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domingo, 7 de dezembro de 2025

MANIFESTO DA OVELHA VERMELHA * ANTONIO CABRAL FILHO.RJ

MANIFESTO DA OVELHA VERMELHA
Chega de psicose com a ovelha negra,
 fora a ovelha branca, 
branquinha feito algodão, 
como se fosse marca padrão.

 Vamos matar as neuroses calcadas nos animais! 

Eu quero a ovelha vermelha,
 é hora da ovelha vermelha.
 Aquela que chama o rebanho pra porrar o predador. 

Chega de viver assombrado, 
temendo o lobo e o pastor, 
sentindo-se um petisco! 

Isso não é vida! Viva a ovelha vermelha!

ANTONIO CABRAL FILHO.RJ

sábado, 20 de setembro de 2025

VIRIATO GASPAR LITERATURA MARANHENSE * Fundação Claudino Silva

VIRIATO GASPAR LITERATURA MARANHENSE
VIRIATO GASPAR

(Viriato Santos Gaspar) – nasceu em São Luís (MA), em 7/3/1952. Radicado em Brasília desde agosto de 1978. Jornalista desde 1970. Funcionário de carreira do Superior Tribunal de Justiça. Participação em antologias poéticas no Maranhão e em Brasília. Vencedor de muitos prêmios literários, tanto em sua terra natal quanto no Distrito Federal. Bibliografia: Manhã Portátil, Gráfica SIOGE, São Luís-MA (1984); Onipresença (versão incompleta), Gráfica SIOGE, São Luís-MA (1986); A Lâmina do Grito, Gráfica SIOGE, São Luís-MA (1988), e Sáfara Safra, São Luís-MA (1996). Está concluindo um livro de Salmos em linguagem moderna, e tem dois livros de poemas e um de contos, inéditos.

Oswaldino Marques ao comentar textos de autores novos da Literatura Maranhense disse que o poeta “mais próximo da autonomia de vôo é Viriato Gaspar. Surpreende-se nele inventividade, assenhoreamento formal, linguagem plástica, límpida, a inteligência do metamorfismo da expressão que o dota dos meios de manipulação apurada da palavra.”

Lago Burnett: “...um poeta absolutamente senhor de seu instrumental.” Chagas Val, ao referir-se ao livro Manhã Portátil, declarou “... um livro forte e denso.” Moacyr Félix, “Com nitidez percebe-se, atrás do seu bem elaborado artesanato, a presença verdadeira de um poeta. Literatura e não literatice.” Wilson Pereira, “Manhã Portátil já revela a energia criadora do autor, dotado de sopro mágico e de capacidade para articular a linguagem com expressivos recursos estilísticos.”

"Só agora pude concluir a leitura do Tributo ao Poeta II. (...) Recordei e reli muita coisa conhecida, mas tive a deliciosa surpresa de descobrir o poeta Viriato Gaspar, cujos vigorosos versos me arrebataram preenchendo uma lacuna no meu elenco dos bons poetas contemporâneos." ASTRID CABRAL - Rio de Janeiro, maio de 2010

Página realizada com a colaboração de Salomão Sousa, Angélica Torres e de outras fontes.


TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL



Bilhete a Montale



Que tempo este de agora e suas redes.

O sol morre de frio e o mar, de sede.



Que mundo este, que encheu só de vazio.

A fome rói nas ruas seu fastio.



Goramos o luar; só resta um mantra,

e este gosto de agosto na garganta


A Caminho, de Volta



(a Odylo Costa, filho, in memoriam)



Os Anjos rasgarão nos meus cabelos

estradas para Deus, e seus atalhos.

Nas minhas mãos geladas trigo e orvalho

Deus plantará depois, para eu bebê-los.



Os Anjos brotarão dos meus joelhos

e cantarão manhãs que nunca pude.

Hão de nascer das plumas do alaúde

as rosas da manhã, clarins vermelhos.



Hei de cantar, cantar, cantar, cantar

as luzes que engasguei, por mundo ou medo,

os salmos que apaguei, por mal, por mim.



E os Anjos me erguerão na altriz do altar,

para eu sugar o Sol e arfar enfim

o sopro antigo e novo do Segredo.


