sábado, 17 de agosto de 2024

MANIFESTO POESIA LIBERTÁRIA * Antonio Cabral Filho/RJ

MANIFESTO POESIA LIBERTÁRIA
   HOMENAJE.

Sin tiempo sin amigo
una vida sin patria
un silencio de látigo
que ni siquiera azota.

Julio Cortázar.


Un día como hoy
te hizo presente
te volviste carne
materia literaria
extraña figura
Duende grande
en un mundo pequeño
sin conciencia
hostil, egoísta
"sin tiempo sin amigo".

Niño lector de caminos
historias de libros
imaginando bosquejos
llegan los cuentos
tonos fantásticos
universo perfecto
destellos de ingenio
hombre novelesco
emigrante del sueño
"una vida sin patria".

Derrotero de fantasía
vencedor del extravío
imaginando utopías.
Angel sin alas
incendiando el vuelo,
Julio en Agosto
rompiendo el tiempo
historias de amor
tiritando el alma
pasión que castiga
"un silencio de látigo".

Aquí quedas presente
este instante de ausencia
ejemplo de tu vida
de regocijo humano
hombre de causa justa
tu extensa figura
Duende gigante
Enseñando constancia
amorosa disciplina
"que ni siquiera azota".


Iván Villamizar.
26/08/2024.

TORQUATO NETO/PI
*
***
MANIFESTO POESIA LIBERTARIA

Camaradas, salve!

Quero lhes falar sobre o PROJETO "DEPOIS DE CASTRO ALVES".

PREÂMBULO

Vivemos uma era revolucionária e muito maior do que preconizou Marx, muito além do que historiou Hobsbaum. Em tempos assim os revolucionários precisam ser pessoas completas, precisam pensar em tudo, a um só tempo, por que a roda da história é um raio e quem não vê o seu clarão já perdeu o bonde. Por isso meus camaradas, nós, os revolucionários, precisamos revolucionar, seja na vida social, econômica, cultural e artística. Precisamos propôr estéticas revolucionárias, atendendo aos anseios da maioria. Por isso lhes convido a pensar na estética literária, e criar uma ESTÉTICA LIBERTARIA, especialmente na poesia.

Creio que vocês sabem que o desenvolvimento estético da poesia brasileira se inicia com CASTRO ALVES. GONÇALVES DIAS deu um primeiro passo rompendo o rigor da poesia de formas fixas, mas é a partir de CASTRO ALVES que isso se deslanchou. Daí em diante a poesia modernista virou alimento revolucionário na estética brasileira.

Claro que na Europa, principalmente França e Portugal , isso já era lei e os classicistas baixavam a cabeça. Veja Fernando pessoa. Mas no Brasil ainda era quase uma ofensa se apresentar como Poeta quem não se submetesse ao soneto ou à trova, tamanha era a obediência aos modelos institucionalizados. Precisou que Mário de Andrade, Oswald de Andrade e tantos outros lançassem a Semana de Arte Moderna em 1922. É a partir daí que a estética modernista entrou no salão. Desde então, e só desde então, é que ninguém mais veio impor normas academicistas às artes. Até tem regras, mas não são mais impositivas.

É nesse sentido que começa a caminhar o PROJETO "DEPOIS DE CASTRO ALVES"

POSSO CONTAR COM A SUA ADESÃO?
VAMOS PRECISAR CAIR EM CAMPO E ARREGIMENTAR FORÇAS. NÃO SE FAÇA DE ROGADO, INVADA OS SALÕES, PULE EM CIMA DAS MESAS, BEBA NO GARGALO, DANCE NO ASFALTO, DESFRALDE A BANDEIRA DA POESIA LIBERTARIA
...

1
Depois de Castro Alves
A poesia ganhou mundos!
Viajou em navio negreiro
Liderou revoluções
Fez amor nos camarins
E foi a luta
Sem lenço nem documento.
Antônio Cabral Filho.RJ

2
Enquanto a vida segue forte
O poeta é como um arco
E resiste como um marco
Que já nasce injustiçado
Que está a meio fio
Como um naco de navalha
E na terra ele entalha
Um poema de liberdade

Poesia é a saudade
Do Rio Capiberibe
Da terra dos carijós
E da Serra da Mantiqueira

Poesia é vida inteira
Se esgueirando pelo mundo
E tão perto do absurdo
É arma de revolução!

Dona bela poesia
Vem com bandeira de revolução
E pra ela dá as mãos
Porque ama a liberdade
Poesia é a saudade
Dos tempos em que a justiça era honesta

Vera Mascarenhas.SP

3

LUA VAZIA, 64.

Nuvens raivosas,
passeiam pelos céus de Pernambuco. Nas noites de Março,
tirando a luz do caminho dos camaradas de Julião No breu da noite
a lua entre as nuvens alumia a caminhada
dos camaradas de Julião.

A lua some nas nuvens nas noites de março sem sua luz a milícia num dá sussego.

Os caminheiros tentam entender porque a lua s´escondeu
no rumo do engenho Galileia.

A oitenta e quatro graus
mês de Abril de lua cheia as coisas apertam.

Nuvens raivosas atrapalham
o destino dos camaradas de Julião.

Os de Julião, sentem o momento
o traço e o significado
do que siassucede a cada instante
e sua natureza no modo de ser das coisas.

Uns de um jeito outros de outro.
Lá de cima a lua alumia o caminho
dos camaradas de Julião.

Nas noites dos nordestes do mundo a luz da lua e os caminhantes
não andam sozinhos
nem os camaradas de Julião.
Seguem um rio de estrelas.
&
Os poetas Thiago de Melo e Chico Canindé, no Sustentar em Campinas SP. dia 31.05.08
CHICO CANINDÉ/PA

4

JUNTOS POETÍZENDO

Nessa linha, é preciso
Os brasileiros dar mãos,
Ombro a ombro seguir
Ignorando as imposições

No combate as hipocrisias
Impostas por carrancudo
Amante dos imperialistas
Influentes, na nação

Em rajadas de poesias
Os ativos brasileiros
Poetas e poetisas
Podem metralhar sem medo

Os imbecis, trapalhões
Que insistem em manter regras,
Mantendo os brasileiros
Andando na contra mão

Todos podem ser derrotados
Em rajadas de poesias
Por poetisa e poeta
Opositores do grande capital

Coisa imposta, por estranhos
Dominantes carrasco
Que querem manter
Os brasileiros de mãos abanando

Míope na escuridão
Batendo continência
Para os inimigos
Que abusam na nação

Poetas, na piesia
Podem despertar a sociedade:
A se engajar na luta
Contra o bando de ladrões

