quarta-feira, 10 de junho de 2026

34ª FEIRA DO INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA * Idalmis Brooks/DF

34ª FEIRA DO INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA

Em conferência de imprensa, o Instituto Cubano do Livro anunciou que a 34.ª Feira Internacional do Livro de Havana será realizada de 10 a 16 de agosto de 2026, tendo como nova sede principal a Estação Cultural Línea y 18.

A conferência foi presidida por Juan Rodríguez Cabrera, presidente do Instituto Cubano do Livro, e por Víktor Koronelli, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Federação da Rússia em Cuba, que ofereceram detalhes sobre a reorganização do maior evento cultural do país.

Em tempos particularmente complexos para a nossa nação e apesar das ameaças do governo dos Estados Unidos, trabalha-se para oferecer a melhor feira possível, contando com a vontade do movimento de escritores e criadores, bem como com o apoio da direção do país, assegurou Juan Rodríguez, presidente do Instituto Cubano do Livro.

Foi reiterado que a Federação da Rússia será o País Convidado de Honra desta edição, que será dedicada ao centenário do nascimento do nosso Comandante Fidel Castro.

Além disso, serão homenageados Marilyn Bobes, poeta, romancista, crítica literária e editora cubana, distinguida com o Prémio Nacional de Jornalismo Cultural José Antonio Fernández de Castro, e José Bell Lara, Doutor em Ciências Filosóficas, licenciado em Sociologia, mestre em Desenvolvimento Social Caribenho, Professor Titular e Professor Consultor da Universidade de Havana.

PEDRO CESAR BATISTA/DF

terça-feira, 28 de abril de 2026

QUEM DESPREZA LIVRO É NAZISTA * Cadu Simões/SP

QUEM DESPREZA LIVRO É NAZISTA

No dia 24/04/2026, a prefeitura de Osasco, do prefeito Gerson Pessoa (Podemos), jogou no lixo o acervo de livros da Biblioteca
Municipal Monteiro Lobato, que foi fechada em 2020, durante o mandato
do prefeito Rogério Lins (cunhado do atual prefeito), com a promessa
de uma reforma que nunca veio.

A desculpa dada pela prefeitura para o descarte dos livros é que eles
pegaram fungo durante esse período que a biblioteca está fechada. No
entanto, cidadãos que acompanharam os livros serem jogados nas
caçambas disseram que a maioria deles estava em bom estado, sem mofo
ou fungo aparente.

E mesmo os livros que pudessem estar com fungos não necessariamente
precisavam ser descartados, pois podem ser recuperados com o
tratamento adequado. E se esses livros chegaram a essa condição, foi
justamente devido ao descaso tanto de Rogério Lins quanto de seu
sucessor, Gerson Pessoa.

Além do crime contra o patrimônio público, esse descaso com a
biblioteca Monteiro Lobato me machuca particularmente por dois
motivos. O primeiro, doei boa parte da minha coleção de quadrinhos
para essa biblioteca. E esses quadrinho muito provavelmente foram
jogados no lixo com o restante do acervo.

O segundo motivo é que organizei na Biblioteca Monteiro Lobato o
primeiro evento de quadrinho de Osasco, que contou com palestras,
exposições e uma banca de venda de HQs Independentes (que seria o
embrião do que se tornaria a banca do coletivo de quadrinistas Quarto
Mundo, montada em diversos eventos Brasil afora).

Ao lado da biblioteca, no mesmo terreno, fica a Escola Municipal de
Artes de Osasco (o qual ministrei cursos de roteiro de histórias em
quadrinhos). A escola sofre do mesmo descaso que a biblioteca, fruto
de um projeto bolsonarista que domina a política institucional de
Osasco há alguns anos.

*Cadu Simões, quadrinista e cidadão de Osasco.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

terça-feira, 14 de abril de 2026

O MANIFESTO DO PARTIDO TROPICALISTA * ROCKONTRO

O MANIFESTO DO PARTIDO TROPICALISTA


Era o ano de 1967.

Um fantasma ronda a MPB – o fantasma do Tropicalismo!

