O resgate da memória e da história dos oprimidos em sua luta por libertação.
terça-feira, 21 de maio de 2024
ENTREVISTA COM FADY JOUDAH * BORIS DRAULIUK/The New Inquiry
domingo, 3 de março de 2024
A Palestina ainda é o problema * John Pilger/UK
A Palestina ainda é o problema
Com quase 30 anos de diferença, os dois documentários de John Pilger sobre a Palestina tinham o mesmo título, A Palestina ainda é o problema. O que ele queria dizer era que, no decorrer de uma geração, uma grande injustiça permaneceu inalterada e urgente.
O seu filme de 1974 descreveu a fuga e a expulsão de quase um milhão de palestinianos, que se tornaram refugiados na sua própria terra – na criação do Estado de Israel em 1948, e depois como resultado da Guerra dos Seis Dias em 1967.
«O que mudou», diz Pilger no seu regresso para filmar o seu documentário de 2002, «é que os palestinianos reagiram. Apátridas e humilhados durante tanto tempo, levantaram-se contra o enorme regime militar de Israel, embora eles próprios não tenham exército, tanques, aviões americanos, navios de guerra ou mísseis... Para [eles], a rotina dominante do terror, dia após dia , tem sido o controlo implacável de quase todos os aspectos das suas vidas, como se vivessem numa prisão aberta.'
A luta dos palestinos pelas suas terras é o tema de ambos os filmes. A perda de 78 por cento das terras em 1948 significou que só podiam reivindicar os restantes 22 por cento, que estavam ocupados por Israel. Eles lutaram principalmente com estilingues contra tanques e aviões durante a sua primeira revolta, a intifada de 1987, e levantaram-se repetidamente.
Os recolheres obrigatórios, os controlos, os bloqueios de estradas e os postos de controlo que regem as suas vidas podem ser comparados com o apartheid na África do Sul, diz Pilger, que entrevista tanto palestinianos como israelitas, tornando o seu relatório infinitamente mais poderoso do que se tivesse dado voz simplesmente aos oprimidos. Na verdade, a maioria das suas testemunhas são israelitas. A entrevista mais longa é uma das mais reveladoras – com Dori Gold, uma figura influente no coração do poder israelita.
Um palestino fala sobre sua irmã, a primeira mulher-bomba, uma voluntária de ambulância de 28 anos que testemunhou mortes e ferimentos de pessoas. Ele está orgulhoso dela. Um pai israelense, Rami Elhanan, lembra-se de sua filha de 14 anos que foi morta por um ataque suicida. “É preciso reconhecer o desespero daqueles que cometem tais atrocidades”, diz ele. 'Você tem que se perguntar: você contribuiu de alguma forma para esse desespero. O homem-bomba foi uma vítima, assim como minha garota.
Com Israel controlando a Cisjordânia ocupada através de assentamentos judaicos que são ilegais sob o direito internacional, Pilger visita um desses assentamentos. Ele passa por um posto de controle militar e por uma estrada cercada por arame farpado eletrificado, que foi construída para uso exclusivo de colonos judeus e soldados israelenses – um emblema impressionante do apartheid, diz ele – antes de descobrir o espetáculo surreal do que parece ser um subúrbio tranquilo de classe média, completo com casas com antenas parabólicas em estradas arborizadas e limpas.
Uma das vozes mais reveladoras é a de um soldado, Yishai Rosen-Zvi, que se recusou a servir na Cisjordânia ocupada e descreve “o enorme bluff do establishment israelita”, acrescentando: “[Cada] crítica às suas políticas é chamado anti-semitismo, [quando] criticar a política do seu país é a única coisa patriótica que se pode fazer.'
Suas palavras são proféticas. Uma campanha orquestrada dirigida pelos sionistas foi montada contra A Palestina ainda é o problema, principalmente nos Estados Unidos, por grupos que não tinham visto o filme. Cada e-mail enviado tinha um tema genérico de “anti-semitismo” – uma versão inicial dos “bots” das redes sociais. Pilger e sua família receberam ameaças de morte.
Na Grã-Bretanha, a Comissão Independente de Televisão, então reguladora da televisão comercial, conduziu um inquérito de três meses e concluiu que a Palestina ainda é a questão era “justa e equilibrada” e não tinha violado a cláusula de “devida imparcialidade” na Lei de Radiodifusão de 1990. . Elogiou o rigor histórico do filme, juntamente com o “cuidado e meticulosidade com que foi pesquisado”. A Palestina ainda é o problema ganhou vários prêmios internacionais.
Prêmios: A estatueta de Chris na divisão Guerra e Paz, Chris Awards, Columbus International Film & Video Festival, Ohio, 2003; Vencedor, categoria Guerra e Paz, Festival Internacional de Cinema de Vermont, 2003; Certificado de Mérito, Chicago International Television Awards.
A Palestina ainda é o problema foi uma produção da Carlton Television para a ITV, transmitida pela primeira vez na ITV1, 16 de setembro de 2002
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024
A Batalha de Argel - Gilo Pontecorvo
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
BRIZOLA E CAROLINA DE JESUS/CAROLINA MARIA DE JESUS * Fundação Claudino Silva/RJ
sábado, 9 de setembro de 2023
DESABAFO DE UM ARTISTA CANSADO * Luiz Carlos Checchia - SP
DESABAFO DE UM ARTISTA CANSADO
Depois de muito tempo, a Lei Aldir Blanc entra em tramitação no Congresso Nacional. Todos devem se lembrar dela, surgiu durante a pandemia como forma de atender o setor da produção artístico-cultural, um dos mais atingidos pela catástrofe do COVID-19.