Que querem eternizar
A maior Parte dos brasileiros
Seguindo a risca
De inimigos; aliados a estrangeiros

Usurpadores bandoleiros
Aliados, as altas elites
Insistem em querer manter;
O povo explorado na miopia

José Ernesto Dias
São Luís, 17 de agosto de 2024

5
AUTORIA ANÔNIMA
Colaboração: Mary Lãndia - MA

6

@AROSESG
7

@ClauRibasPermitase

8

VOZES

Muitas vozes me tocaram
Ao longo da minha vida.
Prestes, Darcy Ribeiro e Brizola, desde muito cedo,
Me fizeram enxergar a política como um caminho 
Para a realização do bem comum.
Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius, todos eles tornando o amor possível dentro de mim.
Gonzaguinha, com sua coragem revolucionária, ensinou-me a rebeldia e o pensamento para criticar.
Glauber Braga, Sâmia Bonfim e Érika fizeram renascer em mim a esperança num país melhor.
Laterça, Lucia, Omar e Valdilene firmaram em mim 
A certeza de que a Medicina é uma profissão de amor ao próximo. 
Pedro Rosa, Cleodete, Vânia, Verônica, Abadia, Dilma, Janaína, Leise, Wagner, Jane Mary e Lygia, companheiros de luta, me ajudaram a compreender a importância de se posicionar na defesa dos nossos direitos. 
Jesus Cristo, Madre Tersa de Calcutá, Irmã Dulce e Chico Xavier construíram em mim toda a minha espiritualidade e o entendimento do verdadeiro sentido da fraternidade, solidariedade e compaixão. 
Martin Luther King Jr e Padre Júlio Lancelotti fizeram brotar em mim o respeito à diversidade, e a compreensão da desigualdade e da fome como construções humanas que precisam ser combatidas e superadas.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldinho Azevedo e Dominguinhos estimularam em mim o gosto pela música.
Fagner, Belchior e Djavan me aproximaram do violão.
Bethânia, Gal, Elis, Elizete e Ângela Maria me levaram a cantar.
Roberto Carlos, com o romantismo das suas canções, fez dos meus momentos de fossa uma possibilidade de alívio no meu coração. 
Paulo Freire, Gilvan e Marilena Chauí influenciaram as minhas leituras.
Gandhi, Mandela, Leonardo Boff e Frei Betto me mostraram o valor da liberdade. 
Chico Mendes me apresentou a floresta e plantou em mim o cuidado com as coisas da natureza. 
José Roberto me levou a gostar de vôlei e Zagalo me levou a gostar de futebol. 
John Lennon e Elvis Presley ajudaram a embalar os meus sonhos de menino.
Jô Soares, Chico Anísio e Golias me fizeram rir muitas vezes.
Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc semearam em mim emoções. 
Martinho da Vila, Cartola, Jorge Aragão e Paulinho da Viola puseram o samba na minha alma. 
Aílton Krenak e Edson Kaipó  cristalizaram em mim a cultura indígena.
Milton Santos, Ângela Davis e Lélia González ajudaram a  enriquecer o meu conhecimento. 
Chomsky, Mujica, Bauman, Habermas, Fidel e Che Guevara ajudaram a desenvolver em mim o amor pela humanidade. 
Rita Lee, Erasmo Carlos e Lulu Santos trouxeram o rock para a minha vida.
Carlinhos Brown chamou a minha atenção para os tambores da Bahia.
Dercy Gonçalves revelou para mim que a irreverência tem o seu lugar na história. 
Rogéria e Roberta Close me ensinaram a respeitar, estudar e aprender sobre as questões de gênero. 
Sílvio de Almeida e Luís Gama me ensinaram a combater o racismo e me interessar pela história da escravidão. 
Eduardo Moreira, Maria Lúcia Fatorelli e Piketi me ajudaram a gostar e a compreender melhor a economia. 
Meus filhos Rodrigo, Mariana e Lucas me ensinam alguma coisa todos os dias. 
Minha mãe e meu avô Manoel me ensinaram honestidade, empatia, dignidade, responsabilidade e gratidão. 
Muitas outras vozes eu poderia citar aqui, e todas elas ajudaram a construir quem eu sou hoje. 
Neste momento, novas vozes têm surgido: Alexandra, Heloísa, Wânia, Elias, Rogério, Manoel e Juliana.
São vozes que ficam porque deixam marcas.
São vozes amigas, vozes de saudades.

Wladimir Tadeu Baptista Soares 
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino 
wladuff.huap@gmail.com 
17/08/2024

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DEDÉ MONTEIRO

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ATAQUE DE ABELHAS
Nesta data, 17/08/2024, um enxame de abelhas fez Bolsonaro fugir às pressas do Rio Grande do Norte.
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JOSÉ ESTANISLAU FILHO/MG

12
PAULO LEMINSKI -PR

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Dos Nossos Males


A nós nos bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

Mário Quintana/RS


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Com o Russo Em Berlim

Carlos Drummond de Andrade

Esperei (tanta espera), mas agora,
nem cansaço nem dor. Estou tranquilo.
Um dia chegarei, ponta de lança,
com o russo em Berlim.

O tempo que esperei não foi em vão.
Na rua, no telhado. Espera em casa.
No curral; na oficina: um dia entrar
com o russo em Berlim.

Minha boca fechada se crispava.
Ai tempo de ódio e mãos descompassadas.
Como lutar, sem armas, penetrando
com o russo em Berlim?

Só palavras a dar, só pensamentos
ou nem isso: calados num café,
graves, lendo o jornal. Oh, tão melhor
com o russo em Berlim.

Pois também a palavra era proibida.
As bocas não diziam. Só os olhos
no retrato, no mapa. Só os olhos
com o russo em Berlim.

Eu esperei com esperança fria,
calei meu sentimento e êle ressurge
pisado de cavalos e de rádios
com o russo em Berlim.

Eu esperei na China e em todo canto,
em Paris, em Tobruc e nas Ardenas
para chegar, de um ponto em Stalingrado,
com o russo em Berlim.

Cidades que perdi, horas queimando
na pele e na visão: meus homens mortos,
colheita devastada, que ressurge
com o russo em Berlim.

O campo, o campo, sobretudo o campo
espalhado no mundo: prisioneiros
entre cordas e moscas; desfazendo-se
com o russo em Berlim.

Nas camadas marítimas, os peixes
me devorando; e a carga se perdendo,
a carga mais preciosa: para entrar
com o russo em Berlim.

Essa batalha no ar, que me traspassa
(mas estou no cinema, e tão pequeno
e volto triste à casa: por que não
com o russo em Berlim?)