Todos os baluartes da “verdadeira” música brasileira unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o cardeal e o presidente, Elis Regina e Jair Rodrigues, os estudantes da USP e da PUC e os policiais da Guanabara.

Que músico de vanguarda não foi acusado de traidor da pátria por seus “adversários” da MPB?

Que músico da “verdadeira” MPB, por sua vez, não lançou aos seus “adversários” da Jovem Guarda ou da chamada música cafona a alcunha infamante de tropicalista?

Duas conclusões decorrem desses fatos:

1ª. O Tropicalismo já é reconhecido como força por todas as pessoas ligadas à música no Brasil.

2ª. É tempo de os tropicalistas exporem, à face do Brasil inteiro, o seu modo de ver, os seus fins e as suas tendências, opondo um manifesto do próprio movimento à lenda do fantasma.

Com este fim, reuniram-se, em São Paulo e no Rio, tropicalistas de várias origens e redigiram o manifesto seguinte, que será publicado em português, tupi-guarani, nagô, espanhol e inglês.

MAIS
***

segunda-feira, 13 de abril de 2026

MANIFESTO ANTROPÓFAGO * Oswald de Andrade/SP

MANIFESTO ANTROPÓFAGO
Só a antropofagia nos une. Social mente. Economicamente. Philoso phicamente. 

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualis mos, de todos os collectivismo. De todas as religiões. De todos os trata dos de paz.

Tupy, or not tupy that is the question.

Contra toda as cathecheses. contra a mãe dos Gracchos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os ma ridos catholicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psychologia im pressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o inundo interior e o mundo exterior. A reacção contra o homem

vestido. O cinema

americano informa

rá.

Filhos do sol ,

mãe dos viventes.

Encontrados e ama

dos ferozmente, com

toda a hypocrisia

da saudade, pelos im

migrados, pelos tra

ficados e pelos tou

ristes. No paiz da

cobra grande.

Foi porque nun

ca tivemos gram

pobre declaração dos direitos do homem.

A edade de ouro annunciada pela America. A edade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contacto com o Brasil Carahiba. Oú Villeganhon print ter re. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, á Revolução Bol chevista, á Revolução surrealista e ao bárbaro technizado de Keyserl ing. Caminhamos.

Nunca fomos cathechisados. Vive mos atravez de um direito sonam bulo. Fizemos Christo nascer na Ba hia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admittimos o nasci mento da lógica entre nós.

Só podemos attender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança A sciencia codificação da Magia. Antropofagia. A transfor mação permanente do Tabu em to tem.

Contra o mundo reversivel e as idéas objectivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dyna mico. O indivíduo victima do syste ma. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o es quecimento das conquistas interio res.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Ro teiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instincto Carahiba.

Morte e vida das hypothe

ses. Da equação eu parte do Kosmos ao axioma Kosmos parte do eu. Subsistência. Co nhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetaes. Em communicação com o solo.

Nunca fomos cathechisados. Fizemos foi Carnaval. O indio vestido de senador do Império. Fingindo .de Pitt. Ou figuran

do nas operas de Alencar cheio de bons sentimentos portugue zes.

Já tínhamos o

communismo. J á tí

nhamos a língua

surrealista. A eda

de de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

maticas, nem col lecções de velhos

Desenho de Tarcilu 1928 De um quadre que figurará na sua próxima exposição de Junho na galeria Pcrcier, em Paris.

Notiá Imara Ipejú

vegetaes. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mappa mundi do Brasil.

Uma consciência participante, uma rythmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida, E a mentalidade prelogica para o Sr. Levy Bruhl estudar.

Queremos a revolução Carahiba. Maior que a revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas ef ficazes na direcçâo do homem. Sem nós a Europa não teria siquer a sua

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar commissão. O rei analpha beto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o em préstimo. Gravou-se o assucar bra sileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia,

O espirito recusa-se a conceber o espirito sem corpo. O antropomor fismo. Necessidade da vaccina an tropofagica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as in quisições exteriores.

