracy é a mãe dos viventes. Jacy é a mãe dos ve getaes.
Não tivemos especulação. Mas tí nhamos- adivinhação. Tínhamos Po lítica que é a sciencia da distribui ção. E um" systema social planetá rio.
As migrações. A fuga dos esta dos tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios, e o tédio especulativo.
De William James a Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a creação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas-f falta de imaginação-r-sen-* timento de authoridade ante a pro
curiosa.
E' preciso partir de um profundo atheismo para se chegar a idéa de Deus. Mas o carahiba não precisava. Porque tinha Guaracy.
O objectivo creado reage como os Anjos da Queda. Depois Moysés di vaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portuguezes descobri rem o Brasil, o Brasil tinha desco berto a felicidade.
Contra o indio de tocheiro. O ín dio filho de Maria, afilhado de Ca tharina de Medicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove. No matriarcado de Pindorama.
Contra a Memória .fonte do costu me. A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas. As idéas to mam conta, reagem, queimam gente nas praças publicas. Suprimamos as idéas e as outras paralysias. Pelos roteiros. Acreditar nos signaes, acre ditar nos instrumentos e nas estrei tas.
Contra Goethe, a mãe dos Grac chos, e a Corte de D. João VIo.
A alegria é a prova dos nove.
A lucta entre o que se chamaria Increado e a Creatura-illustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor quotidiano e o modus-vivendi capitalista. Antro
pofagia. Absorpção do inimigo sa cro. Para transformal-o em totem. A humana aventura. A terrena fina
lidade. Porém, só as puras elites conseguiram realísar. a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os ma
les identificados por Freud, males cathechistas. O que se dá não é uma sublimação do instincto sexual. E' a escala thermometrica do instincto antropofagico. De carnal, elle se tor
na electivo e cria a amizade. Affe ctivo, o amor. Especulativo, a scien cia. Desvia-se e transfere-se. Che gamos ao aviltamento. A baixa an tropofagia agglomerada nos pecca dos de cathecismo — a inveja, a
usura, a calumnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e christianisados, é contra ella que es tamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céo, na terra de Ira cema — o patriarcha João Ramalho fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase typica de D. João VI.0: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que al
gum aventureiro o faça! Expulsa mos a dynastia. E' preciso expulsar o espirito bragantino, as ordenações e o rap.é de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e oppressora, cadastrada por Freud — a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem pe
nitenciárias do matriarcado de Pin dorama.
OSWALD DE ANDRADE.
Em Piratininga.
Anno 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.
(Est. de S. Paulo) para o Cottelo Paulis tano, n. de 15-1-927: O Sr. Abrahão José Pedro offereceu aos seus amigos um lauto jantar com memorando o anniversario de seu filhí nho José e baptizado do pequeno Fuad, que nessa data foi levado á pia baptismal. Foram padrinhos o sr. Rachide Mustafa
e sua esposa d. lorgina Mustafa. O Sr. Paschoalino Verdi proferiu um discurso de saudação.
POLÍTICA
Da viesma correspondência:
O Sr. Rachid Abdalla Mustafa, escrivão de paz, muito tem trabalhado para au gmentar o numero- de eleitores. DEMOCRACIA
Telegrama de Fortaleza (AB): A bordo do "Itassussê" passou por este porto com destino ao norte, S. A. D. Pedro de Orleans e Bragança, acom panhado de sua esposa é filho. S. A. desembarcou, visitando na Praça Caio Prado a estatua.de Pedro II. 0 povo acclamou com enthusiasmo o príncipe. A off.cialidade do 23.° B. C. e á banda de musica cercada de enorme multidão, aguardou a chegada de S. A. naquella praça.
Compacta mana, acompanhou os dis tinetos viajantes até a praça do Ferreira, onde o tribuno Quintino Cunha fez uma enthusiastica saudação em nome da po pulação.
Na volta para bordo, um preto catraeiro, de nome Vicente Fonseca, destacando-se da multidão abraçou o príncipe dizendo:' "Fique sabendo que as opiniões muda ram mas os corações são os mesmos".