Muitos de mim saíram pelo mar.
Em mim o que é melhor está lutando.
Possa também chegar, recompensado,
com o russo em Berlim.

Mas que não pare aí. Não chega o termo.
Um vento varre o mundo, varre a vida.
Este vento que passa, irretratável,
com o russo em Berlim.

Olha a esperança à frente dos exércitos,
olha a certeza. Nunca assim tão forte.
Nós que tanto esperamos, nós a temos
com o russo em Berlim.

Uma cidade existe poderosa
a conquistar. E não cairá tão cedo.
Colar de chamas forma-se a enlaçá-la,
com o russo em Berlim.

Uma cidade atroz, ventre metálico,
pernas de escravos, boca de negócio,
ajuntamento estúpido, já treme
com o russo em Berlim.
Essa cidade oculta em mil cidades,
trabalhadores do mundo, reuni-vos
para esmagá-la, vós que penetrais
COM O RUSSO EM BERLIM.

17
Poema: Venezuela.


No es un cuento ni una historia, es la realidad que vivimos ahora, que a mi pueblo le han dado hasta con la olla, pero se mantiene como el guerrero de Troya, demostrando la lealtad con honra, porque sabemos la verdad del imperialismo así la escondan, ya no nos asustan ni la sombra, nos da pena ajena mirar su historia, siempre disfrazado de una buena paloma, quedando al desnudo y sin honra, porque el pueblo en el mundo está despertando para seguir recorriendo el camino para lograr la victoria, demostrando la verdad aunque nos las escondan, porque el ser humano es el enfoque principal para lograr continuar el camino de Simón Bolívar, que han despertado por el fascismo del capitalismo con su guión ciego y sin memoria, porque ya tienen contados los años como las horas, porqué Venezuela a mantenido en alto su bandera, para que la mire el mundo entero que es el socialismo que logrará la victoria, demostrando al ser humano que es sentimiento con honra, por que es el amor de Díos el principio de historia.


Autor: Claudio Oropeza/VE

18

PARA OS TEMPOS DE PAZ

"_Quando conquistamos a paz_
_Vou escrever coisas lindas,_
_Por agora_
_Sua desgraça me domina,_
_Camponêsa_
_Você me domina mansamente_
_Com a magreza faminta_
_Da sua carne maltratada”_"

(Autoria desconhecida)

19

Obscurantismo.....

Tragédias anunciadas
Criminosas queimadas
Contra o povo, as ciladas
Às flores não vão murchar
O fascismo não passará
Viva à resistência popular.....

César Gomes.RJ

20

CONTINUA
...

quarta-feira, 17 de julho de 2024

MANDELA VIVE * SARAU DO CEBOLÃO/DF

SARAU DO CEBOLÃO
MANDELA VIVE!

Sarau do Cebolão e Sexta Básica homenageiam Mandela no dia 19/7, a partir das 18h, com show gratuito no Setor Bancário Sul de Brasília com a Banda Adão Negro e o Bloco Santo Pecado, promoção do Sindicato dos Bancários de Brasília, da CUT e da CTB. Música: Vence tudo, Adão Negro.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

X FESTIVAL POPULAR AMÉRICA CENTRAL POESIA DE ESTELÍ * INSTITUTO DE ARTE POPULAR ROBERTO LOAISIGA/Nicarágua

X FESTIVAL POPULAR AMÉRICA CENTRAL POESIA DE ESTELÍ
INSTITUTO DE ARTE POPULAR ROBERTO LOAISIGA

A décima edição do Festival Popular América Central de Poesia está dedicada ao professor, historiador e poeta João Urbina Oségueda, original da comunidade El Ocotillo, município de San Nicolas de Oriente, no departamento de Estelí.

Nasceu em 24 de junho de 1945, filho primogênito de Cervando Urbina Gadea, agricultor, e por Sixta Osegueda Mendoza, dona de casa. Aos 8 anos de idade deu o primeiro Passo em trabalhos do cortar a terra e manusear gado e cavalos, ao lado dos pais, com o facão, a pá, o semeador, e a pedra feito rolar  cavaleiros, para acampamento o aproveitar de ganho do padrão.

Com o curso do tempo trabalhado como trabalhador no campo do cortar  tabaco, em todas as fases do processo e na Manufaturação industrial. Com grandes esforços conseguiu estudar para a carreira de Magistério na Escola Normal de Esteli, e com com seu conhecimento acadêmico pôde atuar como professor. Ele participou na Grande Cruzada pela Alfabetização (CNA). ELE declarou como correspondente de “Punho no Alto” ​​e
"Livro aberto". Ele era apaixonado por arte e Cultura, razões que o levaram a ser parte da equipe de promotores e fundadores da Casa de Cultura Leonel Rúgame del Diamante de Las Segóvia. 

Mas através de um publicação escrita em Fevereiro de 2020, Urbina disse que "a poesia é o professor com a quadro branco na mão, a livro aberto e dando a aula na frente aos alunos, andando de um lado a outro, o estudante atento aos ensinamentos e ao cheiro do professor.”

De 1990 até o início do ano Em 2000, atuou como inspetor do Ensino Secundário no Instituto Nacional Francisco Luís Espinosa (INFLAR), Esteli.  Além do mais, ocupou outros cargos em instalações públicas, como a pessoa responsável de serviços administrativos do Instituto Técnico Florestal (INTECFOR), em Santa Cruz.

Junto com Roberto Loaisiga formado papel do equipamento organizador de festivais de poesia popular centro-americana.

Faleceu em vinte de Outubro 2022. Ele dia seguindo era atributo no papel das autoridades do prefeito de Estelí.

Entre as criações literárias tem  livros: "As Caiteadas de Vestir Filipe" e "Ele Yankee de Jocote", e dois inédito: “Retábulo do diamante “Las Segóvias” e “Contas e lendas do Diamante de Las Segovias”.
*

terça-feira, 21 de maio de 2024

ENTREVISTA COM FADY JOUDAH * BORIS DRAULIUK/The New Inquiry

ENTREVISTA COM FADY JOUDAH

BORIS DRALYUK e FADY JOUDAH

Quando cria raízes no coração: uma conversa com Fady Joudah
Fady Joudah é uma poetisa, tradutora e médica palestino-americana. A sua última colecção, intitulada simplesmente […], foi escrita nos meses que se seguiram à escalada do genocídio de Israel em Gaza – que matou muitos membros da família de Joudah.