A magia e a vida. Tínhamos a re lação e a distribuição dos bens phy sicos, dos bens moraes, dos bens di gnados. E sabiamos transpor o ínys terio e a morte com o auxilio de al gumas formas grammaticaes.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Elle me respondeu que era a garantia do exercício da pos sibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o

Só não ha determinismo - onde ha mistério. Mas que temos nós com isso?

Continua na Pagina 7


Revista de Antropofagia

Manifesto Antropófago Contra as historias do homem, que

BRASILIANA

RAÇA

De uma correspondência de Sarutayá


começam no Cabo Finisterra. 0 mun do não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catalagos e apparelhos de televi são. Só a maquinaria. £ os transfu sores de sangue.

Contra as sublimações antagôni cas. Trazidas nas caravellas.

Contra a verdade dos povos mis sk narios, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cayrú: — É a mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vie ram. Foram fugitivos de uma civi lização qúe estamos comendo, por que somos fortes e vingativos como

o Jaboty.

Se Deus é a consciência do Uni verso Increado, Guaracy é a mãe dos viventes. Jacy é a mãe dos ve getaes.

Não tivemos especulação. Mas tí nhamos- adivinhação. Tínhamos Po lítica que é a sciencia da distribui ção. E um" systema social planetá rio.

As migrações. A fuga dos esta dos tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios, e o tédio especulativo.

De William James a Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a creação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas-f falta de imaginação-r-sen-* timento de authoridade ante a pro

curiosa.

E' preciso partir de um profundo atheismo para se chegar a idéa de Deus. Mas o carahiba não precisava. Porque tinha Guaracy.

O objectivo creado reage como os Anjos da Queda. Depois Moysés di vaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portuguezes descobri rem o Brasil, o Brasil tinha desco berto a felicidade.

Contra o indio de tocheiro. O ín dio filho de Maria, afilhado de Ca tharina de Medicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove. No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória .fonte do costu me. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéas to mam conta, reagem, queimam gente nas praças publicas. Suprimamos as idéas e as outras paralysias. Pelos roteiros. Acreditar nos signaes, acre ditar nos instrumentos e nas estrei tas.

Contra Goethe, a mãe dos Grac chos, e a Corte de D. João VIo.

A alegria é a prova dos nove.

A lucta entre o que se chamaria Increado e a Creatura-illustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor quotidiano e o modus-vivendi capitalista. Antro

pofagia. Absorpção do inimigo sa cro. Para transformal-o em totem. A humana aventura. A terrena fina

lidade. Porém, só as puras elites conseguiram realísar. a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os ma

les identificados por Freud, males cathechistas. O que se dá não é uma sublimação do instincto sexual. E' a escala thermometrica do instincto antropofagico. De carnal, elle se tor

na electivo e cria a amizade. Affe ctivo, o amor. Especulativo, a scien cia. Desvia-se e transfere-se. Che gamos ao aviltamento. A baixa an tropofagia agglomerada nos pecca dos de cathecismo — a inveja, a

usura, a calumnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e christianisados, é contra ella que es tamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céo, na terra de Ira cema — o patriarcha João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase typica de D. João VI.0: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que al

gum aventureiro o faça! Expulsa mos a dynastia. E' preciso expulsar o espirito bragantino, as ordenações e o rap.é de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e oppressora, cadastrada por Freud — a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem pe

nitenciárias do matriarcado de Pin dorama.

OSWALD DE ANDRADE.

Em Piratininga.

Anno 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.

(Est. de S. Paulo) para o Cottelo Paulis tano, n. de 15-1-927: O Sr. Abrahão José Pedro offereceu aos seus amigos um lauto jantar com memorando o anniversario de seu filhí nho José e baptizado do pequeno Fuad, que nessa data foi levado á pia baptismal. Foram padrinhos o sr. Rachide Mustafa

e sua esposa d. lorgina Mustafa. O Sr. Paschoalino Verdi proferiu um discurso de saudação.