RELIGIÃO
Telegramma de Porto Alegre para a Gazeta de S. Paulo n. de 22-3-927: Vindo de S. Paulo chegou a esta ca pital o sr. Sebastião da Silva, que fez o raide daquelle (Estado ao nosso, a pé, tendo partido dalli em outubro.
O "raidman" tomou essa resolução em virtude de uma promessa feita a Virgem Maria, para que terminasse a revolução no Brasil. Quando se achava próximo a esta Capital, teve conhecim»iito do ter mino da lucta, proseguindo até aqui,- alim de cumprir a sua promessa.
Sebastião Antônio da Silva conta actualmente 35 annos de edade. NECROLÓGIO
De um discurso do professor João Ma rinho na Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro (Estado de S. Paulo, n. de 3-8-921):
O dr. Daniel de Oliveira Barros e Al meida nasceu num dia e morreu em outro, de doença de quem trabalha, coração can çado antes de tempo. Entre os dois, correu-lhe a vida. SURPRESA
Telegramma de Curityba para a Folha da Noite de S. Pauio, n. de 2-11-927: Informam de Imbituba que o indivíduo Juvenal Manuel do Nascimento, ex-agen te do correio, reuniu em sua casa todos os amigos e parentes sob o pret:xto de fazer uma festa. Durante o almoço, Ju venal mostrou-se alegre e,-ao terminar a festa foi ao seu quarto, do qual trouxe um embrulho contendo uma dynamite, di zendo que ia proporcionar a todos uma surpresa. Todos estavam attentos e esperando a surpresa q-uando, com espanto geral, o dono da casa approximou um cigarro acceso do embrulho que explbdiu, ma tando Juvenal e ferindo gravcnuiite sua esposa e todas as pessoas que haviam assistido ao convite fatal.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Entre a Palavra e a História: o Compromisso Social de Dalva Silveira * Cristina Vieira/Rettreinamento
Entre a Palavra e a História: o Compromisso Social de Dalva Silveira
Cristina Vieira
Dalva Silveira (DS), a entrevistada do mês, registra em seu percurso atuações em diferentes campos artísticos, culturais e científicos, como o teatro, a poesia, a pesquisa e a educação. Se, por um lado, ela encontrou no teatro e na poesia formas de expressão, foi na escrita e no ensino que ela consolidou sua missão: questionar paradigmas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e consciente.
Dalva impressiona não apenas pela densidade de sua sensibilidade, mas, sobretudo, pela firmeza de seu compromisso social e pelo profundo respeito à palavra. Seu trabalho reflete posicionamento, consciência histórica e responsabilidade cultural.
Não surpreende que, ainda jovem, tenha identificado o caminho profissional que lhe traria realização. O contato precoce com a música de protesto influenciou sua escolha pela Graduação em História. Posteriormente, o mestrado e o doutorado em Ciências Sociais conduziram-na a pesquisas sobre o período da ditadura militar brasileira, com ênfase na música dos anos 60 e na imprensa alternativa da década de 1970.
Autora de Geraldo Vandré: A Vida Não se Resume a Festivais e De Realidade a Caros Amigos – a Turma do Ex – Imprensa Alternativa e Seu Legado, Dalva também cultiva a poesia desde criança. Os versos que habitaram a menina jamais abandonaram a mulher, que escreve por convicção, ideal e paixão.
Dalva Silveira (DS), a entrevistada do mês, registra em seu percurso atuações em diferentes campos artísticos, culturais e científicos, como o teatro, a poesia, a pesquisa e a educação. Se, por um lado, ela encontrou no teatro e na poesia formas de expressão, foi na escrita e no ensino que ela consolidou sua missão: questionar paradigmas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e consciente.
Dalva impressiona não apenas pela densidade de sua sensibilidade, mas, sobretudo, pela firmeza de seu compromisso social e pelo profundo respeito à palavra. Seu trabalho reflete posicionamento, consciência histórica e responsabilidade cultural.
Não surpreende que, ainda jovem, tenha identificado o caminho profissional que lhe traria realização. O contato precoce com a música de protesto influenciou sua escolha pela Graduação em História. Posteriormente, o mestrado e o doutorado em Ciências Sociais conduziram-na a pesquisas sobre o período da ditadura militar brasileira, com ênfase na música dos anos 60 e na imprensa alternativa da década de 1970.