A Sesta

(a Leonardo Boff)


Não quero abrir no azul um céu chinfrim,

que seja só um sol que nunca ladre.

Não quero um Deus assim, morto de mim,

cevado de senões, patrão de padres.



Eu quero O Deus em mim, total de tudo,

uma alva rede aberta em minha alma.

Um cachorro enrolado em seu veludo,

meu pai me dando adeus na tarde calma.


A Ilha


Janelas. Poeira. Mosquitos. Meu pai ventava em azul as paredes da insônia. Lamparinas. Calor. Formigas. Fome.

Os homens exercitavam vagas vidas vazias. Idéias. Ideais. Lixo. Luxo. Lisura espectral.

Uma rede sozinha. Var/ando a var anda. Var/ânsias. Átrios de igrejas. Sé. Carmo. Remédios. Pam ta leão. Garrafas. Gumes. Cuspo. Fé. Fezes.

Padre, dai-me a vossa bênção porque pe(s)quei. Ide em gás e que o terror vos arrebanhe. Mentiras. AMEN/tiras.

Os dias despejavam adrenalina. Ossos magros. Fome. Fumo. Fama. Fúria. Os homens inventavam teorias para explicar o medo. Mastigar o medo. O muco murcho da matilha amorfa. A porca era gorda demais. E a gente tinha fome.

As mulheres eram qualquer coisa secreta. Proibida. O veludo molhado da rosa incendiada na penugem. Uma dúzia de sonhos. Uma saga de dúvidas. Tesão. Teso. Ah ânsia de voar sobre as ladeiras e amanhecer assombros nos sobrados.

A vida era o desfiar morrente de uma esperança sem futuro. Ex-v(a)ida a cada dia. Como o rosário comprido de minha mãe. Deus era o pavor absoluto. O nome extremo do medo.

O sol sugava o sumo do suor do osso. Os outros, ostras incrustadas no estertor antigo. O coração ganindo a própria gana. A vida vindo em vão e vã voando. Veloz. Vaga. Vadia.

A casa era pequena, mas cabia a tosse de meu pai e a sua rede. O armador tecia na parede um gemido asmático de animal doméstico. A noite se enchia de calor e paz com o roc-roc-roc da velha rede de meu pai, insone.

O mundo era uma ilha sem horizontes. Os barcos passavam. Como os dias. O mar aberto era uma chaga alheia.

A vida era uma ilha. Afogada em seu fogo vazio.

A vida era uma

...

(a vida foi

se.)


A Vinda


Chegaste de manhã, e era dezembro.

O mar cuspia azul sobre as estrelas

e marejava um cais para bebê-las.

Teu rosto era um farol, é o que lembro.



Chegaste como a chuva; pelo avesso,

acendendo a manhã nas minhas unhas.

Agora foi depois, quando eu supunha

não mais molhar-me o sol, seu sal espesso.



Nunca disse teu nome, não cabia.

A palavra era apenas seu esgar,

um modo de morder a ventania.

Só lembro do dezembro. E então o mar.


O Náufrago


teu corpo negro iluminava tudo

com seus segredos fundos de mulher

e nele eu me enconchava em caramujo

no refluir-fruir dessa maré



de barcos emboscados no ar escuro

tarrafando sargaços de suor

teu corpo negro então ficava sujo

de claridade e desmanchava o sol



em golfadas de trêmulas espumas

teu corpo negro pluma de penumbra

a derramar manhãs no travesseiro



e eu náufrago de tudo arremetesse

as praias de teu corpo e me solvesse

nos minérios malinos de teus pêlos.

GASPAR, Viriato, Sáfara safra (poesia). São Luis, MA: SIOGE, 1994. 156 p, 14x20,5 cm.


O BUROCRATA

uma lua explode
por dentro do terno.

manda-a ao protocolo
para carimba-la
e num memorando
baixa-a ao arquivo.


A CAIXA-PRETA

o morto
no caixão

o porto
ou a floração?

(ou só o conforto
da conformação,

o tateio torto
pela contramão?)


