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segunda-feira, 13 de abril de 2026

MANIFESTO ANTROPÓFAGO * Oswald de Andrade/SP

MANIFESTO ANTROPÓFAGO
Só a antropofagia nos une. Social mente. Economicamente. Philoso phicamente. 

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualis mos, de todos os collectivismo. De todas as religiões. De todos os trata dos de paz.

Tupy, or not tupy that is the question.

Contra toda as cathecheses. contra a mãe dos Gracchos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os ma ridos catholicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psychologia im pressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o inundo interior e o mundo exterior. A reacção contra o homem

vestido. O cinema

americano informa

rá.

Filhos do sol ,

mãe dos viventes.

Encontrados e ama

dos ferozmente, com

toda a hypocrisia

da saudade, pelos im

migrados, pelos tra

ficados e pelos tou

ristes. No paiz da

cobra grande.

Foi porque nun

ca tivemos gram

pobre declaração dos direitos do homem.

A edade de ouro annunciada pela America. A edade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contacto com o Brasil Carahiba. Oú Villeganhon print ter re. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, á Revolução Bol chevista, á Revolução surrealista e ao bárbaro technizado de Keyserl ing. Caminhamos.

Nunca fomos cathechisados. Vive mos atravez de um direito sonam bulo. Fizemos Christo nascer na Ba hia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admittimos o nasci mento da lógica entre nós.

Só podemos attender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança A sciencia codificação da Magia. Antropofagia. A transfor mação permanente do Tabu em to tem.

Contra o mundo reversivel e as idéas objectivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dyna mico. O indivíduo victima do syste ma. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o es quecimento das conquistas interio res.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Ro teiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instincto Carahiba.

Morte e vida das hypothe

ses. Da equação eu parte do Kosmos ao axioma Kosmos parte do eu. Subsistência. Co nhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetaes. Em communicação com o solo.

Nunca fomos cathechisados. Fizemos foi Carnaval. O indio vestido de senador do Império. Fingindo .de Pitt. Ou figuran

do nas operas de Alencar cheio de bons sentimentos portugue zes.

Já tínhamos o

communismo. J á tí

nhamos a língua

surrealista. A eda

de de ouro.

Catiti Catiti

Imara Notiá

maticas, nem col lecções de velhos

Desenho de Tarcilu 1928 De um quadre que figurará na sua próxima exposição de Junho na galeria Pcrcier, em Paris.

Notiá Imara Ipejú

vegetaes. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mappa mundi do Brasil.

Uma consciência participante, uma rythmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida, E a mentalidade prelogica para o Sr. Levy Bruhl estudar.

Queremos a revolução Carahiba. Maior que a revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas ef ficazes na direcçâo do homem. Sem nós a Europa não teria siquer a sua

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar commissão. O rei analpha beto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o em préstimo. Gravou-se o assucar bra sileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia,

O espirito recusa-se a conceber o espirito sem corpo. O antropomor fismo. Necessidade da vaccina an tropofagica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as in quisições exteriores.

A magia e a vida. Tínhamos a re lação e a distribuição dos bens phy sicos, dos bens moraes, dos bens di gnados. E sabiamos transpor o ínys terio e a morte com o auxilio de al gumas formas grammaticaes.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Elle me respondeu que era a garantia do exercício da pos sibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o

Só não ha determinismo - onde ha mistério. Mas que temos nós com isso?

Continua na Pagina 7


Revista de Antropofagia

Manifesto Antropófago Contra as historias do homem, que

BRASILIANA

RAÇA

De uma correspondência de Sarutayá


começam no Cabo Finisterra. 0 mun do não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catalagos e apparelhos de televi são. Só a maquinaria. £ os transfu sores de sangue.

Contra as sublimações antagôni cas. Trazidas nas caravellas.

Contra a verdade dos povos mis sk narios, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cayrú: — É a mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vie ram. Foram fugitivos de uma civi lização qúe estamos comendo, por que somos fortes e vingativos como

o Jaboty.

Se Deus é a consciência do Uni verso Increado, Guaracy é a mãe dos viventes. Jacy é a mãe dos ve getaes.

Não tivemos especulação. Mas tí nhamos- adivinhação. Tínhamos Po lítica que é a sciencia da distribui ção. E um" systema social planetá rio.

As migrações. A fuga dos esta dos tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios, e o tédio especulativo.