Os poemas de Fady Joudah são requintados, mas ingovernáveis, rebeldemente inovadores, mas sintonizados com uma ampla gama de tradições. Eles falaram comigo muito antes de eu ter o prazer de conhecer seu autor ou a honra de chamá-lo de amigo. Trabalhei com Fady como editor em diversas ocasiões, guardando nossas trocas – tanto em meus arquivos quanto em minha mente – como aulas particulares, não apenas nas artes verbais que ele e eu praticamos, mas também na arte de conduzir-se no mundo com dignidade intransigente. A sua última colecção, […] , foi composta ao longo de três meses brutais de guerra de Israel contra os palestinianos de Gaza, mas é muito mais do que um registo de brutalidade. As respostas de Fady às minhas perguntas abaixo indicam a riqueza dos poemas que ele nos deu e da humanidade que eles lamentam e celebram. -Bóris

BORIS DRALYUK: Se eu isolasse o recurso mais proeminente nesses poemas, seria a repetição. E o uso desse dispositivo por si só parece uma afirmação. Nada disso é novo , lembram-nos as formas desses poemas. Nada disso é novidade . E, no entanto, cada repetição é marcada por uma mudança subtil que muitas vezes traz implicações radicais. A voz destes poemas sabe que “[r]epetição não garantirá sabedoria”, mas repete “cesse agora”, sabendo – ou esperando – que cada contexto é diferente. Você e eu nos correspondemos e nos comunicamos frequentemente, ao longo dos anos, quando a história se repete. Como você consegue permanecer invicto diante da repetição histórica? E o que a repetição poética pode nos oferecer?

FADY JOUDAH: Não há vida sem repetição, começando no nível molecular, até mesmo no nível das partículas. Não há arte sem vida. Para permanecer viável, a arte, indissociável da circularidade da condição humana, também se repete. O que é uma vida sem memória? E o que é memória senão repetição. Mas nem toda repetição garante o que chamamos de progresso, um eufemismo para sabedoria. A repetição com resultados reproduzíveis, por exemplo, é um conceito fundamental do método científico. No entanto, a ciência pode ser um instrumento tanto para a destruição da vida como para a sua preservação. Isto sugere-me que a repetição na arte é a nossa memória inconsciente em ação: a arte imita a repetição da força vital dentro de nós. Toda arte é uma tradução da vida. Tomemos como exemplo a chamada pintura de ação de Jackson Pollock. O que é isso senão um ritmo de força vital em todos nós? Nessas pinturas, o padrão é reconhecível, mas inominável. É como observar os elétrons ricocheteando uns nos outros. A tela contém entropia. Compreendemos isso em nível celular ou quântico.

Mas e a arte palestina? Que repetição rejeitamos ou da qual nos afastamos, e por quê? E o trabalho de Samia Halabi que o estado de Indiana proibiu de ser exibido? E a vida artística de Suleiman Mansour? Israel destrói arte em Gaza ou também a rouba? E quantas Palmiras Israel destruiu em Gaza? A Igreja de São Porfírio. A mesquita Omari. Estas também são questões de repetição. Vale a pena repetir que o amor é um direito humano. No entanto, temos muito menos acesso ao amor como tal do que a maioria de nós está disposta a admitir.

Alguns desses poemas assumem a forma de um diálogo ou de um apóstrofo ao “agressor”. Um começa: “Você, que me tira de minha casa”. No início de outra, o palestrante sugere: “Por que você não denuncia / o que você me pede para denunciar. / Podemos fazer isso juntos contando até três.” Há, neste diálogo, muita dor, mas também há humor e compreensão, ou pelo menos uma tentativa de compreensão. O orador exorta o “agressor” a “ouvir”, até promete “lamber [suas] orelhas contra a vingança”. Você acredita que a tentativa de compreensão pode ser mútua? Serão estes poemas, pelo menos em parte, uma expressão de esperança de que isso possa acontecer?

“Os agressores também sofrem”, escrevo em outro poema em […] . Sim, a compreensão não tem sentido se acontece no vazio. Deve envolver outras pessoas e requer toque. O momento da compreensão é outra história. Quando vou te entender, como você precisa que eu te entenda? Quanto tempo vai demorar? Você vai me subjugar através deste processo ou vai subir em direção à igualdade? É por isso que o humor é necessário, porque uma das marcas do totalitarismo ou do fascismo é a erosão do humor. Até que ponto os EUA são totalitários nos seus assuntos externos? Terão os EUA alguma capacidade de autodepreciação em relação à Palestina? Como isso pode parecer?

O único humor disponível para a opressão extrema é desumanizar outros que eles gostariam de dominar, erradicar. Claro, isso não é humor. É engano patológico e sadismo. Para mim, a capacidade de rir de si mesmo e do seu opressor é deixar uma janela aberta para a compreensão. É uma oferta que faço. Uma esperança, como você diz. A esperança como força vital, força de eros, não força mortal.

O sionismo não tem mais senso de humor, se é que já teve algum. Tudo o que resta para se manter em duas pernas é a violência radical, a destruição preventiva e reaccionária. O comediante palestino-americano Sammy Obeid insiste no humor em tempos sombrios. A Palestina está em todo o seu conjunto. Seu humor quebra tabus. O riso nos torna mais gentis, pois nos sentimos simultaneamente ousados, liberados, ainda que momentaneamente. O extremismo, por outro lado, é inimaginavelmente vulgar.

É impossível ignorar o duplo apagamento representado pelo título do livro e de muitos de seus poemas individuais: reticências entre colchetes. Posso preencher o espaço em branco com qualquer número de palavras, mas o espaço em branco parece ser o ponto principal. “Diariamente você acorda com a matança do meu povo”, você escreve, e depois pergunta: “E você?” Você poderia falar do silêncio, ou do silenciamento, indica o título?

Quando começo a falar sobre o silêncio que permanece, ele deixa de ser um silêncio. Meu trabalho de tradução dos poemas selecionados de Ghassan Zaqtan, The Silence that Remains , honra isso. “Eu não sou seu tradutor” é outra linha em […] . É um eco do “Eu não sou seu negro” de Baldwin. Como palestino em inglês, não sou uma ponte cultural entre o conquistador e o vencido. Talvez […] também seja um exercício de escuta. Ouvir o palestiniano em inglês não significa que o palestiniano esteja sempre a falar. Também precisamos de aprender a ouvir em silêncio os palestinianos no seu silêncio. Até agora, quando um palestiniano se cala, isso significa que está morto ou é violável, digerível, passível de posterior apagamento ou desapropriação. English não começou a imaginar os palestinianos a falar, muito menos a compreender o silêncio palestiniano.

