sábado, 20 de setembro de 2025

VIRIATO GASPAR LITERATURA MARANHENSE * Fundação Claudino Silva

VIRIATO GASPAR LITERATURA MARANHENSE
VIRIATO GASPAR

(Viriato Santos Gaspar) – nasceu em São Luís (MA), em 7/3/1952. Radicado em Brasília desde agosto de 1978. Jornalista desde 1970. Funcionário de carreira do Superior Tribunal de Justiça. Participação em antologias poéticas no Maranhão e em Brasília. Vencedor de muitos prêmios literários, tanto em sua terra natal quanto no Distrito Federal. Bibliografia: Manhã Portátil, Gráfica SIOGE, São Luís-MA (1984); Onipresença (versão incompleta), Gráfica SIOGE, São Luís-MA (1986); A Lâmina do Grito, Gráfica SIOGE, São Luís-MA (1988), e Sáfara Safra, São Luís-MA (1996). Está concluindo um livro de Salmos em linguagem moderna, e tem dois livros de poemas e um de contos, inéditos.

Oswaldino Marques ao comentar textos de autores novos da Literatura Maranhense disse que o poeta “mais próximo da autonomia de vôo é Viriato Gaspar. Surpreende-se nele inventividade, assenhoreamento formal, linguagem plástica, límpida, a inteligência do metamorfismo da expressão que o dota dos meios de manipulação apurada da palavra.”

Lago Burnett: “...um poeta absolutamente senhor de seu instrumental.” Chagas Val, ao referir-se ao livro Manhã Portátil, declarou “... um livro forte e denso.” Moacyr Félix, “Com nitidez percebe-se, atrás do seu bem elaborado artesanato, a presença verdadeira de um poeta. Literatura e não literatice.” Wilson Pereira, “Manhã Portátil já revela a energia criadora do autor, dotado de sopro mágico e de capacidade para articular a linguagem com expressivos recursos estilísticos.”

"Só agora pude concluir a leitura do Tributo ao Poeta II. (...) Recordei e reli muita coisa conhecida, mas tive a deliciosa surpresa de descobrir o poeta Viriato Gaspar, cujos vigorosos versos me arrebataram preenchendo uma lacuna no meu elenco dos bons poetas contemporâneos." ASTRID CABRAL - Rio de Janeiro, maio de 2010

Página realizada com a colaboração de Salomão Sousa, Angélica Torres e de outras fontes.


TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL



Bilhete a Montale



Que tempo este de agora e suas redes.

O sol morre de frio e o mar, de sede.



Que mundo este, que encheu só de vazio.

A fome rói nas ruas seu fastio.



Goramos o luar; só resta um mantra,

e este gosto de agosto na garganta


A Caminho, de Volta



(a Odylo Costa, filho, in memoriam)



Os Anjos rasgarão nos meus cabelos

estradas para Deus, e seus atalhos.

Nas minhas mãos geladas trigo e orvalho

Deus plantará depois, para eu bebê-los.



Os Anjos brotarão dos meus joelhos

e cantarão manhãs que nunca pude.

Hão de nascer das plumas do alaúde

as rosas da manhã, clarins vermelhos.



Hei de cantar, cantar, cantar, cantar

as luzes que engasguei, por mundo ou medo,

os salmos que apaguei, por mal, por mim.



E os Anjos me erguerão na altriz do altar,

para eu sugar o Sol e arfar enfim

o sopro antigo e novo do Segredo.


A Sesta

(a Leonardo Boff)


Não quero abrir no azul um céu chinfrim,

que seja só um sol que nunca ladre.

Não quero um Deus assim, morto de mim,

cevado de senões, patrão de padres.



Eu quero O Deus em mim, total de tudo,

uma alva rede aberta em minha alma.

Um cachorro enrolado em seu veludo,

meu pai me dando adeus na tarde calma.


A Ilha


Janelas. Poeira. Mosquitos. Meu pai ventava em azul as paredes da insônia. Lamparinas. Calor. Formigas. Fome.

Os homens exercitavam vagas vidas vazias. Idéias. Ideais. Lixo. Luxo. Lisura espectral.

Uma rede sozinha. Var/ando a var anda. Var/ânsias. Átrios de igrejas. Sé. Carmo. Remédios. Pam ta leão. Garrafas. Gumes. Cuspo. Fé. Fezes.

Padre, dai-me a vossa bênção porque pe(s)quei. Ide em gás e que o terror vos arrebanhe. Mentiras. AMEN/tiras.

Os dias despejavam adrenalina. Ossos magros. Fome. Fumo. Fama. Fúria. Os homens inventavam teorias para explicar o medo. Mastigar o medo. O muco murcho da matilha amorfa. A porca era gorda demais. E a gente tinha fome.