Autora de Geraldo Vandré: A Vida Não se Resume a Festivais e De Realidade a Caros Amigos – a Turma do Ex – Imprensa Alternativa e Seu Legado, Dalva também cultiva a poesia desde criança. Os versos que habitaram a menina jamais abandonaram a mulher, que escreve por convicção, ideal e paixão.
quarta-feira, 25 de março de 2026
Prêmio Literário José Saramago abre inscrições para edição 2026 com prêmio de € 40 mil * Fundação José Saramago
Prêmio Literário José Saramago abre inscrições para edição 2026 com prêmio de € 40 mil
Estão abertas até o dia 15 de maio de 2026 as inscrições para a 14ª edição do Prémio Literário José Saramago, iniciativa voltada à descoberta e valorização de novos escritores da língua portuguesa. O concurso é organizado pela Fundação Círculo de Leitores, em articulação com a Fundação José Saramago.
A premiação, considerada uma das mais relevantes distinções literárias da lusofonia, selecionará em 2026 uma obra inédita de ficção escrita por autores com até 40 anos de idade, provenientes de países lusófonos.
Incentivo à nova literatura em língua portuguesa
Segundo os organizadores, o objetivo do prêmio é revelar novas vozes literárias e fortalecer a circulação da literatura contemporânea entre os países que compartilham o idioma português. O autor vencedor terá a obra publicada simultaneamente em Portugal e no Brasil — pelo Grupo Porto Editora e pelo Grupo Editorial Record — além de distribuição em toda a comunidade lusófona.
O prêmio principal é de € 40 mil, e o resultado será anunciado no último trimestre de 2026.
Quem pode participar
Podem concorrer escritores dos países de língua portuguesa que atendam aos seguintes critérios:
Ter até 40 anos na data estipulada pelo regulamento;
Apresentar obra inédita de ficção, nos formatos romance ou novela;
O texto deve possuir mínimo de 200 mil caracteres com espaços;
O tema é livre.
Não há cobrança de taxa de inscrição nem custos mínimos para participação.
Inscrições e regulamento
Os interessados devem consultar o edital completo e seguir as orientações disponíveis no regulamento oficial do prêmio, acessível pelo site:
A organização recomenda que os candidatos guardem uma cópia do edital para eventuais consultas durante o processo seletivo.
A divulgação do resultado e atualizações do concurso também serão publicadas no perfil oficial do prêmio no Instagram:
Tradição literária
Criado para homenagear o escritor português José Saramago, Nobel de Literatura de 1998, o prêmio tornou-se uma plataforma importante para o surgimento de novos autores no cenário literário internacional, consolidando-se como referência entre os concursos dedicados à literatura em língua portuguesa.
domingo, 25 de janeiro de 2026
CAVALOS, FAMÍLIA E OUTROS POEMAS * Emerson Ahut Watò/PE
CAVALOS, FAMÍLIA E OUTROS POEMAS
Editora Viseu
Dia - 05 de Fevereiro de 2026
Horas - A partir das 18:00
Local: Coletivoraiz -
Rua da Moeda, 71
Recife Antigo
Preço do livro: R$ 63,00
Cavalos, família e outros poemas é um livro em que a predominância dos sonetos não impede a incursão do autor em diferentes línguas e estilos, na (re)invenção de palavras. Este livro está dividido em diferentes partes. Em Chevaux, 25 sonetos celebram o cavalo desde seu mais longínquo ancestral à sua presença como referência na obra de grandes criadores em diferentes campos da arte e do pensamento e revelam um infinito amor pela língua francesa. As marcas perenes da infância, seus encantos e conflitos comparecem em Família. Em Scherzi, a poesia se diverte em brincadeiras. O autor assume por vezes um eu poético que em quase nada reflete aquele, mais verdadeiro, de seus poemas de maior densidade. Em Micros, o poeta experimenta gotas poéticas. Em Sonetos de Amor e Guerra, o autor dialoga com a tradição, como no poema Com o Russo Outra Vez, numa clara referência ao poema "Com o Russo em Berlim", de Carlos Drummond de Andrade. Em D’ailleurs, o poeta se aventura em outras línguas. Em Imbattiato, o poeta revela nutrir-se da eclética obra do artista siciliano Franco Battiato. Finalmente, em Outros Poemas, o poeta coleciona diversos momentos de sua mais recente produção.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
GERADORES DA MISÉRIA NO BRASIL! * José Ernesto Dias /São Luís/MA
GERADORES DA MISÉRIA NO BRASIL!