Falando de um exercício de escuta, um dos poemas mais longos do livro é uma sequência de dez maqams, “Parece que sou”. Pelo que entendi, o maqam é um sistema de escalas musicais microtonais que não é facilmente anotado usando modelos ocidentais. Para aprender as escalas, é preciso ouvir e escutar. Seu poema também insiste na nossa escuta; poucas linhas, mesmo as mais aforísticas, transmitem isoladamente a totalidade de seus significados. Enjambment e refrões recontextualizados desbloqueiam camadas e mais camadas de nuances. Uma frase, no entanto, é demasiado aforística para não ser citada: “Um coração livre dentro de um peito enjaulado é livre”. Há muito tempo que fico admirado com a sua capacidade de defender a liberdade do seu coração, apesar de todas as tentativas, mesmo as bem-intencionadas, de prendê-lo. Você poderia falar sobre o maqam como uma forma, e talvez sobre o papel que ele desempenhou em ajudar o seu coração a permanecer livre?

Assim, “maqam” também significa um lugar de posição, uma posição de ser, seja social, histórico ou espiritual, físico ou metafísico. Um maqam é também onde os falecidos estiveram, estabeleceram a sua presença e nos obrigaram a comemorá-los. O que esses significados compartilham com a música é uma conversa e uma viagem no tempo. A música sobe, desce, pausa, entre a nota e a escala, o singular e o plural. Ele se posiciona em relação ao performer e ao público. E repete.

Em última análise, um maqam musical aspira a “Tarab”, uma palavra que carece de equivalente em inglês e outras línguas da Europa Ocidental. Tarab é o estado de êxtase, mesmo que doloroso, que se alcança através da música ou canto. O conceito existe em todas as culturas, é claro. Mas em árabe esta chegada sensorial, ao mesmo tempo que uma partida, tem uma palavra específica. Nos maqams em […] , pretendo corresponder aos conceitos árabe-islâmicos como arte e não como didatismo ou exotismo antiquado. A estereotipagem nada mais é do que uma língua morta, que pode levar à morte daquilo e de quem fala. “Barzakh”, por exemplo, é um conceito muito complexo. Isso tem sido discutido há séculos. Não sou obrigado a explicar isso. Em vez disso, entro na conversa através da arte. O mesmo para os poemas maqam. “Maqam para um Silêncio Verde” não precisa explicar o encontro de Moisés com al-Khidr. E nenhuma página da Wikipédia será suficiente.

Um dos poemas deste livro compartilha o título de um poema seu anterior, de Alight (2013). Nesse primeiro poema intitulado “Mimesis”, a filha do orador rejeita seu conselho de derrubar a teia de aranha que a impede de passear de bicicleta. “Ela disse que é assim que os outros”, relata o palestrante, “se tornam refugiados, não é?” Nesta nova iteração de “Mimesis”, um “sapo bebê de uma polegada de comprimento” entra na casa do locutor “durante o extermínio / de animais humanos ao vivo na TV”. Em outro poema deste volume, o orador prevê que seu falecido cão diabético reencarnará “como uma pessoa que não pode pagar pela insulina”. Você poderia refletir para nós sobre a relação entre o humano e o animal em seus poemas? Sua formação e experiência como médico afetaram sua visão desse relacionamento?

Não é preciso ser médico para entender o que significa não ter condições de pagar pela insulina. Nossa relação com os animais e outras criaturas é de domínio. Para que, quando eles são os nossos melhores amigos ou os destinatários da nossa magnanimidade, ainda estejamos no controle, e eles sejam o nosso sujeito e metáfora. É imenso não matar uma aranha por empatia pelos deslocados. E ainda assim quantas aranhas matamos desde aquele poema. Queria contrariar a popularidade do primeiro “Mimesis” com o segundo. Queria fazer perguntas sobre a empatia da conveniência, o sedoso reino de eureka. “Eureka” em si foi um pronunciamento da lei do deslocamento. O deslocamento de outros ativa a empatia até que o genocídio exponha essa empatia pelo que sempre foi: uma ideia. Mesmo assim, respeito essa ideia quando ela cria raízes no coração.

Será que a nossa capacidade e vontade de exterminar espécies coincidiu com a nossa prática de genocídio? Provavelmente não. Demorou um pouco para os dois andarem de mãos dadas. Indiscutivelmente, a chamada era moderna começou com o extermínio principalmente de árabes e muçulmanos, mas também de judeus, na Espanha nos séculos XV e XVI, e rapidamente tomou conta dos povos indígenas das Américas. Al-Andalus, como civilização viva, foi dizimada, apagada e tudo o que restou dela foi escondido, sobrevivendo apenas em código.

No final do século XVIII, o projecto colonial europeu começou a exterminar outras formas de vida juntamente com os humanos. Agora até a água, fonte de vida, é sistematicamente destruída. Ainda bem que não conseguimos alcançar o sol.

Passamos da necessidade como mãe da invenção para a invenção como mãe da necessidade. E ao rendermo-nos a este modo de vida, damos início à catástrofe num carrossel, como se o desastre fosse a nossa única saída da nossa aporia, do nosso beco sem saída.

Um médico detém poder sobre o paciente, apesar da declaração de direitos do paciente. Torno-me um servidor da biopolítica do Estado. Os pacientes tornam-se meus súditos, clientes, etc. Nossa humanidade mútua é regida por leis. A decência comum não desaparece, mas adquire um modo automatizado dentro das maquinações permitidas. Ocasionalmente, a mesma condição aflige a solidariedade nos movimentos sociais. De qualquer forma, se o paciente não tem condições de pagar a insulina, é uma questão que o Estado deve responder. Se o paciente faz uma colonoscopia, não é necessariamente porque a humanidade prevaleceu. Eventualmente, muitos pacientes com poucos recursos são encaminhados para a necropolítica, seu novo administrador na vida. Eles são deixados para morrer sem a devida intervenção do Estado. Tornam-se danos colaterais e então o seu infortúnio é, na melhor das hipóteses, transformado num motor de mudança dentro da civilização em tempos de paz. Isto não diz nada sobre o que acontece na guerra, no genocídio. Quem bombardeia hospitais e herda a terra?

As limitações da humanidade… Em algumas das linhas mais assustadoras de […], o orador descreve o resgate de uma jovem debaixo dos “escombros feitos pelo homem”, cujos salvadores a fazem sentir-se momentaneamente “como uma criança / que viveu durante sete anos acima chão / recebendo elogios”, antes de saber “do desaparecimento de sua família / afundá-la”. Você escreve: “Todos os desastres são naturais / incluindo este / porque os humanos são naturais”. Não há como deixar a poesia de lado, mas ela é apenas um lado da sua experiência. Poderia partilhar connosco como, desde o início deste desastre natural provocado pelo homem que atingiu Gaza, conseguiu viver, dia após dia, como um palestiniano neste mundo?

Quero compartilhar mas não consigo. Moro na América, autor deste genocídio contra mim e contra o povo palestino.