As mulheres eram qualquer coisa secreta. Proibida. O veludo molhado da rosa incendiada na penugem. Uma dúzia de sonhos. Uma saga de dúvidas. Tesão. Teso. Ah ânsia de voar sobre as ladeiras e amanhecer assombros nos sobrados.

A vida era o desfiar morrente de uma esperança sem futuro. Ex-v(a)ida a cada dia. Como o rosário comprido de minha mãe. Deus era o pavor absoluto. O nome extremo do medo.

O sol sugava o sumo do suor do osso. Os outros, ostras incrustadas no estertor antigo. O coração ganindo a própria gana. A vida vindo em vão e vã voando. Veloz. Vaga. Vadia.

A casa era pequena, mas cabia a tosse de meu pai e a sua rede. O armador tecia na parede um gemido asmático de animal doméstico. A noite se enchia de calor e paz com o roc-roc-roc da velha rede de meu pai, insone.

O mundo era uma ilha sem horizontes. Os barcos passavam. Como os dias. O mar aberto era uma chaga alheia.

A vida era uma ilha. Afogada em seu fogo vazio.

A vida era uma

...

(a vida foi

se.)


A Vinda


Chegaste de manhã, e era dezembro.

O mar cuspia azul sobre as estrelas

e marejava um cais para bebê-las.

Teu rosto era um farol, é o que lembro.



Chegaste como a chuva; pelo avesso,

acendendo a manhã nas minhas unhas.

Agora foi depois, quando eu supunha

não mais molhar-me o sol, seu sal espesso.



Nunca disse teu nome, não cabia.

A palavra era apenas seu esgar,

um modo de morder a ventania.

Só lembro do dezembro. E então o mar.


O Náufrago


teu corpo negro iluminava tudo

com seus segredos fundos de mulher

e nele eu me enconchava em caramujo

no refluir-fruir dessa maré



de barcos emboscados no ar escuro

tarrafando sargaços de suor

teu corpo negro então ficava sujo

de claridade e desmanchava o sol



em golfadas de trêmulas espumas

teu corpo negro pluma de penumbra

a derramar manhãs no travesseiro



e eu náufrago de tudo arremetesse

as praias de teu corpo e me solvesse

nos minérios malinos de teus pêlos.

GASPAR, Viriato, Sáfara safra (poesia). São Luis, MA: SIOGE, 1994. 156 p, 14x20,5 cm.


O BUROCRATA

uma lua explode
por dentro do terno.

manda-a ao protocolo
para carimba-la
e num memorando
baixa-a ao arquivo.


A CAIXA-PRETA

o morto
no caixão

o porto
ou a floração?

(ou só o conforto
da conformação,

o tateio torto
pela contramão?)


GASPAR, Viriato. Manhã portátil. Poesias. São Luís, MA: Plano Editorial Gonçalves Dias, SIOGE, 1984. 135 p. 15x22 cm. Capa: Joaquim Santos. Col. Bibl. Antonio Miranda


ENTRONCAMENTO


outubro já passou, novembro veio,

e a vida continua pra dezembro.

dezembro chegará, depois janeiro,

e a vida continua em fevereiro.

o calentário espichará seus dias

em meses, anos, rugas e calvície,
novos amigos, novas descobertas,

(ou a simples ilusão de descobri-las),

novas cidades, novas desventuras,

novas mulheres e velhas ternuras.

e a vida seguirá por mais um ano,

mais outro e depois outro e a vida sempre

a encompridar seu tempo e seu fastio,

seu pasto de chacinas e vivências,

seus enganos, seus medos, seus abismos;

até que um dia a morte, enfim chegando,

(num dia de dezembro ou de janeiro),

acabe com a ciranda da agonia.

e quando o trem das trevas apitar

na esquina de meus ossos doloridos,

eu quero entrar sem pressa e sem bagagem,

como alguém que, depois de muitos anos.

retorna finalmente para casa.


De
A LÂMINA DO GRITO
(poesia)
São Luis: SECMA/SOPGE, 1988


3
(para Malu)

aqui, nesta argamassa de neurônios,
de músculos e nervos, pele e ossos,
eu e a minha manada de demônios
estamos sós no ranço dos remorsos.

estamos sós no cio solitário
do pus da nossa paz, fechada em fossos,
no pó das postas do que sobra em sócios
para o repasto oposto do inventário.

aqui, neste congresso de torturas,
sentamos, face a face, na impostura
de impar e ser o avesso do que somos.

enfartados de espantos e de espasmos,
eu e a minha alcatéia de fantasmas
choramos sós à sombra dos escombros.


21

primeiro ela sonhou que estava morta;
depois, que viajara, que partira,
mas não porque ela própria o decidira,
mas porque havia o mundo além da porta.

ela era a sombra do seu próprio vulto,
a imagem em nuvem do não-revelado.
ela era tudo o que restava oculto,
mas dentro dela mesma, em si guardado.

e porque assim tivesse sido (ou era),
ou nunca fosse, houvesse acontecido,
talvez mais por alvor que só de avara,

primeiro ela sonhou que não chegara,
depois, ao ver que ver era um olvido,
evaporou-se em sua própria espera.