A desigualdade social:
Instalada no Brasil;
É a causa principal;
Da crescente violência
Aonde as altas classes:
Dominantes na nação;
Influentes no planalto;
Geram a grave situação.
Em comum acordo decidem;
O miseri aumento mínimo;
Mantém os salários;
Como sempre baixo;
Mantém a maior parte:
Do povo no desemprego;
Outros na informalidade.
Na batalha sem sossego;
Com renda abaixo do básico:
Para se manter vivo;
Muitos, na miserabilidade,
Destinado a sofrer;
Aonde a grande maioria;
Da sociedade brasileira;
Na nação sem moradia;
Muitos no desassossego;
Perambulam pelas ruas;
De barriga vazia;
Muitos quase nuas;
Sem roupas para se vestir;
No Brasil gigante:
Com tanta riqueza;
Em mãos das elites;
Na ganância soberba;
No Brasil; fazem questão:
De manter a maioria;
Do povo na nação;
Mendigando na pobreza.
Aí é; aonde muitos:
Miseráveis; sem ter o que comer,
Em grupos se juntam;
Para requisições surpresa;
Saqueando alimentos;
Em comércio pela cidade;
Para pegar o mínimo;
Para se alimentar.
É quando de repente chega;
Viaturas com policiais;
Com toda a violência;
Batendo nos miseráveis.
Enquanto figurões:
Ditos gente do bem;
Das boas famílias;
Raptam milhões;
De verbas que deveriam;
Ser destinada na nação;
Para investir no social;
Vai para o bolso dos figurões
A verba é rateado;
Entre os gravatões do bem:
Gerando desigualdade;
Dizem; que está tudo bem.
São essas as famílias:
Dos intitulados do bem;
Que geram a terrível;
Miséria predominante;
Crônica no Brasil:
Os grandes responsáveis;
Desse quadro terrível;
Têm que ser questionados
Todos na justiça:
Sendo interrogados;
Sem brechas para se sair;
Dos crimes praticados;
Onde levou tanta gente:
No território brasileiro;
A viver no sofrimento;
Atingido na pobreza;
Nesse Brasil tão rico;
Em recursos naturais;
Com tanta gente no país;
Na terrível mizerabilidade
José Ernesto Dias
São Luís, MA - 23 de janeiro de 2025
Obs.: Respeitamos os recursos linguísticos do Autor.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Dona Militana – A Romanceira dos Oiteiros * Hermes Leal / RN
DONA MILITANA
Este documentário propõe ser um instrumento de resgate e preservação da cultura brasileira através da vida e voz de Dona Militana, considerada a principal e última guardiã do romanceiro medieval nordestino. Uma preciosidade da cultura imaterial que está resguardado neste filme, que participou de cerca de 20 festivais de cinema e recebeu o prêmio de melhor documentário no FestCine Amazônia 2010.
HERMES LEAL - HLFILMES BR
domingo, 7 de dezembro de 2025
MANIFESTO DA OVELHA VERMELHA * ANTONIO CABRAL FILHO.RJ
MANIFESTO DA OVELHA VERMELHA
fora a ovelha branca,
branquinha feito algodão,
como se fosse marca padrão.
Vamos matar as neuroses calcadas nos animais!
Eu quero a ovelha vermelha,
é hora da ovelha vermelha.
Aquela que chama o rebanho pra porrar o predador.
Chega de viver assombrado,
temendo o lobo e o pastor,
sentindo-se um petisco!
Isso não é vida! Viva a ovelha vermelha!
ANTONIO CABRAL FILHO.RJ
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
Viriato Gaspar: Uma nova viagem * LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ/MA
Viriato Gaspar: Uma nova viagem
verdadeiras não envelhecem.
Elas resistem ao tempo, às distâncias, às transformações
POR LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ
Hoje parti sem sair. O mundo lá fora é apenas reflexo do que não compreendo em mim. O silêncio me chamou pelo nome que nunca usei. Respondi com um verso.