A América é tão bem treinada em exibir o sofrimento dos seus vencidos. Não há reconhecimento suficiente em inglês da dívida para com o sumud, a resistência e a sobrevivência palestinianos. Alguma solidariedade com a Palestina não saberia o que fazer sem os palestinos liderando o caminho repetidas vezes. No devido tempo, olharemos para trás, para os movimentos de solidariedade na era neo-imperial e multicultural, e veremos mais claramente os seus aspectos perversos de auto-congratulação. Pão e bombas. Comprimidos e prêmios. Por outras palavras, existe uma solidariedade cujo horizonte é a assimilação, e existe uma solidariedade cujo horizonte é a libertação. O primeiro é hierárquico para aqueles com quem é solidário. Este último está em comunidade com eles. O primeiro os trata como abstração. Este último é citacional. Ele nomeia aqueles que ama.

Algumas das mentes europeias mais fascinantes do século XX estavam totalmente cegas à praga do colonialismo europeu e às pessoas que lhe foram subjugadas. Walter Benjamin e Hannah Arendt pertenciam a uma minoria perseguida e talvez a gravidade da sua opressão tenha limitado a sua capacidade de se libertarem inteiramente do ponto de vista dos seus opressores. Nenhum dos dois poderia imaginar os povos colonizados do mundo. Isso é humano, pode acontecer com qualquer pessoa a qualquer momento, principalmente sob pressão. Mas isto significa que a nossa era de solidariedade também tem as suas próprias limitações.

Algumas expressões de solidariedade no império são ferozes, lideradas por “desmancha-prazeres” que conseguem rir. No entanto, outros sentem-se demasiado inclinados a actos de auto-afirmação, flexibilizando o poder do testemunho. Esta última expressão de solidariedade parece temperada e viciada por um moralismo superior que favorece o poder através da crítica da vítima. Este ativismo não está enraizado na generosidade. Compreendo que seja desconcertante pertencer a uma cultura que acredita que a sua capacidade de reparação é uma posse eterna, concedida por alguma providência. E olha, dizem, temos os marcos históricos para provar isso. Agora todo mundo quer ser testemunhado. E assim, a minha limitação em responder à sua pergunta decorre de uma necessidade de desafiar a audição implacável que pode ou não me aprovar como bom material para um produto nacional. Uma marca. Um verdadeiro concorrente no mercado livre. A premissa desta audição é falsa. Pergunto-me, por exemplo, se o silêncio em […] , e o estrangeiro nesse silêncio, são o que estamos aqui a desmantelar reflexivamente, em nome da disponibilização a um público mais vasto do livro em inglês que autoriza a aniquilação palestiniana.

E se eu não tivesse família em Gaza? Você preferiria procurar um sobrevivente palestino mais autêntico? Quem, entre os solidários com os palestinianos, impõe critérios de autenticidade ao palestiniano em inglês?

Estou muito mais preocupado com o dia seguinte ao término do genocídio transmitido ao vivo dos palestinos. O dia seguinte é o dia mais longo. E é igualmente indescritível.

Um verso de Al-Mutanabbi do século X: “Infelizes são aqueles que invejam as vidas dos miseráveis./ Existe uma vida pior que a morte”. O que aconteceu com o sorriso daquela garota? Voltou ao rosto dela? A Palestina em árabe está sempre viva.

domingo, 3 de março de 2024

A Palestina ainda é o problema * John Pilger/UK

A Palestina ainda é o problema


Com quase 30 anos de diferença, os dois documentários de John Pilger sobre a Palestina tinham o mesmo título, A Palestina ainda é o problema. O que ele queria dizer era que, no decorrer de uma geração, uma grande injustiça permaneceu inalterada e urgente.

O seu filme de 1974 descreveu a fuga e a expulsão de quase um milhão de palestinianos, que se tornaram refugiados na sua própria terra – na criação do Estado de Israel em 1948, e depois como resultado da Guerra dos Seis Dias em 1967. 

«O que mudou», diz Pilger no seu regresso para filmar o seu documentário de 2002, «é que os palestinianos reagiram. Apátridas e humilhados durante tanto tempo, levantaram-se contra o enorme regime militar de Israel, embora eles próprios não tenham exército, tanques, aviões americanos, navios de guerra ou mísseis... Para [eles], a rotina dominante do terror, dia após dia , tem sido o controlo implacável de quase todos os aspectos das suas vidas, como se vivessem numa prisão aberta.'

A luta dos palestinos pelas suas terras é o tema de ambos os filmes. A perda de 78 por cento das terras em 1948 significou que só podiam reivindicar os restantes 22 por cento, que estavam ocupados por Israel. Eles lutaram principalmente com estilingues contra tanques e aviões durante a sua primeira revolta, a intifada de 1987, e levantaram-se repetidamente. 

Os recolheres obrigatórios, os controlos, os bloqueios de estradas e os postos de controlo que regem as suas vidas podem ser comparados com o apartheid na África do Sul, diz Pilger, que entrevista tanto palestinianos como israelitas, tornando o seu relatório infinitamente mais poderoso do que se tivesse dado voz simplesmente aos oprimidos. Na verdade, a maioria das suas testemunhas são israelitas. A entrevista mais longa é uma das mais reveladoras – com Dori Gold, uma figura influente no coração do poder israelita.

Um palestino fala sobre sua irmã, a primeira mulher-bomba, uma voluntária de ambulância de 28 anos que testemunhou mortes e ferimentos de pessoas. Ele está orgulhoso dela. Um pai israelense, Rami Elhanan, lembra-se de sua filha de 14 anos que foi morta por um ataque suicida. “É preciso reconhecer o desespero daqueles que cometem tais atrocidades”, diz ele. 'Você tem que se perguntar: você contribuiu de alguma forma para esse desespero. O homem-bomba foi uma vítima, assim como minha garota.

Com Israel controlando a Cisjordânia ocupada através de assentamentos judaicos que são ilegais sob o direito internacional, Pilger visita um desses assentamentos. Ele passa por um posto de controle militar e por uma estrada cercada por arame farpado eletrificado, que foi construída para uso exclusivo de colonos judeus e soldados israelenses – um emblema impressionante do apartheid, diz ele – antes de descobrir o espetáculo surreal do que parece ser um subúrbio tranquilo de classe média, completo com casas com antenas parabólicas em estradas arborizadas e limpas. 

Uma das vozes mais reveladoras é a de um soldado, Yishai Rosen-Zvi, que se recusou a servir na Cisjordânia ocupada e descreve “o enorme bluff do establishment israelita”, acrescentando: “[Cada] crítica às suas políticas é chamado anti-semitismo, [quando] criticar a política do seu país é a única coisa patriótica que se pode fazer.'