27

inverno, meu amor, são esses ossos
que a tarde desenterra em nossas veias,
sempre sujos do sumo dos remorsos,
lambuzados de loucas luas cheias.

esse inverso, essa viva carne carma,
o punhal, esse sabre que nos sobra,
essa bomba que nunca se desarma,
esse dobre a dobrar-nos na manobra.

inverno são as drupas desses dias,
essas tardes tardias, trastes, tantas;
essas ruas repletas e vazias,
esta gana a ganir-nos na garganta.

inverno, meu amor: ossos e dias;
e a gente a gangorrar sua agonia.


30

(a Wilson Pereira)


Qualquer coisa nascida de si mesma
como um ovo, um poema, uma ferida.
Uma pena talvez, flecha fendida
em trovões coruscando em lã/ma e lesmas.

Qualquer coisa. Excrescente, dissoluta,
fluida, fóssil, falaz, como cortiça.
Manivela ou mormaço, a mó mortiça
do seu grito de gueto, escampa escuta.

Esse inverno vital, vulva que orvalha,
galha oblívia do sestro na navalha.
Uma coisa qualquer. Sabre em saliva.

Qualquer coisa cerzida em urze ou asa,
húmus ubre de rala ruma rasa:
▬ um verso, esse universo em carne viva.

(do livro “A LÂMINA DO GRITO”, de 1988)


31

o azul pondo fagulhas no azulejo
enquanto a tarde talha e a voz resvala
no silêncio estalado em caranguejos
e o breu do grito é o gume de uma bala.

o azul tecendo lu(r)zes nos sobrados
e as ruas estuando em treva as teias.
a sombra é um búzio dúbio debruado
na renda rubra da paisagem alheia.

o azul espelha paz no pó espesso
enquanto as aves voam em vão no avesso
e o instante estanca e tranca o trinco a seco.

o azul plantando (p)lumes nos telhados
e a tarde entalha o instante ali alado
e enlaça o aço azedo enchendo os becos.


POEMAS INÉDITOS
(selecionados por Angélica Torres Lima)


A QUERELA DO BAR ZIL

As ruas estão rotas de mendigos,
de putas e ladrões mal-ajambrados.
Os que se deram bem vão bem guardados,
no além das limusines, em abrigo.

Nas praças só há pressa, e o medo empurra
o bilro em nossas burras, ‘té a monta.
Em cada esquina um rambo nos aponta
um berro, e basta a nós se só nos curra.

Nos palácios, nos templos, nas choupanas,
é um salve-se quem der a xepa ou a xana,
a vida vale um peido, um troco, um til.

Há quem ferrando enrique ou nasce a lula,
mas nas ruas é a fome, é a gana, a gula,
oh pátria amada, à puta que pariu!


O NINHO

Olha, lá fora, a trôpega manada
que marcha, amorfa, à usura do futuro.
Vê com que pressa passam na calçada,
rumo a um arrimo esconso em seu escuro.

Olha, aqui dentro, o ninho do meu vinho,
o chão deste clarão, esta tontura.
Vê com que vôo as aves da ternura
rasgam seus ramos no meu ser sozinho.

Ferve um inferno fosco no lá fora:
aqui dentro, eu Te espero.
Agora.
Aurora.


BILHETE À ROSA QUE ACENDEU O JARDIM

Tive um amor que desmanchou-se ao vento,
mal soprara a manhã nos meus cabelos.
Tentei talvez, a susto, ainda retê-lo,
mas dissolveu-se em azul no céu cinzento.

Tive um amor que encheu o mundo inteiro
de um brilho, um fogo, um gás, um chão tão claro,
que até hoje, já escuro, ao relembrá-lo,
ainda me acende o rastro do seu cheiro.

Tive um amor assim, estranha estiva,
a farfalhar seu mar em carne viva,
o mundo em riste a borbulhar nas veias.

O amor, no entanto, é um sopro que se apouca;
no instante mesmo em que nos bica a boca
já se ave em vôo, e nunca mais se apeia.


NOITURNO

A rua espicha as casas sonolentas
pela ladeira suja enevoada.
Só meus passos, no pasmo da calçada,
ressoam mundo afora, à flor do vento.

A rua se esparrama escuro adentro,
uma ruma de casas desbotadas.
Só a lua na rua amortalhada
me vê passar sem pressa, a contra vento.

De onde eu vim, para onde vou, pisando
o mundo mudo, a rua morta, e eu quando?

Só meus passos no escuro acendem o vento
e toc toc tocam no silêncio.