Rezei ao nada. Não por falta de crença, mas por excesso de lucidez. O salmo que escrevi não louvava — ele chorava.
Meu corpo é cais. Mas a alma, embarcação sem vela. O vento que me move vem de dentro, e às vezes sopra contra.
Se o infinito maior é o homem, sou apenas um fragmento flutuante na margem do mistério. Mas sigo navegando. Porque há mares que só existem quando alguém ousa atravessá-los.
Cartografia do Silêncio
Navego em mim. Não há bússola. Só o eco de um nome que esqueci.
O coração — esse astrolábio partido — mede distâncias entre o que fui e o que ainda não sou. Há um deserto onde antes havia fé. E nele, um oásis de dúvida floresce.
Meus olhos não veem, mas pressentem. O invisível é o que mais pesa.
Sou feito de perguntas. De gravetos e ausências. De um salmo que não louva, mas espera.
E se o infinito maior é o homem, sou apenas um ponto flutuante na margem do mistério.
Viriato Gaspar foi um poeta e jornalista brasileiro nascido em São Luís, Maranhão, em 1952 e falecido em Brasília em 18 de setembro de 2025, aos 73 anos de idade.. Sua obra poética é marcada por uma profunda reflexão existencial e espiritual, explorando temas como fé, vazio, transcendência e a condição humana. Um dos seus textos mais emblemáticos é Salmo Zero, uma espécie de antissalmo que questiona, em vez de louvar, e mergulha no silêncio e na dúvida como formas de oração.
Entre seus livros de poesia estão: Manhã Portátil (1984); Onipresença (1986, versão incompleta; versão definitiva em
andamento); A Lâmina do Grito (1988); Sáfara Safra (1996); Fragmuitos de Mim (antologia em preparação)
Sua escrita é lírica, filosófica e muitas vezes marcada por uma linguagem inventiva e provocadora. Ele evoca figuras históricas
e políticas como Honestino Guimarães e Stuart Angel, misturando memória, crítica e espiritualidade.
Trajetória; Jornalista profissional desde 1970. Servidor público aposentado do Superior Tribunal de Justiça. Vencedor de diversos prêmios literários no Maranhão e em Brasília. Participou de mais de uma dezena de antologias poéticas
Viriato Gaspar foi um dos fundadores do movimento literário Antroponáutica, surgido no início da década de 1970 em São Luís, Maranhão2.
Movimento Antroponáutica - Origem: Criado
por jovens poetas maranhenses — Viriato Gaspar, Raimundo Fontenele, Chagas Val, Valdelino Cécio e Luís Augusto Cassas. Ano de início: Por volta de 1971, com encontros no bar "Canto da Viração", no centro de São Luís. Objetivo: Renovar
a poesia maranhense, rompendo com as escolas literárias do século XIX. Influências: Homenagem ao poeta Bandeira Tribuzzi (autor do poema "Antroponáutica") e admiração por nomes como Nauro Machado e José Chagas. Reconhecimento: Publicaram no Jornal do Dia e Jornal do Maranhão, lançaram a Antologia Poética do Movimento Antroponáutica e participaram da Antologia Hora do Guarnicê.
Esse movimento foi uma verdadeira ruptura estética e ideológica, trazendo ousadia poética em meio ao regime militar. Viriato Gaspar, com sua escrita intensa e filosófica, foi uma das vozes mais marcantes desse grupo.
O termo "antroponáutica" — criado por Tribuzzi
— sugere uma "navegação pelo homem", uma jornada interior e poética pela condição humana. Foi essa imagem que uniu jovens poetas como Viriato Gaspar, Raimundo Fontenele e outros em busca de uma nova estética literária no Maranhão.
Etimologia e sentido - "Antropo" vem do grego ánthrōpos, que significa homem ou ser humano. "Náutica" vem de nautikós, que se refere à navegação. Portanto, antroponáutica pode ser entendido como a navegação pelo interior do ser humano — uma jornada existencial, espiritual e poética através da condição humana.
No poema Antroponáutica, Tribuzzi encerra com o verso: "O infinito maior é o próprio homem." Esse verso resume a ideia central: o ser humano é um universo em si, capaz de explorar sua própria alma, seus limites, seus abismos e transcendências. A antroponáutica é essa viagem
— não pelas estrelas, mas pelo íntimo.