De William James a Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a creação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas-f falta de imaginação-r-sen-* timento de authoridade ante a pro

curiosa.

E' preciso partir de um profundo atheismo para se chegar a idéa de Deus. Mas o carahiba não precisava. Porque tinha Guaracy.

O objectivo creado reage como os Anjos da Queda. Depois Moysés di vaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portuguezes descobri rem o Brasil, o Brasil tinha desco berto a felicidade.

Contra o indio de tocheiro. O ín dio filho de Maria, afilhado de Ca tharina de Medicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove. No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória .fonte do costu me. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéas to mam conta, reagem, queimam gente nas praças publicas. Suprimamos as idéas e as outras paralysias. Pelos roteiros. Acreditar nos signaes, acre ditar nos instrumentos e nas estrei tas.

Contra Goethe, a mãe dos Grac chos, e a Corte de D. João VIo.

A alegria é a prova dos nove.

A lucta entre o que se chamaria Increado e a Creatura-illustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor quotidiano e o modus-vivendi capitalista. Antro

pofagia. Absorpção do inimigo sa cro. Para transformal-o em totem. A humana aventura. A terrena fina

lidade. Porém, só as puras elites conseguiram realísar. a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os ma

les identificados por Freud, males cathechistas. O que se dá não é uma sublimação do instincto sexual. E' a escala thermometrica do instincto antropofagico. De carnal, elle se tor

na electivo e cria a amizade. Affe ctivo, o amor. Especulativo, a scien cia. Desvia-se e transfere-se. Che gamos ao aviltamento. A baixa an tropofagia agglomerada nos pecca dos de cathecismo — a inveja, a

usura, a calumnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e christianisados, é contra ella que es tamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céo, na terra de Ira cema — o patriarcha João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase typica de D. João VI.0: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que al

gum aventureiro o faça! Expulsa mos a dynastia. E' preciso expulsar o espirito bragantino, as ordenações e o rap.é de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e oppressora, cadastrada por Freud — a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem pe

nitenciárias do matriarcado de Pin dorama.

OSWALD DE ANDRADE.

Em Piratininga.

Anno 374 da Deglutição do Bispo Sardinha.

(Est. de S. Paulo) para o Cottelo Paulis tano, n. de 15-1-927: O Sr. Abrahão José Pedro offereceu aos seus amigos um lauto jantar com memorando o anniversario de seu filhí nho José e baptizado do pequeno Fuad, que nessa data foi levado á pia baptismal. Foram padrinhos o sr. Rachide Mustafa

e sua esposa d. lorgina Mustafa. O Sr. Paschoalino Verdi proferiu um discurso de saudação.

POLÍTICA

Da viesma correspondência:

O Sr. Rachid Abdalla Mustafa, escrivão de paz, muito tem trabalhado para au gmentar o numero- de eleitores. DEMOCRACIA

Telegrama de Fortaleza (AB): A bordo do "Itassussê" passou por este porto com destino ao norte, S. A. D. Pedro de Orleans e Bragança, acom panhado de sua esposa é filho. S. A. desembarcou, visitando na Praça Caio Prado a estatua.de Pedro II. 0 povo acclamou com enthusiasmo o príncipe. A off.cialidade do 23.° B. C. e á banda de musica cercada de enorme multidão, aguardou a chegada de S. A. naquella praça.

Compacta mana, acompanhou os dis tinetos viajantes até a praça do Ferreira, onde o tribuno Quintino Cunha fez uma enthusiastica saudação em nome da po pulação.

Na volta para bordo, um preto catraeiro, de nome Vicente Fonseca, destacando-se da multidão abraçou o príncipe dizendo:' "Fique sabendo que as opiniões muda ram mas os corações são os mesmos".

RELIGIÃO

Telegramma de Porto Alegre para a Gazeta de S. Paulo n. de 22-3-927: Vindo de S. Paulo chegou a esta ca pital o sr. Sebastião da Silva, que fez o raide daquelle (Estado ao nosso, a pé, tendo partido dalli em outubro.

O "raidman" tomou essa resolução em virtude de uma promessa feita a Virgem Maria, para que terminasse a revolução no Brasil. Quando se achava próximo a esta Capital, teve conhecim»iito do ter mino da lucta, proseguindo até aqui,- alim de cumprir a sua promessa.