O JATOBÁ TOMBADO

A doença foi secando a minha mãe,
até torná-la a sombra dela mesma.
Na sua solidão de dor enferma,
um mar de arpões-ferrões nas suas manhãs.

Na mirrada figura que sumia
um pouco mais, a cada abril do dia,
havia um horizonte de sereno,
grandeza no exercício do pequeno.

Minha mãe me ensinou, com a dor e a reza,
que sempre há vôo e luz, se a vida pesa.


RÚMULOS

Por aqu
passou o Poeta:

▬ há cacos de estrelas
acendendo o escuro;
há um brilho estranho
no pavor dos muros,
e há um viço avesso
acordando o mundo.
O Poeta
passou por este dia:

fez brotar a manhã
da noite fria,
fez nascer um clarão
no breu que havia
e surgir em cada dor
como um jardim,
para depois,
um raio, um risco ou um jasmim,
encantar-se por fim
na ventania.


O LEGADO

(a Gabriel)

aquele poema
que não consegui,
mas a duras penas
carreguei em mim.
aquela pequena
coisa indefinida,
que não foi poema
nem encheu a vida.
o sol escondido
que não se acendeu.
este não ter sido
que em mim sou eu.

(de Sáfara Safra )


ÍNDICE


A Ferreira Gullar

O homem é a matéria do meu canto,
qualquer que seja a cor do que ele sente.
E não importa o motivo do seu pranto,
é um homem, meu irmão, e estou doente
de sua dor, e é meu o seu espanto
do mundo e desta hora incongruentes.
Na trincheira do Verbo me levanto
contra o que contra o homem se intente.
O homem é o objeto e o objetivo
de quanto sei cantar, e o canto é tudo
que pode me explicar porque estou vivo.
Às vezes sou ateu, noutras sou crente,
em outras sou rebelde, em algumas mudo:
— sou homem, e canto o homem no presente.

(de Manhã Portátil)




Antonio Miranda, diretor da Biblioteca Nacional de Brasília, abrindo a sessão do Tributo ao Poeta, dedicada a Viriato Gaspar, no dia 31 de março de 2009.



Atores e o homenageado no palco do auditório da BNB (com o poeta ao centro) recebendo o aplauso da platéia em dia de casa cheia e ovação de pé, depois da leitura dos poemas. Uma noite verdadeiramente consagradora ao talento do poeta maranhense-brasiliense Viriato Gaspar. Da esquerda à direita os poetas: Antonio Miranda, Wilson Pereira, Aglaia Souza, o homenageado Viriato Gaspar, Carla Andrade e Vicente Sá. Os apresentadores dos textos foram Wilson, Aglaia, Carla e Vicente, e o apresentador foi Anderson Braga Horta.

FONTE
***

terça-feira, 19 de agosto de 2025

19º Festival Visões Periféricas * Visões Periféricas

19º Festival Visões Periféricas
Bom dia!


Temos a alegria de informar que já estão abertas as inscrições para o 19º Festival Visões Periféricas, evento anual voltado a produções audiovisuais das periferias brasileiras ou que abordem temáticas marginalizadas.

No ano passado, tivemos filmes premiados de Pernambuco (Tijolo por Tijolo), Bahia (Quem é essa mulher), Minas (O lado de fora fica aqui dentro), Goiás (Juvana de Xakriabá), Rio de Janeiro (Nossa querida Jabebiracica) etc.

Entre as temáticas, destacaram-se a precarização do trabalho, apagamentos de histórias negras, resistência indígena, amores LGBT+ etc.

É uma oportunidade especial para novos talentos da periferia mostrarem suas produções em audiovisual.

As inscrições vão até 20 de setembro. Grátis!

Espero que possam divulgar (fotos da última edição, 2025).

Abaixo, o release.
Abs,

Júnia
21 99124 6358

Festival Visões Periféricas seleciona filmes para mostras competitivas em 2026.

Inscrições são gratuitas e devem ser feitas online, até 20 de setembro.

Já estão abertas as inscrições para o 19º Festival Visões Periféricas, evento anual de cinema voltado a produções audiovisuais das periferias brasileiras ou que abordem temáticas marginalizadas. Valem filmes de curta média e longa metragens, produzidos a partir de setembro de 2024. As inscrições devem ser feitas no site do festival, de forma online e gratuita, de 12 a 20 de setembro de 2025. Os filmes selecionados serão exibidos em março de 2026, de forma presencial no Rio de Janeiro e online. Todos receberão troféus e os melhores ganharão um prêmio em serviços de filmagem. A 19ª edição do Festival Visões Periféricas é um projeto da Supimpa Produções Artísticas e Culturais, com patrocínio do Banco Itaú.