GASPAR, Viriato. Manhã portátil. Poesias. São Luís, MA: Plano Editorial Gonçalves Dias, SIOGE, 1984. 135 p. 15x22 cm. Capa: Joaquim Santos. Col. Bibl. Antonio Miranda


ENTRONCAMENTO


outubro já passou, novembro veio,

e a vida continua pra dezembro.

dezembro chegará, depois janeiro,

e a vida continua em fevereiro.

o calentário espichará seus dias

em meses, anos, rugas e calvície,
novos amigos, novas descobertas,

(ou a simples ilusão de descobri-las),

novas cidades, novas desventuras,

novas mulheres e velhas ternuras.

e a vida seguirá por mais um ano,

mais outro e depois outro e a vida sempre

a encompridar seu tempo e seu fastio,

seu pasto de chacinas e vivências,

seus enganos, seus medos, seus abismos;

até que um dia a morte, enfim chegando,

(num dia de dezembro ou de janeiro),

acabe com a ciranda da agonia.

e quando o trem das trevas apitar

na esquina de meus ossos doloridos,

eu quero entrar sem pressa e sem bagagem,

como alguém que, depois de muitos anos.

retorna finalmente para casa.


De
A LÂMINA DO GRITO
(poesia)
São Luis: SECMA/SOPGE, 1988


3
(para Malu)

aqui, nesta argamassa de neurônios,
de músculos e nervos, pele e ossos,
eu e a minha manada de demônios
estamos sós no ranço dos remorsos.

estamos sós no cio solitário
do pus da nossa paz, fechada em fossos,
no pó das postas do que sobra em sócios
para o repasto oposto do inventário.

aqui, neste congresso de torturas,
sentamos, face a face, na impostura
de impar e ser o avesso do que somos.

enfartados de espantos e de espasmos,
eu e a minha alcatéia de fantasmas
choramos sós à sombra dos escombros.


21

primeiro ela sonhou que estava morta;
depois, que viajara, que partira,
mas não porque ela própria o decidira,
mas porque havia o mundo além da porta.

ela era a sombra do seu próprio vulto,
a imagem em nuvem do não-revelado.
ela era tudo o que restava oculto,
mas dentro dela mesma, em si guardado.

e porque assim tivesse sido (ou era),
ou nunca fosse, houvesse acontecido,
talvez mais por alvor que só de avara,

primeiro ela sonhou que não chegara,
depois, ao ver que ver era um olvido,
evaporou-se em sua própria espera.


27

inverno, meu amor, são esses ossos
que a tarde desenterra em nossas veias,
sempre sujos do sumo dos remorsos,
lambuzados de loucas luas cheias.

esse inverso, essa viva carne carma,
o punhal, esse sabre que nos sobra,
essa bomba que nunca se desarma,
esse dobre a dobrar-nos na manobra.

inverno são as drupas desses dias,
essas tardes tardias, trastes, tantas;
essas ruas repletas e vazias,
esta gana a ganir-nos na garganta.

inverno, meu amor: ossos e dias;
e a gente a gangorrar sua agonia.


30

(a Wilson Pereira)


Qualquer coisa nascida de si mesma
como um ovo, um poema, uma ferida.
Uma pena talvez, flecha fendida
em trovões coruscando em lã/ma e lesmas.

Qualquer coisa. Excrescente, dissoluta,
fluida, fóssil, falaz, como cortiça.
Manivela ou mormaço, a mó mortiça
do seu grito de gueto, escampa escuta.

Esse inverno vital, vulva que orvalha,
galha oblívia do sestro na navalha.
Uma coisa qualquer. Sabre em saliva.

Qualquer coisa cerzida em urze ou asa,
húmus ubre de rala ruma rasa:
▬ um verso, esse universo em carne viva.

(do livro “A LÂMINA DO GRITO”, de 1988)


31

o azul pondo fagulhas no azulejo
enquanto a tarde talha e a voz resvala
no silêncio estalado em caranguejos
e o breu do grito é o gume de uma bala.

o azul tecendo lu(r)zes nos sobrados
e as ruas estuando em treva as teias.
a sombra é um búzio dúbio debruado
na renda rubra da paisagem alheia.

o azul espelha paz no pó espesso
enquanto as aves voam em vão no avesso
e o instante estanca e tranca o trinco a seco.

o azul plantando (p)lumes nos telhados
e a tarde entalha o instante ali alado
e enlaça o aço azedo enchendo os becos.