Suas palavras são proféticas. Uma campanha orquestrada dirigida pelos sionistas foi montada contra A Palestina ainda é o problema, principalmente nos Estados Unidos, por grupos que não tinham visto o filme. Cada e-mail enviado tinha um tema genérico de “anti-semitismo” – uma versão inicial dos “bots” das redes sociais. Pilger e sua família receberam ameaças de morte. 

Na Grã-Bretanha, a Comissão Independente de Televisão, então reguladora da televisão comercial, conduziu um inquérito de três meses e concluiu que a Palestina ainda é a questão era “justa e equilibrada” e não tinha violado a cláusula de “devida imparcialidade” na Lei de Radiodifusão de 1990. . Elogiou o rigor histórico do filme, juntamente com o “cuidado e meticulosidade com que foi pesquisado”. A Palestina ainda é o problema ganhou vários prêmios internacionais.

Prêmios: A estatueta de Chris na divisão Guerra e Paz, Chris Awards, Columbus International Film & Video Festival, Ohio, 2003; Vencedor, categoria Guerra e Paz, Festival Internacional de Cinema de Vermont, 2003; Certificado de Mérito, Chicago International Television Awards.

A Palestina ainda é o problema foi uma produção da Carlton Television para a ITV, transmitida pela primeira vez na ITV1, 16 de setembro de 2002

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A Batalha de Argel - Gilo Pontecorvo

A BATALHA DE ARGEL 
*
GILO PONTECORVO
Produzido em 1966, A Batalha de Argel é um filme ítalo-argelino dirigido por Gillo Pontecorvo, misturando ficção e documentário. Ele trata da batalha que se deu em 1957 na cidade de Argel, capital da Argélia, em meio à guerra de libertação nacional que este país tratava para conquistar sua independência da França, que finalmente ocorreu em 1962. O filme mostra as atrocidades cometidas pelas tropas imperialistas francesas, bem como as táticas da guerrilha urbana da Frente Nacional de Libertação da Argélia.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

BRIZOLA E CAROLINA DE JESUS/CAROLINA MARIA DE JESUS * Fundação Claudino Silva/RJ

BRIZOLA E CAROLINA DE JESUS

Entre tantas histórias de Brizola, essa com Carolina de Jesus merece ser muito compartilhada - trago do Memorial Luiz Carlos Prestes.

No livro "Casa de Alvenaria" (1961), Carolina de Jesus registra sua passagem por Porto Alegre e o encontro com Leonel Brizola e sua esposa Neuza Goulart na turnê de divulgação do seu primeiro livro "Quarto de Despejo". Datada em 02 de dezembro de 1960:

"Quando a Dona Neuza Goulart Brizola surgiu fiquei observando-a atentamente. Foi a primeira esposa de governador a receber-me depois que eu saí da favela. Conversando com Dona Neuza percebi que o majestoso palácio que ela habita não lhe envaidece. Achei lindo ela dizer: “Tenho pavor desta casa. O meu esposo é político. E os políticos não têm amigos”. Ela despediu-se. Fui falar com o Dr. Leonel Brizola noutra sala. Perguntei-lhe como vai indo o desenvolvimento do estado. O Dr. Leonel Brizola pediu-me para não envaidecer e não desprezar os pobres:

- 'Você deve voltar periodicamente a favela para não perder sua autenticidade. Você vai visitar as favelas de Porto Alegre e dizer aos favelados que eles precisam e devem estudar. Faça-me esse favor. O meu sonho é acabar com o analfabetismo no estado. O meu carro está a seu dispor”.

Dei uma risada e comentei:
- “Que honra para mim! Estava habituada a andar só de Rádio-Patrulha”.
(...)
Fiquei abismada quando vi as favelas do Rio Grande do Sul. As casas são de tábuas bem construídas. Tem muita água e vários tanques. As mulheres não brigam por causa da água. Algumas pessoas da favela conheciam-me de nome. (...) O que impressionou-me na favela de Porto Alegre foi a quantidade de água. Quando abre a torneira em dois minutos enche-se uma lata. As mulheres lavam as roupas com água canalizada desinfetada com cloro.
(...)
Fomos na Câmara ver o II Congresso Estadual de Vereadores. Estava empolgante. O Governador Leonel Brizola estava presente. Eu disse-lhe:
- “O senhor está me perseguindo”.
Ele sorriu comentando:
- “Não, Carolina. Quem está perseguindo-me é você. Eu cheguei na frente”.

O presidente interrompeu os debates para receber-me. E apresentou-me aos presentes, convidando-me para me dar parte nos debates. Perguntou-me qual é a causa das favelas nas grandes cidades. Respondi:
- “Nós os favelados somos os homens do campo. Devido os fazendeiros nos explorar ilimitadamente deixamos as favelas e vamos para as cidades. E nas grandes cidades, os que vivem melhor são os cultos. Nós os incultos encontramos dificuldades de vida. Mesmo trabalhando na cidade como assalariado, encontramos dificuldades para viver porque o salário não cobre as despesas. Não há possibilidade de pagar uma residência decente. Temos que habitar as terras do Estado.
Fui aplaudida. Meu olhar avuou para o rosto do Dr. Leonel Brizola. Ele estava sorrindo. Autografei alguns livros para os vereadores”.

Fonte: JESUS, Carolina de. Casa de Alvenaria: diário de uma ex-favelada. São Paulo: Editora Paulo de Azevedo, 1961. p. 89-93.
Foto: Correio da Manhã, 19 de março de 1961.
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sábado, 9 de setembro de 2023

DESABAFO DE UM ARTISTA CANSADO * Luiz Carlos Checchia - SP

 DESABAFO DE UM ARTISTA CANSADO

Luiz Carlos Checchia, historiador, dramaturgo e diretor teatral.SP


Depois de muito tempo, a Lei Aldir Blanc entra em tramitação no Congresso Nacional. Todos devem se lembrar dela, surgiu durante a pandemia como forma de atender o setor da produção artístico-cultural, um dos mais atingidos pela catástrofe do COVID-19.


Mas como a vida de artista no Brasil não é mole, 30% do valor destinado à lei foi, por ordem do governo, destinada para o PAC, que é o Programa de Aceleração do Crescimento. Trata-se de um conjunto de ações que visam, como o nome diz, induzir mais velocidade ao crescimento econômico, sendo um de seus pilares a construção civil. E é assim que a Lei Aldir Blanc viu parte de seus recursos serem destinados à construção de prédios.