Os cineastas podem inscrever seus trabalhos em três mostras competitivas: Fronteiras Imaginárias, voltada a filmes de até 25 minutos produzidos por realizadores independentes de todo o Brasil; Cinema da Gema, para filmes de até 25 minutos produzidos no Estado do Rio de Janeiro; e Panorâmica, para filmes com duração de no mínimo 40 minutos (média e longa metragens). “Valem obras documentais, ficcionais, experimentais, entre outras, desde que dentro dos limites de tempo, tamanho, resolução e de acordo com a mostra proposta. Também não há restrição quanto aos gêneros, e filmes com audiodescrição e legendas descritivas são muito bem-vindos”, explica Márcio Blanco, idealizador e diretor do evento. Para se inscrever, basta entrar no site do festival, conferir o regulamento, preencher uma ficha e encaminhar os trabalhos por lá mesmo, com fotos, stills, cartaz, links e respectivo material de divulgação.

Em dezembro de 2025, o festival divulgará a lista dos filmes selecionados, por meio do site e redes sociais. Cada participante receberá um troféu e um prêmio oficial do festival. Um júri escolherá uma obra de cada mostra competitiva como vencedor. Haverá também o prêmio de melhor filme eleito pelo júri popular. A exibição e premiação ocorrerão entre os dias 6 e 8 de março de 2025. Em caso de dúvidas, o candidato pode encaminhar um e-mail para: contato@visoesperifericas.com.br

SOBRE O FESTIVAL

Realizado anualmente, o Festival Visões Periféricas é uma plataforma de difusão de projetos audiovisuais produzidos nas periferias do Brasil. Criado em 2007, foi o primeiro festival de cinema no país a se dedicar exclusivamente a esse recorte de curadoria. Sua missão é levar a produção audiovisual de qualidade das regiões periféricas a espaços culturais de excelência do país. Ao longo de19 anos, o evento vem promovendo a circulação de filmes criados por produtores que vivem em áreas marginalizadas, dando visibilidade a esses talentos, propiciando sua inserção na indústria do audiovisual e estabelecendo conexões com grandes players do mercado. Outro aspecto importante do festival é ser uma janela para as temáticas que permeiam o dia a dia das comunidades periféricas, incluindo questões de identidade, raça, território, gênero, trabalho etc. Em 2024, participaram do festival 51 de produções nacionais, entre curtas, médias e longas-metragens, divididas em três mostras competitivas e uma não-competitiva.

Regulamento: clique aqui e conheça os requisitos antes de inscrever seu filme.

SERVIÇO

Festival Visões Periféricas 2026
Inscrições para as mostras competitivas
Data: de 12 a 20 de setembro de 2025

Gratuito

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Júnia Azevedo
(21) 99124 6358 / (21) 2122-3029

Premiação 2025 - Larissa Barbosa e Fernanda Vigigal entre Rafael Carvalho da Itaú Cultural Premiação 2025 - Victoria Alvares_Cris e Quentin De la Roche, premiados pelo filme Tijolo por Tijolo, em 2025 Festival 2025_Quézia Lopes, Joel Zito Araújo e Márcio Blanco
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JUNIA AZEVEDO
(21) 99124-6358
*

domingo, 20 de julho de 2025

Hijas de la Nakba (Documental completo) * BDS VALENCIA

FILHAS DE NAKBA
"Filhas da Nakba" é um documentário que captura as datas e os eventos mais significativos da colonização do território palestino no último século e como as mulheres palestinas participaram e estiveram presentes em todas as formas de luta e resistência contra a ocupação colonial, primeiro britânica e depois sionista. O documentário nos imerge no cotidiano de diferentes mulheres palestinas e como cada uma delas, à sua maneira, confronta a colonização israelense, um sistema patriarcal que se endurece com a colonização e uma perspectiva ocidental que as relega ao papel de vítimas. Estrelando Khitam Saafin, Mariam Abu Turki, Leila Khaled, Jaldía Abubakra, Doha Asous, Manal Tamimi, Nisreen Azzeh e Hawa Kawaja. Direção de Estela Falastin, tradução de Salam Akhras Mazloum e produção da Veus Producciones. Documentário originalmente publicado no canal do Alkarama no YouTube. Após mais de 35.000 visualizações de "Filhas da Nakba", o canal Alkarama censurou o documentário em julho de 2025 e, consequentemente, o próprio documentário. Em 18 de julho de 2025, o BDS País Valencià reenviou o documentário para que pudesse ser assistido e transmitido em todo o mundo.
BDS VALENCIA

domingo, 6 de julho de 2025

21ª FILVEN 2025 * FILVEN - VE

21ª FILVEN 2025
21ª Feira Internacional do Livro da Venezuela

Vereadora de extrema-direita pede retirada de “Capitães de Areia” de Jorge Amado das escolas * Fernanda Silva de Moraes/Jornal Nota-SC

Vereadora de extrema-direita pede retirada de “Capitães de Areia” de Jorge Amado das escolas
-Ser alvo do fascismo nunca foi novidade para as artes nem para os comunistas-


A vereadora Jessica Limone (PL) partido de extrema-direita, atuante no município de Itapoá (SC) durante uma sessão na câmara, lançou intensas críticas a um dos livros mais conhecidos de Jorge amado, o “Capitães de Areia” (1937).