POEMAS INÉDITOS
(selecionados por Angélica Torres Lima)


A QUERELA DO BAR ZIL

As ruas estão rotas de mendigos,
de putas e ladrões mal-ajambrados.
Os que se deram bem vão bem guardados,
no além das limusines, em abrigo.

Nas praças só há pressa, e o medo empurra
o bilro em nossas burras, ‘té a monta.
Em cada esquina um rambo nos aponta
um berro, e basta a nós se só nos curra.

Nos palácios, nos templos, nas choupanas,
é um salve-se quem der a xepa ou a xana,
a vida vale um peido, um troco, um til.

Há quem ferrando enrique ou nasce a lula,
mas nas ruas é a fome, é a gana, a gula,
oh pátria amada, à puta que pariu!


O NINHO

Olha, lá fora, a trôpega manada
que marcha, amorfa, à usura do futuro.
Vê com que pressa passam na calçada,
rumo a um arrimo esconso em seu escuro.

Olha, aqui dentro, o ninho do meu vinho,
o chão deste clarão, esta tontura.
Vê com que vôo as aves da ternura
rasgam seus ramos no meu ser sozinho.

Ferve um inferno fosco no lá fora:
aqui dentro, eu Te espero.
Agora.
Aurora.


BILHETE À ROSA QUE ACENDEU O JARDIM

Tive um amor que desmanchou-se ao vento,
mal soprara a manhã nos meus cabelos.
Tentei talvez, a susto, ainda retê-lo,
mas dissolveu-se em azul no céu cinzento.

Tive um amor que encheu o mundo inteiro
de um brilho, um fogo, um gás, um chão tão claro,
que até hoje, já escuro, ao relembrá-lo,
ainda me acende o rastro do seu cheiro.

Tive um amor assim, estranha estiva,
a farfalhar seu mar em carne viva,
o mundo em riste a borbulhar nas veias.

O amor, no entanto, é um sopro que se apouca;
no instante mesmo em que nos bica a boca
já se ave em vôo, e nunca mais se apeia.


NOITURNO

A rua espicha as casas sonolentas
pela ladeira suja enevoada.
Só meus passos, no pasmo da calçada,
ressoam mundo afora, à flor do vento.

A rua se esparrama escuro adentro,
uma ruma de casas desbotadas.
Só a lua na rua amortalhada
me vê passar sem pressa, a contra vento.

De onde eu vim, para onde vou, pisando
o mundo mudo, a rua morta, e eu quando?

Só meus passos no escuro acendem o vento
e toc toc tocam no silêncio.


O JATOBÁ TOMBADO

A doença foi secando a minha mãe,
até torná-la a sombra dela mesma.
Na sua solidão de dor enferma,
um mar de arpões-ferrões nas suas manhãs.

Na mirrada figura que sumia
um pouco mais, a cada abril do dia,
havia um horizonte de sereno,
grandeza no exercício do pequeno.

Minha mãe me ensinou, com a dor e a reza,
que sempre há vôo e luz, se a vida pesa.


RÚMULOS

Por aqu
passou o Poeta:

▬ há cacos de estrelas
acendendo o escuro;
há um brilho estranho
no pavor dos muros,
e há um viço avesso
acordando o mundo.
O Poeta
passou por este dia:

fez brotar a manhã
da noite fria,
fez nascer um clarão
no breu que havia
e surgir em cada dor
como um jardim,
para depois,
um raio, um risco ou um jasmim,
encantar-se por fim
na ventania.


O LEGADO

(a Gabriel)

aquele poema
que não consegui,
mas a duras penas
carreguei em mim.
aquela pequena
coisa indefinida,
que não foi poema
nem encheu a vida.
o sol escondido
que não se acendeu.
este não ter sido
que em mim sou eu.

(de Sáfara Safra )


ÍNDICE


A Ferreira Gullar

O homem é a matéria do meu canto,
qualquer que seja a cor do que ele sente.
E não importa o motivo do seu pranto,
é um homem, meu irmão, e estou doente
de sua dor, e é meu o seu espanto
do mundo e desta hora incongruentes.
Na trincheira do Verbo me levanto
contra o que contra o homem se intente.
O homem é o objeto e o objetivo
de quanto sei cantar, e o canto é tudo
que pode me explicar porque estou vivo.
Às vezes sou ateu, noutras sou crente,
em outras sou rebelde, em algumas mudo:
— sou homem, e canto o homem no presente.