Mas como a vida de artista no Brasil não é mole, 30% do valor destinado à lei foi, por ordem do governo, destinada para o PAC, que é o Programa de Aceleração do Crescimento. Trata-se de um conjunto de ações que visam, como o nome diz, induzir mais velocidade ao crescimento econômico, sendo um de seus pilares a construção civil. E é assim que a Lei Aldir Blanc viu parte de seus recursos serem destinados à construção de prédios.
Alguém poderia pensar que seria algo bacana, mas o fato é que essa subtração distorce completamente o sentido da Aldir Blanc. Além disso, a Lei Aldir Blanc colocará para circular 3 bilhões de reais, o que parece muito, mas lembrem-se que só para agradar o centrão, o governo Lula já liberou mais de 20 bilhões em emendas parlamentares. E isso sem contar a distribuição de ministérios e secretarias. Enfim, há muito mais de onde o governo poderia tirar essa verba para o PAC, ao invés de o fazer dos recursos que iriam diretamente para a produção artística.
Pois bem, com mentiras contadas, tais como dizer que houve “amplos diálogos com os artistas”, “que foi decisão tomada democraticamente” etc, o governo e seus aliados, como a deputada Jandira Feghali, fizeram a proeza de diminuir mais ainda os poucos recursos da Lei Aldir Blanc. A nós, artistas, pouco restou senão reclamarmos o quanto foi possível, mas sem qualquer efetividade.
Mas essa situação tem como elemento de fundo um ponto pouco debatido: a falta de qualquer peso político por parte de artistas, técnicos e produtos culturais. Para explicar o que quero dizer, sugiro que deem uma olhada no que ocorre nos EUA, nesse momento. A precarização do setor fez com que os sindicatos de atores e de roteiristas parassem a produção no país. Filmes e séries estão cada vez mais comprometidos e a indústria cultural a cada dia vê suas “máquinas” parando. Sempre imaginamos que os artistas nos EUA ganham muito dinheiro, mas a verdade é que o número de “astros de Hollywood” é minúsculo se comparado ao número de artistas e técnicos envolvidos. Mas o que é impressionante é que lá, mesmo os “astros” que assinam contratos milionários, estão nas ruas, nas passeatas e nos ato, Susan Sarandon, Daniel Radcliffe e outros estão em manifestações, segurando placas e usando camisetas com dizeres de protestos, todos lutando pelo bem comum das categorias.
Mas aqui, no Brasil… Ah, que lástima. Nosso SATED, atravessa uma luta fratricida, a SBAT quase não opera, a Cooperativa Paulista bambeia, as demais organizações associações, movimentos etc, nenhuma expressa força política capaz de fazer qualquer pressão. Infelizmente, apesar de sermos um país que adora assistir televisão com suas novelas, minisséries, séries etc, com tantos atores e atrizes famosos, não conseguimos organizar todos esses trabalhadores. Particularmente, sou sindicalizado e integro a SBAT, imaginando que um dia, quem sabe, um estalo acontece, uma epifania, um surto de bom senso, sei lá, e então toda essa massa de artistas e técnicos irá compor suas organizações, fortalece-las, impulsioná-las para frente e para cima.
Mas isso passa também por, aqueles que atualmente dirigem tais entidades ou as disputam com unhas e dentes estabelecerem entre si algum tipo de pacto, acordo, armistício para que elas possam canalizar suas forças para seu motivo de existência: serem o instrumento político de categorias profissionais.
Muita gente, como eu, gostaria que tais entidades fossem a ponta de lança da revolução, outros, que se tornassem espaços de novos valores identitários, mas o fato é que sequer conseguem fazer o básico, que é defender os trabalhadores e trabalhadoras que abrigam.
Enquanto isso, os patrões, as emissoras, as produtoras, os governos e tantos mais dilapidam uma lei aqui, um trabalho ali, um cachê acolá, sobrando unicamente aos pobres trabalhadores a certeza de ficarem um tanto mais pobres.
A Lei Aldir Blanc, assim dilapidada, irá agora para o Senado, alguns ainda sonham em reverter essa situação lá, mas o fato é que é praticamente impossível, pois o acordo entre governo e congressistas parece já bastante firmado. E convenhamos, esses 30% para construção civil, num ano que antecede eleições, significa diversas obras acontecendo pelo Brasil que serão utilizadas como propaganda de diversos candidatos.
Eu, em minhas esperanças mais ingênuas, espero pelo dia em que artistas possam deixar de lado suas diferenças para passarem a lutar organizadamente pelos seus direitos. Num país em que novelas, séries e programas de TV são o pilar da cultura nacional, é impossível que unidos não possamos fazer valer algo.
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terça-feira, 8 de agosto de 2023
O NORDESTE INDEPENDENTE * Bráulio Tavares / Ivanildo Vila Nova
O NORDESTE INDEPENDENTE