As críticas ao livro foram feitas a partir da inclusão da obra no currículo das escolas brasileiras, o que, para ela, representa uma tentativa política de “marginalização” das crianças. No romance, acompanhamos a rotina de crianças à margem da sociedade.
-Fascistóide-

A vereadora declarou que:
_“Está sendo trabalhado e discutido no ensino fundamental, para alunos de 7º e 8º ano, entre 12 e 13 anos, esse livro. Se os senhores procurarem em livrarias e sites, ele tem uma classificação indicativa de 18 anos. Porém, a classificação dele, divulgada e oficial, é de 14 anos”.

Seu argumento é fundamentado na seguinte premissa:
_“É uma maneira que o governo federal tem – que a esquerda tem – de introduzir a literatura brasileira. […]. O que eu quero dizer com isso é que esse livro promove a marginalização infantil, é uma maneira pela qual a esquerda está infiltrando esse livro nas escolas”._ Ela demonstra preocupação com o conteúdo exposto no livro, acusando o atual governo federal de infiltrar “Capitães de Areia” (1937) como se fosse uma mácula no sistema educacional do país. Para completar sua fala, a vereadora Jessica Limone (PL) fez um apelo à Secretaria de Educação do município, solicitando a retirada da obra “Capitães de Areia” da grade curricular das escolas de ensino fundamental.

Não satisfeita e comprovando seu viés ideológico, a vereadora citou o autor de “Capitães de Areia”(1937), Jorge Amado como “comunista, famoso, conhecido, inclusive, foi deputado federal e teve o seu mandato cassado”.

As críticas ao livro foram feitas a partir da inclusão da obra no currículo das escolas brasileiras, o que, para ela, representa uma tentativa política de “marginalização” das crianças. No romance, acompanhamos a rotina de crianças à margem da sociedade.
-Fascistóide-


A vereadora declarou que:
“Está sendo trabalhado e discutido no ensino fundamental, para alunos de 7º e 8º ano, entre 12 e 13 anos, esse livro. Se os senhores procurarem em livrarias e sites, ele tem uma classificação indicativa de 18 anos. Porém, a classificação dele, divulgada e oficial, é de 14 anos”.

Seu argumento é fundamentado na seguinte premissa:

“É uma maneira que o governo federal tem – que a esquerda tem – de introduzir a literatura brasileira. […]. O que eu quero dizer com isso é que esse livro promove a marginalização infantil, é uma maneira pela qual a esquerda está infiltrando esse livro nas escolas”.

Ela demonstra preocupação com o conteúdo exposto no livro, acusando o atual governo federal de infiltrar “Capitães de Areia” (1937) como se fosse uma mácula no sistema educacional do país.

Para completar sua fala, a vereadora Jessica Limone (PL) fez um apelo à Secretaria de Educação do município, solicitando a retirada da obra “Capitães de Areia” da grade curricular das escolas de ensino fundamental.

Não satisfeita e comprovando seu viés ideológico, a vereadora citou o autor de “Capitães de Areia”(1937), Jorge Amado como “comunista, famoso, conhecido, inclusive, foi deputado federal e teve o seu mandato cassado

A obra “Capitães de Areia”, é marcadamente uma crítica social e por isso foi alvo da Intentona Comunista, que perseguiu não somente os membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB), bem como intelectuais, que segundo o governo, estavam associados à ideologia de Moscou (capital da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).
“Capitães de Areia” e sua crítica social

Começou a ler a crítica e ainda não leu “Capitães de Areia”? Aqui vai uma sinopse desse livro que é um dos grandes clássicos da literatura brasileira

-Fascistóide-


Publicado em 1937, “Capitães de Areia”, conta a história de Pedro Bala, Professor, Gato, Sem Pernas e Boa Vida, crianças abandonadas que crescem nas ruas de Salvador e vivem em uma comunidade que se estabeleceu no Trapiche.

As crianças praticam assaltos e se envolvem em diversas confusões, na mesma medida em que são perseguidas constantemente pela polícia. Com a chegada de Dora e seu irmão Zé Fuinha, os meninos ficam excitados com a presença de uma menina. Dora desperta em Pedro Bala e nos outros garotos um afeto inesperado.