Sebastião Antônio da Silva conta actualmente 35 annos de edade. NECROLÓGIO

De um discurso do professor João Ma rinho na Academia Nacional de Medicina do Rio de Janeiro (Estado de S. Paulo, n. de 3-8-921):

O dr. Daniel de Oliveira Barros e Al meida nasceu num dia e morreu em outro, de doença de quem trabalha, coração can çado antes de tempo. Entre os dois, correu-lhe a vida. SURPRESA

Telegramma de Curityba para a Folha da Noite de S. Pauio, n. de 2-11-927: Informam de Imbituba que o indivíduo Juvenal Manuel do Nascimento, ex-agen te do correio, reuniu em sua casa todos os amigos e parentes sob o pret:xto de fazer uma festa. Durante o almoço, Ju venal mostrou-se alegre e,-ao terminar a festa foi ao seu quarto, do qual trouxe um embrulho contendo uma dynamite, di zendo que ia proporcionar a todos uma surpresa. Todos estavam attentos e esperando a surpresa q-uando, com espanto geral, o dono da casa approximou um cigarro acceso do embrulho que explbdiu, ma tando Juvenal e ferindo gravcnuiite sua esposa e todas as pessoas que haviam assistido ao convite fatal.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

OSWALD DE ANDRADE VIROU DOMÍNIO PÚBLICO * Edison Veiga/Deutsche Welle

OSWALD DE ANDRADE VIROU DOMÍNIO PÚBLICO

"Agitador" e "genial": o legado de Oswald de Andrade, que entra em domínio público em 2025. O legado de Oswald de Andrade, que virou domínio público.

Especialistas avaliam trajetória e escritos do modernista morto há 70 anos, e destacam obras essenciais para conhecê-lo. Em fevereiro, gigante da literatura nacional ganha nova biografia.

"Este quadro é sensacional. É o homem plantado na terra", disse Oswald de Andrade (1890-1954) tão logo ganhou, de aniversário, uma tela de Tarsila do Amaral (1886-1973), com quem era casado. Depois, com a ajuda de um dicionário de tupi, encontraram os termos "aba", homem, e "poru", que come.

Assim foi batizado aquele que se tornaria o mais importante quadro da história da arte brasileira, "Abaporu". Esta história, contada por Tarsilinha, sobrinha-neta da artista, no livro Abaporu: Uma obra de amor, ilustra bem a ebulição intelectual de Oswald, uma das mentes criadoras por trás da Semana de Arte Moderna de 1922.

O poeta, escritor, ensaísta, dramaturgo e grande agitador cultural Oswald de Andrade terá sua obra em domínio público a partir de janeiro — pela legislação brasileira, que prevê o fim da incidência de direitos autorais a partir do ano seguinte ao 70º aniversário de morte do autor. Com isso, mais editoras devem republicá-lo e novos holofotes devem ser lançados sobre sua produção.

Será uma oportunidade para que o trabalho dele seja revisitado — muitas vezes sua vida, movimentada e cheia de amores, costuma ser mais destacada do que sua obra.

"[Ele] era um autor essencialmente confessional, que transfigurava a própria biografia em termos de ficção e poesia", analisa o jornalista e biógrafo Lira Neto, que lança em fevereiro Oswald de Andrade: Mau Selvagem. "Impossível tentar compreender sua obra desligada de sua própria existência. E vice-versa."

Vida "maior" que a obra?

O sociólogo e crítico Antonio Candido (1918-2017) dizia que a biografia de Oswald havia sido tão importante quanto sua obra. "Mas, na verdade, se conhece muito pouco de sua trajetória", afirma Lira Neto. "Muito se comenta sobre a Semana de 22, que para mim é um episódio eventual, quase marginal, diante do turbilhão que foi a vida dele."

Há os notórios romances, principalmente os casamentos com Tarsila e, depois, a escritora e militante comunista Pagu (1910-1962) — mas também mulheres como "Landa, Daisy, Pilar Ferrer, Julieta Barbara, Maria Antonieta d'Alkmin", enumera o biógrafo.

"Quase não se fala do Oswald pensador, autor de teses originais e atualíssimas sobre a cultura. Quase não se fala do Oswald jornalista, agitador permanente. Quase não se fala do Oswald na intimidade, feroz e lírico, ateu e crente em Nossa Senhora, anjo romântico e incorrigível devasso", completa.

Em sua biografia, Lira Neto promete não fazer julgamentos morais, apenas apresentar "o homem genial que foi Oswald, com todas as suas ambivalências: virtudes e vícios, qualidades e defeitos, acertos e erros".