POLÍTICA

Da viesma correspondência:

O Sr. Rachid Abdalla Mustafa, escrivão de paz, muito tem trabalhado para au gmentar o numero- de eleitores. DEMOCRACIA

Telegrama de Fortaleza (AB): A bordo do "Itassussê" passou por este porto com destino ao norte, S. A. D. Pedro de Orleans e Bragança, acom panhado de sua esposa é filho. S. A. desembarcou, visitando na Praça Caio Prado a estatua.de Pedro II. 0 povo acclamou com enthusiasmo o príncipe. A off.cialidade do 23.° B. C. e á banda de musica cercada de enorme multidão, aguardou a chegada de S. A. naquella praça.

Compacta mana, acompanhou os dis tinetos viajantes até a praça do Ferreira, onde o tribuno Quintino Cunha fez uma enthusiastica saudação em nome da po pulação.

Na volta para bordo, um preto catraeiro, de nome Vicente Fonseca, destacando-se da multidão abraçou o príncipe dizendo:' "Fique sabendo que as opiniões muda ram mas os corações são os mesmos".

RELIGIÃO

Telegramma de Porto Alegre para a Gazeta de S. Paulo n. de 22-3-927: Vindo de S. Paulo chegou a esta ca pital o sr. Sebastião da Silva, que fez o raide daquelle (Estado ao nosso, a pé, tendo partido dalli em outubro.

O "raidman" tomou essa resolução em virtude de uma promessa feita a Virgem Maria, para que terminasse a revolução no Brasil. Quando se achava próximo a esta Capital, teve conhecim»iito do ter mino da lucta, proseguindo até aqui,- alim de cumprir a sua promessa.

Sebastião Antônio da Silva conta actualmente 35 annos de edade. NECROLÓGIO

De um discurso do professor João Ma rinho na Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro (Estado de S. Paulo, n. de 3-8-921):

O dr. Daniel de Oliveira Barros e Al meida nasceu num dia e morreu em outro, de doença de quem trabalha, coração can çado antes de tempo. Entre os dois, correu-lhe a vida. SURPRESA

Telegramma de Curityba para a Folha da Noite de S. Pauio, n. de 2-11-927: Informam de Imbituba que o indivíduo Juvenal Manuel do Nascimento, ex-agen te do correio, reuniu em sua casa todos os amigos e parentes sob o pret:xto de fazer uma festa. Durante o almoço, Ju venal mostrou-se alegre e,-ao terminar a festa foi ao seu quarto, do qual trouxe um embrulho contendo uma dynamite, di zendo que ia proporcionar a todos uma surpresa. Todos estavam attentos e esperando a surpresa q-uando, com espanto geral, o dono da casa approximou um cigarro acceso do embrulho que explbdiu, ma tando Juvenal e ferindo gravcnuiite sua esposa e todas as pessoas que haviam assistido ao convite fatal.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Entre a Palavra e a História: o Compromisso Social de Dalva Silveira * Cristina Vieira/Rettreinamento

Entre a Palavra e a História: o Compromisso Social de Dalva Silveira
Cristina Vieira


Dalva Silveira (DS), a entrevistada do mês, registra em seu percurso atuações em diferentes campos artísticos, culturais e científicos, como o teatro, a poesia, a pesquisa e a educação. Se, por um lado, ela encontrou no teatro e na poesia formas de expressão, foi na escrita e no ensino que ela consolidou sua missão: questionar paradigmas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e consciente.

Dalva impressiona não apenas pela densidade de sua sensibilidade, mas, sobretudo, pela firmeza de seu compromisso social e pelo profundo respeito à palavra. Seu trabalho reflete posicionamento, consciência histórica e responsabilidade cultural.

Não surpreende que, ainda jovem, tenha identificado o caminho profissional que lhe traria realização. O contato precoce com a música de protesto influenciou sua escolha pela Graduação em História. Posteriormente, o mestrado e o doutorado em Ciências Sociais conduziram-na a pesquisas sobre o período da ditadura militar brasileira, com ênfase na música dos anos 60 e na imprensa alternativa da década de 1970.