Uma história que nos move e nos incomoda pela sua riqueza de detalhes e por sua contundente crítica social. Nos faz refletir sobre as crianças abandonadas à própria sorte que ainda hoje são perseguidas pela cidade de Salvador e pelo Brasil afora. Uma crítica que pode ser percebida pelo leitor atento, mesmo não sendo “comunista”.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

As Romãs Cósmicas, de uma América Latina e de uma Palestina, saqueadas * BARTHES/SP

As Romãs Cósmicas, de uma América Latina e de uma Palestina, saqueadas

No deserto de Atacama, onde o sal canta memórias de oceanos extintos, um velho quebra nozes de romã, com mãos rachadas. Cada semente vermelha é uma estrela madura, caída do ventre da noite. Ele as recolhe, uma a uma, como quem recompõe constelações assassinadas. Seus olhos, duas galáxias descalças, guardam o segredo, _*a luz não pede licença para nascer, mesmo nas covas mais fundas.*_

Os arames farpados do mundo, são teias de aranha sob o sol dos Andes e da Palestina. Enquanto os senhores da guerra erguem muros com dentes de aço, os povos originários, tecem tapetes ouvindo a chuva. Nos campos de concentração modernos, fomes que engolem crianças, cospem velhos, os condenados descobrem, _*a última liberdade humana é um rio subterrâneo.*_Ninguém pode secar o oceano que carregam nas pálpebras. Um mineiro chileno, esqueleto vestido de lama, sussurra ao minério.

_*"Você é meu diário de zinco. Quando me triturarem, minhas palavras florescerão, nos vergéis dos netos que nunca verei."*_

Beijos latinos, palestinos, são pontes. Unem o Atlântico enfurecido, ao Mediterrâneo sonâmbulo, a solidão da Argentina, à dor na Cisjordânia. Nos becos de Buenos Aires, bocas famintas mordem pão sem poesia, enquanto nos palácios de Washington, generais mastigam mapas com fronteiras de sangue. Isabela, costureira de El Salvador, borda crisântemos nas roupas dos desaparecidos:

_*Cada flor, é um corpo que volta. Cada ponto, é uma pergunta não respondida.*_

Mohammed, pescador da Palestina, lança redes no Mediterrâneo ao amanhecer. Capturando peixes-prata e cartas de náufragos.

_*O mar é a grande urna, onde votamos com ossos.*_

As bandeiras, destes espaços geográficos, não são de tecido. São de flores bravias que rompem a alma. Num subúrbio do Rio, meninos jogam futebol com uma bola de meias. Os gols são marcados entre dois tijolos. Quando a polícia invade, transformam-se em estátuas de sal. Um deles, Miguel, de 9 anos, escreve na parede com carvão:

_*Aqui brincamos até que a morte se canse.*_

Sua irmã, Luana, colhe jasmins no lixão. Oferece um à sombra de um avião não tripulado:

_*Toma. Assim você lembra que também é semente.*_

Os imperialistas trocam armas por café. Chamam progresso ao veneno que derramam nas plantações. Mas nas cozinhas de Oaxaca, as avós moem cacau e revolução. Preparam o que arderá como justiça. Enquanto isso, nas salas de controle de Langley, homens de ternos caros apertam botões que apagam aldeias. Não sabem que _*os povos sem medo são fantasmas que assombram a própria morte.*_ Um velho maia em Chiapas conta aos netos:

_*Os conquistadores vieram com espadas. Nós lhes demos milho. Eles roubaram ouro. Nós plantamos sonhos. Agora seus impérios são museus. Nossas sementes são foguetes.*_

Quando a noite cai sobre o deserto, a areia Palestina conta segredos em línguas, que os satélites não decifram. Um guerrilheiro do Hamas, poeta, acampado entre muros bombardeados, abre um livro roubado de uma biblioteca incendiada. Lê em voz alta para os vagalumes:

_*"Quem tem um porquê, vive e suporta qualquer como".*_

Seus companheiros afiam facões. Um deles pergunta:

_*E nosso porquê?*_

O poeta aponta para o horizonte, onde as romãs cósmicas explodem:

_*Vingar os que foram sementes. Ser terra, apesar das ações sinistras dos sionistas, para os que virão.*_

Amanhã, quando os tanques avançarem sobre as praças, encontrarão crianças jogando futebol com sombras de antepassados. Os soldados hesitarão. Ouvirão risos entalados no granito das casas destruídas. E no momento exato em que apertarem os gatilhos, as romãs, do velho do deserto, brotarão em seus uniformes. Vermelhas. Férteis. Invencíveis.