Alguém poderia pensar que seria algo bacana, mas o fato é que essa subtração distorce completamente o sentido da Aldir Blanc. Além disso, a Lei Aldir Blanc colocará para circular 3 bilhões de reais, o que parece muito, mas lembrem-se que só para agradar o centrão, o governo Lula já liberou mais de 20 bilhões em emendas parlamentares. E isso sem contar a distribuição de ministérios e secretarias. Enfim, há muito mais de onde o governo poderia tirar essa verba para o PAC, ao invés de o fazer dos recursos que iriam diretamente para a produção artística.


Pois bem, com mentiras contadas, tais como dizer que houve “amplos diálogos com os artistas”, “que foi decisão tomada democraticamente” etc, o governo e seus aliados, como a deputada Jandira Feghali, fizeram a proeza de diminuir mais ainda os poucos recursos da Lei Aldir Blanc. A nós, artistas, pouco restou senão reclamarmos o quanto foi possível, mas sem qualquer efetividade.


Mas essa situação tem como elemento de fundo um ponto pouco debatido: a falta de qualquer peso político por parte de artistas, técnicos e produtos culturais. Para explicar o que quero dizer, sugiro que deem uma olhada no que ocorre nos EUA, nesse momento. A precarização do setor fez com que os sindicatos de atores e de roteiristas parassem a produção no país. Filmes e séries estão cada vez mais comprometidos e a indústria cultural a cada dia vê suas “máquinas” parando. Sempre imaginamos que os artistas nos EUA ganham muito dinheiro, mas a verdade é que o número de “astros de Hollywood” é minúsculo se comparado ao número de artistas e técnicos envolvidos. Mas o que é impressionante é que lá, mesmo os “astros” que assinam contratos milionários, estão nas ruas, nas passeatas e nos ato, Susan Sarandon, Daniel Radcliffe e outros estão em manifestações, segurando placas e usando camisetas com dizeres de protestos, todos lutando pelo bem comum das categorias.


Mas aqui, no Brasil… Ah, que lástima. Nosso SATED, atravessa uma luta fratricida, a SBAT quase não opera, a Cooperativa Paulista bambeia, as demais organizações associações, movimentos etc, nenhuma expressa força política capaz de fazer qualquer pressão. Infelizmente, apesar de sermos um país que adora assistir televisão com suas novelas, minisséries, séries etc, com tantos atores e atrizes famosos, não conseguimos organizar todos esses trabalhadores. Particularmente, sou sindicalizado e integro a SBAT, imaginando que um dia, quem sabe, um estalo acontece, uma epifania, um surto de bom senso, sei lá, e então toda essa massa de artistas e técnicos irá compor suas organizações, fortalece-las, impulsioná-las para frente e para cima.


Mas isso passa também por, aqueles que atualmente dirigem tais entidades ou as disputam com unhas e dentes estabelecerem entre si algum tipo de pacto, acordo, armistício para que elas possam canalizar suas forças para seu motivo de existência: serem o instrumento político de categorias profissionais.


Muita gente, como eu, gostaria que tais entidades fossem a ponta de lança da revolução, outros, que se tornassem espaços de novos valores identitários, mas o fato é que sequer conseguem fazer o básico, que é defender os trabalhadores e trabalhadoras que abrigam.


Enquanto isso, os patrões, as emissoras, as produtoras, os governos e tantos mais dilapidam uma lei aqui, um trabalho ali, um cachê acolá, sobrando unicamente aos pobres trabalhadores a certeza de ficarem um tanto mais pobres.


A Lei Aldir Blanc, assim dilapidada, irá agora para o Senado, alguns ainda sonham em reverter essa situação lá, mas o fato é que é praticamente impossível, pois o acordo entre governo e congressistas parece já bastante firmado. E convenhamos, esses 30% para construção civil, num ano que antecede eleições, significa diversas obras acontecendo pelo Brasil que serão utilizadas como propaganda de diversos candidatos.


Eu, em minhas esperanças mais ingênuas, espero pelo dia em que artistas possam deixar de lado suas diferenças para passarem a lutar organizadamente pelos seus direitos. Num país em que novelas, séries e programas de TV são o pilar da cultura nacional, é impossível que unidos não possamos fazer valer algo. 

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terça-feira, 8 de agosto de 2023

O NORDESTE INDEPENDENTE * Bráulio Tavares / Ivanildo Vila Nova

 O NORDESTE INDEPENDENTE

Bráulio Tavares / Ivanildo Vila Nova


A música “Nordeste Independente", um bem-humorado e utópico manifesto contra a discriminação sofrida pelo nordeste, gerou polêmicas no início dos anos 80. A música foi composta pelo escritor, compositor e roteirista, Bráulio Tavares e por Ivanildo Vilanova, um dos poetas repentistas mais conhecidos e respeitados do Brasil. A obra foi gravada por Elba Ramalho na década de 80, que aproveitou apenas seis, das, pelo menos, 15 estrofes escritas pelos poetas.

Letra da Música: 
NORDESTE INDEPENDENTE
Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares 

Já que existe no Sul este conceito
que o Nordeste é ruim, seco e ingrato,
já que existe a separação de fato
é preciso torná-la de direito.
Quando um dia qualquer isso for feito
todos dois vão lucrar imensamente
começando uma vida diferente
da que a gente até hoje tem vivido:
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Dividindo a partir de Salvador
o Nordeste seria outro país:
vigoroso, leal, rico e feliz,
sem dever a ninguém no exterior.
Jangadeiro seria o senador
o cassaco de roça era o suplente
cantador de viola o presidente
e o vaqueiro era o líder do partido.
Imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Em Recife o distrito industrial
o idioma ia ser "nordestinense”
a bandeira de renda cearense
“Asa Branca" era o hino nacional
o folheto era o símbolo oficial
a moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o Inconfidente
Lampião o herói inesquecido:
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

O Brasil ia ter de importar
do Nordeste algodão, cana, caju,
carnaúba, laranja, babaçu,
abacaxi e o sal de cozinhar.
O arroz e o agave do lugar
a cebola, o petróleo, o aguardente;
o Nordeste é auto-suficiente
nosso lucro seria garantido
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Se isso aí se tornar realidade
e alguém do Brasil nos visitar
neste nosso país vai encontrar
confiança, respeito e amizade
tem o pão repartido na metade
tem o prato na mesa, a cama quente:
brasileiro será irmão da gente
venha cá, que será bem recebido...
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Eu não quero com isso que vocês
imaginem que eu tento ser grosseiro
pois se lembrem que o povo brasileiro
é amigo do povo português.
Se um dia a separação se fez
todos dois se respeitam no presente
se isso aí já deu certo antigamente
nesse exemplo concreto e conhecido,
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.
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