"O inconformismo intelectual e o espírito de rebelião fez com que, por vezes, Oswald tomasse atitudes impensadas e praticasse gestos de exacerbada violência contra amigos próximos. Incapaz de exercer a monogamia, ao mesmo tempo ciumento ao extremo, magoou a grande maioria das mulheres com quem viveu", destaca.

Para especialistas, essa conjunção entre vida e obra é que fez de Oswald um gigante da literatura nacional. "A vida dele foi também uma obra, teve plástica, estética, natureza artística", diz o escritor e professor universitário Miguel Sanches Neto, reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). "Ele foi um homem-arte, como aqueles homens-sanduíches que carregam no corpo as mensagens. Ele foi um homem-reclame, um homem-sanduíche do modernismo."

Autora do livro Semana de 22: Entre Vaias e Aplausos, a jornalista e escritora Marcia Camargos diz que Oswald "criou um personagem um pouco folclórico", pela sua "figura cativante, meio histriônica, de um glutão, de alguém sem meias palavras".

"Mas eu não acredito que isso seja maior do que sua própria obra e nem que abafe parte. Um está imbricado no outro e ele era realmente um artista, um escritor extremamente criativo", avalia, frisando que ele respondia às questões de seu tempo "de forma genial". "Não penso que sua personalidade tenha se imposto e obscurecido, feito sombra à sua obra."

Livros de destaque

Mas se o domínio público é a oportunidade de novas edições, os especialistas têm também suas recomendações sobre quais obras merecem ganhar mais espaço nas prateleiras — e quais funcionam como porta de entrada para que um leitor mergulhe na literatura oswaldiana.

Lira Neto destaca de forma geral os poemas, "em especial os do maravilhoso Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade, ilustrados por ele mesmo, e os do volume Poesias Reunidas de O. Andrade, trocadilho brincalhão com as Indústrias Reunidas de F. Matarazzo [complexo fabril que marcou época em São Paulo no início do século passado]". "O uso do coloquialismo na poesia, o poema-pílula, o poema-piada, tudo aquilo me parece profundamente contemporâneo", frisa.

Autora do livro Rupturas e Desdobramentos: Reverberações Críticas da Semana de Arte Moderna e professora na Universidade Estadual Paulista (Unesp), Maria Lúcia Outeiro Fernandes situa a obra de Oswald como "um dos maiores legados do modernismo brasileiro, pois representa a concretização das principais propostas de 22".

Ela destaca, de forma geral, os livros de poesia da produção oswaldiana, "especialmente o Poesia Pau-Brasil". "Das narrativas, o livro que apresenta maior afinidade com os leitores contemporâneos me parece ser Memórias Sentimentais de João Miramar", diz a professora. Este último é classificado pela jornalista Camargos como "imbatível".

O poeta e tradutor André Capilé, professor de literatura brasileira na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), destaca outras duas facetas de Oswald que mereceriam ser revisitadas editorialmente.

"Talvez, muito talvez, nos falte uma reunião crítica da obra dramatúrgica [dele]. Edições reunidas e anotadas que deem maior vulto a essa dimensão autoral do autor, que apesar das revisões e montagens de O Rei da Vela, na presença viva de Zé Celso [Martinez Corrêa (1937-2023)], terem dado novo vigor e visibilidade à dramaturgia oswaldiana, talvez fosse o caso de uma nova mirada diante das demais peças", comenta ele.

O outro gênero trazido por Capilé é a produção ensaística. "Os textos reunidos de jornais e conferências que encontramos em Ponta de Lança, com suas polêmicas e modos de refletir, por contonar aspectos de seu tempo e por terem sempre uma linguagem ágil e ácida, definitivamente nos mostram não só como Oswald pensava a cultura, mas também demonstram como sua composição textual flagrava o mundo", explica.

Sanches Neto mira no próprio autor. Neste sentido, vê o autobiográfico Um Homem Sem Profissão como inovador e precursor do gênero de autoficção, tão em voga na literatura contemporânea. "Para mim, é o livro mais importante publicado por ele", comenta.

O escritor também considera essencial a obra Diário Confessional, reunião de textos que o autor registrou em diários, publicada em livro em 2022. "Ele solta todo o seu fel, todo o seu rancor e, ao mesmo tempo, toda a sua poesia na avaliação de seus contemporâneos", afirma Sanches Neto.