Porque a América Latina e a Palestina, aprenderam que no inferno, _*nunca se entrega a alma. Apenas as emprestamos à eternidade, enquanto tecem novos mapas, com a luz roubada dos carrascos.*_

_*"A liberdade é um pássaro que ninguém pode encarcerar, pois seu ninho é feito do barro dos sonhos coletivos e canta com a voz dos que se foram."*_

_*BARTHES (CABANA)*_
_*RECANTO DAS LETRAS.*_
_*CÓDIGO DE TEXTO:T8366760
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quarta-feira, 4 de junho de 2025

CARTAS HABANERAS * Emiliano José/BA

CARTAS HABANERAS
Emiliano José

Oito dias em Cuba.
Entre o Primeiro de Maio e o dia 8, quando regressei.
Dias enriquecedores.
A provocar reflexões.
Revelo, de pronto, se ainda necessário, quão forte a lembrança de Carla França em Havana.
Minha amada mulher, companheira.
Partiu em agosto.
Fez a viagem definitiva.
Dor.
Profunda.
Não é fácil entender.
Cada um vive a ausência amada de forma singular.
Não há modelo para o luto.
A dor é solitária.
Via Carla a cada passo em Havana.
A paixão dela por Cuba, por Havana, pelo povo da Ilha, alegre, seguro de si, mesmo à frente de inúmeras dificuldades.
Paixão pelo jeito simples daquela gente.
Tinha um desejo: viver na Ilha.
Nas andanças pela capital cubana, agora, estivemos, eu e Jorge Ferrera, no Museu José Martí.
Um dos pensamentos do intelectual e revolucionário: é vergonhoso e inaceitável o esquecimento dos mortos.
Tal pensamento pode dizer respeito às vítimas de ditaduras.
E diz.
Mas, também, às pessoas mais próximas, nossos amores, nosso amor.
Não olvidar os mortos é lembrar o legado deles.
Honrar a memória.
Lembro de tudo Isso quando penso em Carla.
De cada gesto.
Sentimentos solidários e amorosos dela.
Generosidade.
Tive o privilégio de tê-la ao meu lado.
A dor da ausência, ainda muito presente.
Não tenho pressa.
Não quero apressar o rio.
Ela aínda me ocupa.
Deixo a presença dela se fazer.
Ausente seja.
Ausência e doce presença.
Ninguna.
Ainda.
E Cuba trouxe-a.
Feliz, alegre.
Cheia de vida.
Em 2018 e 2019, quando estivemos juntos na Ilha.
Esses oitos dias tiveram, entre tantas coisas, o condão de me trazê-la de volta.
Não a tenho mais.
E a tenho, nas doces recordações das nossas duas visitas à ilha.
Lembrar os mortos.
O conselho de Martí.
Nunca esquecer os amores.
O amor.
Nestes dias, breves, pude sentir novamente a alma da Ilha.
A alma do povo.
Povo protagonista de um autêntico milagre.
Só o ser humano é capaz de milagres
O resto, conversa mole pra boi dormir.
Agradecimentos eternos a Jorge Ferrera, meu anfitrião sempre.
E agora agradecimentos também a Martha, companheira dele, a quem conheci nesta viagem.
Pude perceber o milagre, a capacidade de resistência do povo cubano face ao criminoso bloqueio norte-americano.
Capacidade a se estender por décadas, desde o início da Revolução.
Perceber, também, de raspão seja, os gigantescos desafios dessa pequena nação.
Me desculpem o paralelo: lembrei de Asterix.
Li muito na prisão.
A insubmissa aldeia gaulesa, resistindo ao Império Romano.
Asterix e Obelix, lembram?
Só os maís velhos, creio lembrarão.
Cuba evoca aquela aldeia gaulesa, a recusar-se à rendição.
Face ao Império Romano, perdão, Império Norte-americano, a Ilha jamais se dobrou.
O Império nunca aceitou o triunfo de uma revolução nas suas barbas.
E feita por ousados barbudos.
Não esperava tal resistência.
Tentou uma grande invasão, a de Playa Giron, e foi derrotado fragorosamente.
A resistência à invasão mercenária foi comandada por Fidel Castro e Che Guevara.
O acontecimento só fez consolidar a natureza socialista da Revolução.
Essa natureza é inaceitável para o Império.
E por isso tenta sufocá-la de todos os modos.

MAIS CARTAS HABANERAS
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quarta-feira, 16 de abril de 2025

ME GRITARAM "NEGRA!" * Victoria Santa Cruz/Peru

ME GRITARAM "NEGRA!"

#megritaronnegra é um dos poemas mais importantes e intensos de #victoriasantacruz, porque además ella misma é a grande protagonista: o escrito foi inspirado em um mal rato que passou em sua própria infância.

Tenía sete anos apenas, apenas sete anos, ¡Qué sete anos! ¡No llegaba a cinco siquiera! De pronto umas vozes na rua me griteon ¡Negra! ¡Negra!

#megritaronnegra #victoriasantacruz #poetarevolucionaria #autorateatral #directoraescénica #coreógrafa #vestuarista #afroperuana #musicmgp

@MusicMGP @seguidores @elsalmonurbano @destacar

"Me Gritaron Negra" - Victoria Santa Cruz. Versão do vídeo do poema. Extraído do programa "Perfiles" da TV Peru (estação de TV estatal do Peru).
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