(de Manhã Portátil)




Antonio Miranda, diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, abrindo a sessão do Tributo ao Poeta, dedicada a Viriato Gaspar, no dia 31 de março de 2009.



Atores e o homenageado no palco do auditório da BNB (com o poeta ao centro) recebendo o aplauso da platéia em dia de casa cheia e ovação de pé, depois da leitura dos poemas. Uma noite verdadeiramente consagradora ao talento do poeta maranhense-brasiliense Viriato Gaspar. Da esquerda à direita os poetas: Antonio Miranda, Wilson Pereira, Aglaia Souza, o homenageado Viriato Gaspar, Carla Andrade e Vicente Sá. Os apresentadores dos textos foram Wilson, Aglaia, Carla e Vicente, e o apresentador foi Anderson Braga Horta.

FONTE
***

sábado, 17 de agosto de 2024

MANIFESTO POESIA LIBERTÁRIA * Antonio Cabral Filho/RJ

MANIFESTO POESIA LIBERTÁRIA
   HOMENAJE.

Sin tiempo sin amigo
una vida sin patria
un silencio de látigo
que ni siquiera azota.

Julio Cortázar.


Un día como hoy
te hizo presente
te volviste carne
materia literaria
extraña figura
Duende grande
en un mundo pequeño
sin conciencia
hostil, egoísta
"sin tiempo sin amigo".

Niño lector de caminos
historias de libros
imaginando bosquejos
llegan los cuentos
tonos fantásticos
universo perfecto
destellos de ingenio
hombre novelesco
emigrante del sueño
"una vida sin patria".

Derrotero de fantasía
vencedor del extravío
imaginando utopías.
Angel sin alas
incendiando el vuelo,
Julio en Agosto
rompiendo el tiempo
historias de amor
tiritando el alma
pasión que castiga
"un silencio de látigo".

Aquí quedas presente
este instante de ausencia
ejemplo de tu vida
de regocijo humano
hombre de causa justa
tu extensa figura
Duende gigante
Enseñando constancia
amorosa disciplina
"que ni siquiera azota".


Iván Villamizar.
26/08/2024.

TORQUATO NETO/PI
*
***
MANIFESTO POESIA LIBERTARIA

Camaradas, salve!

Quero lhes falar sobre o PROJETO "DEPOIS DE CASTRO ALVES".

PREÂMBULO

Vivemos uma era revolucionária e muito maior do que preconizou Marx, muito além do que historiou Hobsbaum. Em tempos assim os revolucionários precisam ser pessoas completas, precisam pensar em tudo, a um só tempo, por que a roda da história é um raio e quem não vê o seu clarão já perdeu o bonde. Por isso meus camaradas, nós, os revolucionários, precisamos revolucionar, seja na vida social, econômica, cultural e artística. Precisamos propôr estéticas revolucionárias, atendendo aos anseios da maioria. Por isso lhes convido a pensar na estética literária, e criar uma ESTÉTICA LIBERTARIA, especialmente na poesia.

Creio que vocês sabem que o desenvolvimento estético da poesia brasileira se inicia com CASTRO ALVES. GONÇALVES DIAS deu um primeiro passo rompendo o rigor da poesia de formas fixas, mas é a partir de CASTRO ALVES que isso se deslanchou. Daí em diante a poesia modernista virou alimento revolucionário na estética brasileira.

Claro que na Europa, principalmente França e Portugal , isso já era lei e os classicistas baixavam a cabeça. Veja Fernando pessoa. Mas no Brasil ainda era quase uma ofensa se apresentar como Poeta quem não se submetesse ao soneto ou à trova, tamanha era a obediência aos modelos institucionalizados. Precisou que Mário de Andrade, Oswald de Andrade e tantos outros lançassem a Semana de Arte Moderna em 1922. É a partir daí que a estética modernista entrou no salão. Desde então, e só desde então, é que ninguém mais veio impor normas academicistas às artes. Até tem regras, mas não são mais impositivas.