Autora de Geraldo Vandré: A Vida Não se Resume a Festivais e De Realidade a Caros Amigos – a Turma do Ex – Imprensa Alternativa e Seu Legado, Dalva também cultiva a poesia desde criança. Os versos que habitaram a menina jamais abandonaram a mulher, que escreve por convicção, ideal e paixão.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Prêmio Literário José Saramago abre inscrições para edição 2026 com prêmio de € 40 mil * Fundação José Saramago

Prêmio Literário José Saramago abre inscrições para edição 2026 com prêmio de € 40 mil

Estão abertas até o dia 15 de maio de 2026 as inscrições para a 14ª edição do Prémio Literário José Saramago, iniciativa voltada à descoberta e valorização de novos escritores da língua portuguesa. O concurso é organizado pela Fundação Círculo de Leitores, em articulação com a Fundação José Saramago.

A premiação, considerada uma das mais relevantes distinções literárias da lusofonia, selecionará em 2026 uma obra inédita de ficção escrita por autores com até 40 anos de idade, provenientes de países lusófonos.

Incentivo à nova literatura em língua portuguesa

Segundo os organizadores, o objetivo do prêmio é revelar novas vozes literárias e fortalecer a circulação da literatura contemporânea entre os países que compartilham o idioma português. O autor vencedor terá a obra publicada simultaneamente em Portugal e no Brasil — pelo Grupo Porto Editora e pelo Grupo Editorial Record — além de distribuição em toda a comunidade lusófona.

O prêmio principal é de € 40 mil, e o resultado será anunciado no último trimestre de 2026.

Quem pode participar

Podem concorrer escritores dos países de língua portuguesa que atendam aos seguintes critérios:

Ter até 40 anos na data estipulada pelo regulamento;
Apresentar obra inédita de ficção, nos formatos romance ou novela;
O texto deve possuir mínimo de 200 mil caracteres com espaços;
O tema é livre.

Não há cobrança de taxa de inscrição nem custos mínimos para participação.
Inscrições e regulamento

Os interessados devem consultar o edital completo e seguir as orientações disponíveis no regulamento oficial do prêmio, acessível pelo site:

A organização recomenda que os candidatos guardem uma cópia do edital para eventuais consultas durante o processo seletivo.

A divulgação do resultado e atualizações do concurso também serão publicadas no perfil oficial do prêmio no Instagram:
Tradição literária

Criado para homenagear o escritor português José Saramago, Nobel de Literatura de 1998, o prêmio tornou-se uma plataforma importante para o surgimento de novos autores no cenário literário internacional, consolidando-se como referência entre os concursos dedicados à literatura em língua portuguesa.

domingo, 25 de janeiro de 2026

CAVALOS, FAMÍLIA E OUTROS POEMAS * Emerson Ahut Watò/PE

CAVALOS, FAMÍLIA E OUTROS POEMAS
Emerson Ahut Watò,

Editora Viseu
Dia - 05 de Fevereiro de 2026
Horas - A partir das 18:00
Local: Coletivoraiz -
Rua da Moeda, 71
Recife Antigo

Preço do livro: R$ 63,00

Cavalos, família e outros poemas é um livro em que a predominância dos sonetos não impede a incursão do autor em diferentes línguas e estilos, na (re)invenção de palavras. Este livro está dividido em diferentes partes. Em Chevaux, 25 sonetos celebram o cavalo desde seu mais longínquo ancestral à sua presença como referência na obra de grandes criadores em diferentes campos da arte e do pensamento e revelam um infinito amor pela língua francesa. As marcas perenes da infância, seus encantos e conflitos comparecem em Família. Em Scherzi, a poesia se diverte em brincadeiras. O autor assume por vezes um eu poético que em quase nada reflete aquele, mais verdadeiro, de seus poemas de maior densidade. Em Micros, o poeta experimenta gotas poéticas. Em Sonetos de Amor e Guerra, o autor dialoga com a tradição, como no poema Com o Russo Outra Vez, numa clara referência ao poema "Com o Russo em Berlim", de Carlos Drummond de Andrade. Em D’ailleurs, o poeta se aventura em outras línguas. Em Imbattiato, o poeta revela nutrir-se da eclética obra do artista siciliano Franco Battiato. Finalmente, em Outros Poemas, o poeta coleciona diversos momentos de sua mais recente produção.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

GERADORES DA MISÉRIA NO BRASIL! * José Ernesto Dias /São Luís/MA

 GERADORES DA MISÉRIA NO BRASIL! 
O Autor por aí, recitando em via pública.