A ideia de antroponáutica — a viagem poética e filosófica pelo interior do ser humano — aparece de forma marcante nos poemas de
Viriato Gaspar, especialmente em sua linguagem introspectiva, existencial e muitas vezes espiritual. Ele não apenas escreve sobre o mundo, mas mergulha no "eu" como território de descoberta e inquietação.
Aqui estão alguns exemplos de como essa ideia se manifesta:
Exploração do eu como universo - "Secar por dentro o coração nos medos. Podar os brilhos. Largar as aparências. E o que sobrar no fim é a tua essência." — (Poema: Andando ao léu, com Rumi, pela tarde). Esse trecho é uma verdadeira antroponáutica: um despojamento das máscaras sociais para alcançar a essência do ser.
Viagem sem mapa, sem destino - "Iremos ao luar. Sem pressa alguma. Sem nenhuma intenção ou rumo certo. Nenhum mapa ou farol, nenhum roteiro." — (Poema: O Estrangeiro Soturno).
Aqui, a jornada é interior e simbólica — não há direção externa, apenas o movimento da alma.
Busca por sentido e transcendência - "Não há respostas prontas. Só perguntas. De gravetos e folhas já defuntas." — (Poema XI). A antroponáutica é também a recusa das certezas fáceis. Gaspar prefere o mistério, o questionamento, o silêncio que interroga.
Epifania e revelação - "Epifania de encharcar os dedos no que ninguém ousou nem viu
por onde. Essência. Caber esse orifácil tão difícil." — (Poema: A Ilha). Esse trecho é puro alumbramento: a revelação do invisível, o toque no indizível — uma viagem ao núcleo do humano.
Retrato do poeta como antroponauta - "Quase cego de ver por dentro o fora, meio surdo de ouvir inaudizíveis, de perscrutar silêncios e palavras." — (Poema: Retrato do Poeta Quando Velho). Gaspar se define como alguém que vê o mundo "por dentro", que ouve o que não se diz
— um verdadeiro navegante da alma. Esses versos mostram como Viriato Gaspar encarna a antroponáutica não apenas como
estética, mas como postura existencial. Ele é um poeta que navega o humano com coragem, delicadeza e profundidade.
A influência do movimento Antroponáutica e de poetas como Viriato Gaspar se estendeu para gerações posteriores da poesia maranhense e brasileira, especialmente entre autores que buscam uma escrita introspectiva, filosófica e crítica.
Embora não haja uma lista oficial de "discípulos" do movimento, podemos identificar ecos antroponautas em poetas que vieram depois e que dialogam com essa estética:
Poetas influenciados ou afinados com a Antroponáutica
Luís Augusto Cassas - Embora seja um dos fundadores do movimento, sua obra posterior manteve o espírito antroponauta, influenciando jovens poetas com sua linguagem experimental e crítica social.
Raimundo Fontenele - Também fundador, mas sua produção recente continua inspirando poetas contemporâneos com temas como solidão, transcendência e resistência.
Poetas da Antologia Hora do Guarnicê
- Essa coletânea reuniu os antroponautas com novos nomes da literatura maranhense, criando um elo entre gerações. Muitos desses jovens poetas absorveram a estética do movimento, como: Mário Luna, Valdelino Cécio, Chagas Val
Poetas contemporâneos maranhenses
- Embora não diretamente ligados
ao movimento, autores como Celso Borges, Ferreira Gullar (em sua fase tardia) e Zeca Baleiro (em sua poesia
musical) mostram traços de antroponáutica: introspecção, crítica existencial e linguagem inventiva.
Influência estética e temática; Linguagem fragmentada e lírica. Temas como o vazio, o silêncio, a dúvida e o sagrado profano.
Ruptura com formas clássicas e busca de uma poética do ser.
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
ENTREVISTA DALVA SILVEIRA * Pedro Cesar Batista/Letras & Livros
ENTREVISTA DALVA SILVEIRA
PEDRO CESAR BATISTA / LETRAS E LIVROS
ANTOLOGIA VANDRÉ
A VIDA NÃO SE RESUME EM FESTIVAIS
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