É nesse sentido que começa a caminhar o PROJETO "DEPOIS DE CASTRO ALVES"

POSSO CONTAR COM A SUA ADESÃO?
VAMOS PRECISAR CAIR EM CAMPO E ARREGIMENTAR FORÇAS. NÃO SE FAÇA DE ROGADO, INVADA OS SALÕES, PULE EM CIMA DAS MESAS, BEBA NO GARGALO, DANCE NO ASFALTO, DESFRALDE A BANDEIRA DA POESIA LIBERTARIA
...

1
Depois de Castro Alves
A poesia ganhou mundos!
Viajou em navio negreiro
Liderou revoluções
Fez amor nos camarins
E foi a luta
Sem lenço nem documento.
Antônio Cabral Filho.RJ

2
Enquanto a vida segue forte
O poeta é como um arco
E resiste como um marco
Que já nasce injustiçado
Que está a meio fio
Como um naco de navalha
E na terra ele entalha
Um poema de liberdade

Poesia é a saudade
Do Rio Capiberibe
Da terra dos carijós
E da Serra da Mantiqueira

Poesia é vida inteira
Se esgueirando pelo mundo
E tão perto do absurdo
É arma de revolução!

Dona bela poesia
Vem com bandeira de revolução
E pra ela dá as mãos
Porque ama a liberdade
Poesia é a saudade
Dos tempos em que a justiça era honesta

Vera Mascarenhas.SP

3

LUA VAZIA, 64.

Nuvens raivosas,
passeiam pelos céus de Pernambuco. Nas noites de Março,
tirando a luz do caminho dos camaradas de Julião No breu da noite
a lua entre as nuvens alumia a caminhada
dos camaradas de Julião.

A lua some nas nuvens nas noites de março sem sua luz a milícia num dá sussego.

Os caminheiros tentam entender porque a lua s´escondeu
no rumo do engenho Galileia.

A oitenta e quatro graus
mês de Abril de lua cheia as coisas apertam.

Nuvens raivosas atrapalham
o destino dos camaradas de Julião.

Os de Julião, sentem o momento
o traço e o significado
do que siassucede a cada instante
e sua natureza no modo de ser das coisas.

Uns de um jeito outros de outro.
Lá de cima a lua alumia o caminho
dos camaradas de Julião.

Nas noites dos nordestes do mundo a luz da lua e os caminhantes
não andam sozinhos
nem os camaradas de Julião.
Seguem um rio de estrelas.
&
Os poetas Thiago de Melo e Chico Canindé, no Sustentar em Campinas SP. dia 31.05.08
CHICO CANINDÉ/PA

4

JUNTOS POETÍZENDO

Nessa linha, é preciso
Os brasileiros dar mãos,
Ombro a ombro seguir
Ignorando as imposições

No combate as hipocrisias
Impostas por carrancudo
Amante dos imperialistas
Influentes, na nação

Em rajadas de poesias
Os ativos brasileiros
Poetas e poetisas
Podem metralhar sem medo

Os imbecis, trapalhões
Que insistem em manter regras,
Mantendo os brasileiros
Andando na contra mão

Todos podem ser derrotados
Em rajadas de poesias
Por poetisa e poeta
Opositores do grande capital

Coisa imposta, por estranhos
Dominantes carrasco
Que querem manter
Os brasileiros de mãos abanando

Míope na escuridão
Batendo continência
Para os inimigos
Que abusam na nação

Poetas, na piesia
Podem despertar a sociedade:
A se engajar na luta
Contra o bando de ladrões

Que querem eternizar
A maior Parte dos brasileiros
Seguindo a risca
De inimigos; aliados a estrangeiros

Usurpadores bandoleiros
Aliados, as altas elites
Insistem em querer manter;
O povo explorado na miopia