A desigualdade social:
Instalada no Brasil;  
É a causa principal;
Da crescente violência

Aonde as altas classes:
Dominantes na nação;
Influentes no planalto;
Geram a grave situação.

Em comum acordo decidem;
O miseri aumento mínimo;
Mantém os salários;
Como sempre baixo;

Mantém a maior parte:
Do povo no desemprego; 
Outros na informalidade. 
Na batalha sem sossego;

Com renda abaixo do básico:
Para se manter vivo;
Muitos, na miserabilidade,
Destinado a sofrer;

Aonde a grande maioria;
Da sociedade brasileira;
Na nação sem moradia;
Muitos no desassossego;

Perambulam pelas ruas;
De barriga vazia;
Muitos quase nuas;
Sem roupas para se vestir;

No Brasil gigante:
Com tanta riqueza;
Em mãos das elites;
Na ganância soberba;

No Brasil; fazem questão:
De manter a maioria;
Do povo na nação;
Mendigando na pobreza.

Aí é; aonde muitos:
Miseráveis; sem ter o que comer,
Em grupos se juntam;
Para requisições surpresa;

Saqueando alimentos;
Em comércio pela cidade;
Para pegar o mínimo;
Para se alimentar.

É quando de repente chega;
Viaturas com policiais;
Com toda a violência;
Batendo nos miseráveis.

Enquanto figurões:
Ditos gente do bem;
Das boas famílias;
Raptam milhões;

De verbas que  deveriam;
Ser destinada na nação;
Para investir no social;
Vai para o bolso dos figurões 

A verba é rateado;
Entre os gravatões do bem:
Gerando desigualdade;
Dizem; que está tudo bem.

São essas as famílias:
Dos intitulados do bem;
Que geram a terrível;
Miséria predominante; 

Crônica no Brasil:
Os grandes responsáveis;
Desse quadro terrível;
Têm que ser questionados

Todos na justiça:
Sendo interrogados;
Sem brechas para se sair;
Dos crimes praticados;

Onde levou tanta gente:
No território brasileiro;
A viver no sofrimento;
Atingido na pobreza;

Nesse Brasil tão rico;
Em recursos naturais;
Com tanta gente no país;
Na terrível mizerabilidade

José Ernesto Dias

São Luís, MA - 23 de janeiro de 2025

Obs.: Respeitamos os recursos linguísticos do Autor.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Dona Militana – A Romanceira dos Oiteiros * Hermes Leal / RN

DONA MILITANA
Este documentário propõe ser um instrumento de resgate e preservação da cultura brasileira através da vida e voz de Dona Militana, considerada a principal e última guardiã do romanceiro medieval nordestino. Uma preciosidade da cultura imaterial que está resguardado neste filme, que participou de cerca de 20 festivais de cinema e recebeu o prêmio de melhor documentário no FestCine Amazônia 2010.
HERMES LEAL - HLFILMES BR

domingo, 7 de dezembro de 2025

MANIFESTO DA OVELHA VERMELHA * ANTONIO CABRAL FILHO.RJ

MANIFESTO DA OVELHA VERMELHA
Chega de psicose com a ovelha negra,
 fora a ovelha branca, 
branquinha feito algodão, 
como se fosse marca padrão.

 Vamos matar as neuroses calcadas nos animais! 

Eu quero a ovelha vermelha,
 é hora da ovelha vermelha.
 Aquela que chama o rebanho pra porrar o predador. 

Chega de viver assombrado, 
temendo o lobo e o pastor, 
sentindo-se um petisco! 

Isso não é vida! Viva a ovelha vermelha!

ANTONIO CABRAL FILHO.RJ