José Ernesto Dias
São Luís, 17 de agosto de 2024

5
AUTORIA ANÔNIMA
Colaboração: Mary Lãndia - MA

6

@AROSESG
7

@ClauRibasPermitase

8

VOZES

Muitas vozes me tocaram
Ao longo da minha vida.
Prestes, Darcy Ribeiro e Brizola, desde muito cedo,
Me fizeram enxergar a política como um caminho 
Para a realização do bem comum.
Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius, todos eles tornando o amor possível dentro de mim.
Gonzaguinha, com sua coragem revolucionária, ensinou-me a rebeldia e o pensamento para criticar.
Glauber Braga, Sâmia Bonfim e Érika fizeram renascer em mim a esperança num país melhor.
Laterça, Lucia, Omar e Valdilene firmaram em mim 
A certeza de que a Medicina é uma profissão de amor ao próximo. 
Pedro Rosa, Cleodete, Vânia, Verônica, Abadia, Dilma, Janaína, Leise, Wagner, Jane Mary e Lygia, companheiros de luta, me ajudaram a compreender a importância de se posicionar na defesa dos nossos direitos. 
Jesus Cristo, Madre Tersa de Calcutá, Irmã Dulce e Chico Xavier construíram em mim toda a minha espiritualidade e o entendimento do verdadeiro sentido da fraternidade, solidariedade e compaixão. 
Martin Luther King Jr e Padre Júlio Lancelotti fizeram brotar em mim o respeito à diversidade, e a compreensão da desigualdade e da fome como construções humanas que precisam ser combatidas e superadas.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldinho Azevedo e Dominguinhos estimularam em mim o gosto pela música.
Fagner, Belchior e Djavan me aproximaram do violão.
Bethânia, Gal, Elis, Elizete e Ângela Maria me levaram a cantar.
Roberto Carlos, com o romantismo das suas canções, fez dos meus momentos de fossa uma possibilidade de alívio no meu coração. 
Paulo Freire, Gilvan e Marilena Chauí influenciaram as minhas leituras.
Gandhi, Mandela, Leonardo Boff e Frei Betto me mostraram o valor da liberdade. 
Chico Mendes me apresentou a floresta e plantou em mim o cuidado com as coisas da natureza. 
José Roberto me levou a gostar de vôlei e Zagalo me levou a gostar de futebol. 
John Lennon e Elvis Presley ajudaram a embalar os meus sonhos de menino.
Jô Soares, Chico Anísio e Golias me fizeram rir muitas vezes.
Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc semearam em mim emoções. 
Martinho da Vila, Cartola, Jorge Aragão e Paulinho da Viola puseram o samba na minha alma. 
Aílton Krenak e Edson Kaipó  cristalizaram em mim a cultura indígena.
Milton Santos, Ângela Davis e Lélia González ajudaram a  enriquecer o meu conhecimento. 
Chomsky, Mujica, Bauman, Habermas, Fidel e Che Guevara ajudaram a desenvolver em mim o amor pela humanidade. 
Rita Lee, Erasmo Carlos e Lulu Santos trouxeram o rock para a minha vida.
Carlinhos Brown chamou a minha atenção para os tambores da Bahia.
Dercy Gonçalves revelou para mim que a irreverência tem o seu lugar na história. 
Rogéria e Roberta Close me ensinaram a respeitar, estudar e aprender sobre as questões de gênero. 
Sílvio de Almeida e Luís Gama me ensinaram a combater o racismo e me interessar pela história da escravidão. 
Eduardo Moreira, Maria Lúcia Fatorelli e Piketi me ajudaram a gostar e a compreender melhor a economia. 
Meus filhos Rodrigo, Mariana e Lucas me ensinam alguma coisa todos os dias. 
Minha mãe e meu avô Manoel me ensinaram honestidade, empatia, dignidade, responsabilidade e gratidão. 
Muitas outras vozes eu poderia citar aqui, e todas elas ajudaram a construir quem eu sou hoje. 
Neste momento, novas vozes têm surgido: Alexandra, Heloísa, Wânia, Elias, Rogério, Manoel e Juliana.
São vozes que ficam porque deixam marcas.
São vozes amigas, vozes de saudades.

Wladimir Tadeu Baptista Soares 
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino 
wladuff.huap@gmail.com 
17/08/2024

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DEDÉ MONTEIRO

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ATAQUE DE ABELHAS
Nesta data, 17/08/2024, um enxame de abelhas fez Bolsonaro fugir às pressas do Rio Grande do Norte.
11
JOSÉ ESTANISLAU FILHO/MG

12
PAULO LEMINSKI -PR

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Dos Nossos Males


A nós nos bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

Mário Quintana/RS


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Com o Russo Em Berlim

Carlos Drummond de Andrade

Esperei (tanta espera), mas agora,
nem cansaço nem dor. Estou tranquilo.
Um dia chegarei, ponta de lança,
com o russo em Berlim.

O tempo que esperei não foi em vão.
Na rua, no telhado. Espera em casa.
No curral; na oficina: um dia entrar
com o russo em Berlim.

Minha boca fechada se crispava.
Ai tempo de ódio e mãos descompassadas.
Como lutar, sem armas, penetrando
com o russo em Berlim?

Só palavras a dar, só pensamentos
ou nem isso: calados num café,
graves, lendo o jornal. Oh, tão melhor
com o russo em Berlim.

Pois também a palavra era proibida.
As bocas não diziam. Só os olhos
no retrato, no mapa. Só os olhos
com o russo em Berlim.

Eu esperei com esperança fria,
calei meu sentimento e êle ressurge
pisado de cavalos e de rádios
com o russo em Berlim.

Eu esperei na China e em todo canto,
em Paris, em Tobruc e nas Ardenas
para chegar, de um ponto em Stalingrado,
com o russo em Berlim.

Cidades que perdi, horas queimando
na pele e na visão: meus homens mortos,
colheita devastada, que ressurge
com o russo em Berlim.

O campo, o campo, sobretudo o campo
espalhado no mundo: prisioneiros
entre cordas e moscas; desfazendo-se
com o russo em Berlim.

Nas camadas marítimas, os peixes
me devorando; e a carga se perdendo,
a carga mais preciosa: para entrar
com o russo em Berlim.

Essa batalha no ar, que me traspassa
(mas estou no cinema, e tão pequeno
e volto triste à casa: por que não
com o russo em Berlim?)

Muitos de mim saíram pelo mar.
Em mim o que é melhor está lutando.
Possa também chegar, recompensado,
com o russo em Berlim.

Mas que não pare aí. Não chega o termo.
Um vento varre o mundo, varre a vida.
Este vento que passa, irretratável,
com o russo em Berlim.

Olha a esperança à frente dos exércitos,
olha a certeza. Nunca assim tão forte.
Nós que tanto esperamos, nós a temos
com o russo em Berlim.

Uma cidade existe poderosa
a conquistar. E não cairá tão cedo.
Colar de chamas forma-se a enlaçá-la,
com o russo em Berlim.

Uma cidade atroz, ventre metálico,
pernas de escravos, boca de negócio,
ajuntamento estúpido, já treme
com o russo em Berlim.
Essa cidade oculta em mil cidades,
trabalhadores do mundo, reuni-vos
para esmagá-la, vós que penetrais
COM O RUSSO EM BERLIM.

17
Poema: Venezuela.


No es un cuento ni una historia, es la realidad que vivimos ahora, que a mi pueblo le han dado hasta con la olla, pero se mantiene como el guerrero de Troya, demostrando la lealtad con honra, porque sabemos la verdad del imperialismo así la escondan, ya no nos asustan ni la sombra, nos da pena ajena mirar su historia, siempre disfrazado de una buena paloma, quedando al desnudo y sin honra, porque el pueblo en el mundo está despertando para seguir recorriendo el camino para lograr la victoria, demostrando la verdad aunque nos las escondan, porque el ser humano es el enfoque principal para lograr continuar el camino de Simón Bolívar, que han despertado por el fascismo del capitalismo con su guión ciego y sin memoria, porque ya tienen contados los años como las horas, porqué Venezuela a mantenido en alto su bandera, para que la mire el mundo entero que es el socialismo que logrará la victoria, demostrando al ser humano que es sentimiento con honra, por que es el amor de Díos el principio de historia.


Autor: Claudio Oropeza/VE

18

PARA OS TEMPOS DE PAZ

"_Quando conquistamos a paz_
_Vou escrever coisas lindas,_
_Por agora_
_Sua desgraça me domina,_
_Camponêsa_
_Você me domina mansamente_
_Com a magreza faminta_
_Da sua carne maltratada”_"

(Autoria desconhecida)

19

Obscurantismo.....

Tragédias anunciadas
Criminosas queimadas
Contra o povo, as ciladas
Às flores não vão murchar
O fascismo não passará
Viva à resistência popular.....

César Gomes.RJ

20

CONTINUA
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